FANFIC - O CONTRATO - CAPÍTULO 17

Olá Amores!!! Hoje vamos curtir o 17° capítulo de "O Contrato". Quer acompanhar a história desde o início?Clique aqui.


Um plano mirabolante envolvendo uma jovem pura e um ambicioso empresário. Bella é envolvida em um esquema criado por Edward Cullen acreditando que o mesmo a ama, mas a realidade é muito diferente disso. Edward precisava casar para poder herdar a sua parte que lhe cabe na empresa do pai e, após seduzir Bella fazendo a mesma se casar com ele, mostra sua verdadeira face. Agora, casados, terão de enfrentar um casamento que é uma verdadeira farsa, mas será que Bella poderá transformar seu casamento em algo real e digno de conto de fadas?


Autora : Jacqueline Sampaio
Classificação: +18
Gêneros: Romance
Avisos: Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo




Capítulo 17



Bella pov’s


O carro andava pela cidade com suavidade (Edward dirigia mais devagar do que deveria). Tive a impressão de que ele estava me obrigando a passar um tempo maior com ele no carro; esperei que fosse só impressão. Mantive minha cabeça inclinada olhando a paisagem da minha janela, não querendo de forma alguma vê-lo. Eu sabia que não tinha o direito de ficar irritada com ele afinal de contas fui eu a culpada, eu aceitei seu convite. O que eu estava fazendo? Por que aceitei ficar ao seu lado em um evento empresarial em troca de dinheiro? Eu estava me equiparando às prostitutas dele!

Eu poderia desistir, bastava entregar o cheque e...

–Chegamos. –Edward anunciou. Olhei para fora, estávamos em frente a uma boutique incrivelmente chique. Todo aquele luxo me intimidou. A frente era incrível, com traços da arquitetura grega, um prédio de mais de quatro andares. Procurei me recompor. Eu não queria mostrar que ainda havia resquícios da antiga Bella, a Bella provinciana.

–Lembre-se Cullen: todas as despesas serão pagas por você! –Falei forte caminhando a passos firmes para a porta. Um funcionário muito bem vestido nos recepcionou. Estava tão irritada que banquei a mal educada, ignorei a todos que me cumprimentavam. Fui diretamente a uma atendente. Ela me olhou dos pés a cabeça avaliando meus recursos financeiros.

–Bom dia senhora...
–Eu quero um kit completo para ir a um evento, exclusivo. Roupas, acessórios... E não me preocupo com dinheiro então pare de me olhar com indiferença como se eu fosse uma ladra! –Falei irritada, despejando veneno em quem nem merecia tanto. Ela estacou.

–Ouviu minha esposa, não é? Ofereça a ela o melhor. –Edward disse atrás de mim. Ignorei sua atitude protetora.

–Sigam-me. –Ela pediu. Eu a segui. Edward projetou seu corpo para frente, mas eu o impedi virando-me e colocando a mão em seu peito.

–Eu não preciso de babá! –Falei ríspida. Virei-me e segui a funcionária.

...

Sacola em mãos. Eu não vi o preço do vestido, do lingerie, das jóias e dos sapatos, mas posso apostar que o valor era próximo do que Edward me pagou para sair comigo. Edward se manteve afastado e para a minha surpresa vi que ele também havia comprado algo para vestir. Ele sorria malicioso (como eu odiava esse sorriso!) satisfeito por seus planos estarem dando certo. Eu iria mostrar a ele, iria envergonhá-lo! Ele me pagaria caro! Ainda mais caro do que gastou comigo! Funcionários pegaram nossas compras e guardaram na porta malas do carro.

Entramos no carro, silenciosos. Edward ainda sorria como se tivesse ganhado o jogo. Eu me controlei, não perderia a calma por tão pouco. Eu iria rir por ultimo.

–E agora vamos ao SPA. Eu não tinha a intenção de freqüentar o SPA, mas eu terei um dia de beleza só para lhe fazer companhia. –Falou num tom que soava debochado.

–Escute aqui Edward só por que eu aceitei dinheiro não significa que aceitei ficar de papo. Só irei representar o papel de boa esposa quando for o momento. –Falei entredentes. Minhas palavras o deixaram visivelmente aborrecido.

–Então tudo bem. Mas terá de representar bem afinal eu posso exigir reembolso se você não agir como eu quero. –Suas palavras provocaram arrepios em minha pele.

–Claro afinal de contas você está pagando. De que outra forma eu o trataria bem? –Disse. Edward deu atenção à estrada, amuado.

Fomos a um SPA ainda mais luxuoso que a boutique onde compramos as nossas roupas. Eu não abaixei a cabeça, mesmo com a opulência daquele lugar. Eu não deixaria ninguém me diminuir, Edward já havia feito isso até demais. Os funcionários foram bem simpáticos e consegui deixar o meu mau humor de lado. Edward estava em algum lugar do SPA, mas como a ala para mulheres ficava em um local diferente da ala de homens eu não o vi, felizmente! Não sei por quantas cosias fui submetida, quantas massagens, depilação, sessões de alguma coisa com pedras... É impressionante como gente rica gasta fortunas com coisas banais! Uma boa maquiagem e uma mudança no cabelo bastariam. Ainda sim aceitei a tudo, o pacote completo, só para que Edward gastasse ainda mais comigo. E, além disso, eu queria estar perfeita, com as roupas e jóias que eu escolhi e que Edward não viu até o momento. Eu queria que ele babasse ainda mais por mim.

Eu sei, eu não deveria agir como se eu me importasse com a opinião dele, mas eu sentia. Eu estava agindo com impulsividade assim como o Edward. Estremeci ao pensar no que aquilo poderia nos levar, toda aquela tensão, aquele ódio...

–Agora iremos para o almoço. Deseja almoçar ao lado de seu marido, senhora Cullen? –A funcionaria perguntou enquanto eu vestia um roupão.

–Não, quero comer sozinha. –Disse com os olhos fixos no chão.

–Tudo bem. Vamos senhora Cullen. –A funcionaria disse. Eu a segui; já sentia a tensão pelo evento estar próximo. Eu sentia em meu intimo que algo iria mudar.

“Que venha o evento! Edward vai sentir todo o meu veneno!”.

...

Eu não me reconhecia. Eu estava diferente, tão diferente! Não só fisicamente, mas o rosto com expressão sisuda não parecia meu. Eu trajava um vestido tomara-que-caia vermelho sangue que se abria em camadas de minha cintura até os meus pés. Os saltos agulha pretos deixavam-me mais alta, mas poderosa. Meu cabelo estava preso em um elaborado coque, uma jóia de diamantes e rubis o prendia, e estas mesmas pedras faziam parte de meus brincos. A maquiagem era forte para realçar meu rosto.

Edward me esperava na sala. Eu havia chegado antes dele, vim de taxi para casa. Ele não havia me visto, nem eu a ele. Só de pirraça eu demorei mais tempo do que o necessário desafiando Edward a entrar em meu quarto e dizer que nós estávamos atrasados, mas ele não o fez.

–Agora é a hora. –Murmurei em frente ao grande espelho do meu closet. Peguei minha bolsa de mão preta (outro acessório que comprei) e sai para a sala onde Edward me esperava.

Ele estava em pé, olhando para a paisagem que a sacada oferecia.

–Estou pronta. Vamos logo para acabar com essa palhaçada. –Disse ríspida. Edward virou-se e me encarou. Eu estaquei. Ele estava lindo trajando um smoke clássico, a gravata vermelha combinando com meu vestido. Procurei me recompor. Então notei que Edward me olhava abismado.

–Então vai ficar me encarando como um idiota ou vai se mexer? –Falei com aspereza enquanto seguia para a porta. Edward logo se postou ao meu lado, tinha aquele sorriso de quem está vencendo.

“Vamos ver se você terá este sorriso no final da noite seu idiota!” –Pensei. Seguimos para o estacionamento, calados. Edward me olhava o tempo todo, eu notei pela minha visão periférica. Procurei me manter tranqüila, mas sentia borboletas no estômago. Minha intuição gritava para que eu não fosse. Edward abriu a porta do carro para mim, um cavalheirismo tão falso que me enojava. Eu entrei e afivelei o cinto, mantive a expressão amuada. Edward parecia se divertir perversamente com o meu comportamento. Ele só decidiu falar quando o carro saiu do estacionamento do condomínio e ganhou a avenida principal.

–Trouxe algo para você usar.

–Já estou com acessórios demais Cullen. –Disse friamente. Ouvi sua risada.

–Mas se você vai cumprir o papel de esposa terá de usá-la. Tome. –Edward disse. Virei-me e o vi estender um aro dourado. Estaquei surpresa. Era a minha aliança! Como Edward a recuperou? Lembro de tê-la jogado no chão do meu quarto. Eu a peguei das mãos de Edward bruscamente e a deixei em meu colo. Voltei a olhar para fora do carro através da minha janela.

–Não vai colocá-la? –Edward perguntou.

–Coloco quando estivermos na porta do local onde vai ocorrer o evento. –Disse numa voz entediada. Senti o carro seguir para o meio-fio, Edward estava estacionando.

–Por que está parando? –Perguntei sobressaltada. Edward não disse nada, virou-se para mim e pegou a aliança do meu colo. –O que está fazendo? –Perguntei enquanto Edward pegava minha mão e colocava bem lentamente a aliança em seu antigo lugar. Sua ação despreocupada fez meu coração bater erraticamente. Lembrei-me do dia do casamento quando Edward fez esse gesto. Edward ao colocar a aliança pareceu ficar perdido em pensamentos por alguns instantes, rapidamente se recobrou e voltou a dirigir o carro. Procurei não mostrar o quanto um simples ato me afetou.

–Quanto tempo nós ficaremos no evento? –Perguntei na tentativa de não me lembrar de coisas do passado.

–Até eu receber um prêmio, ai nós saímos.

–Vai ganhar um prêmio? De que? –Perguntei.

–Sei lá, eu não dei atenção quando li o convite.

–Você nunca dá atenção em nada. –Murmurei arrependendo-me quase que instantaneamente de minhas palavras.

–O prêmio não merece atenção, mas há alguém que merece. Quer saber quem é essa pessoa, Bella?

–Não. –Murmurei com meus olhos fixos na janela.

–Mas eu vou dizer mesmo assim. A única pessoa que terá minha atenção neste evento é você Bella. E a propósito você está encantadora! –Edward falou enquanto o carro entrava em uma propriedade luxuosa. Eu me virei um pouco o olhando mortiferamente e mandei o dedo do meio para ele. Edward, ao invés de ficar irritado comigo, gargalhou com vontade. Continuou rindo como uma mula com pulgas enquanto estacionava o carro em frente ao prédio do evento. Dois funcionários abriram nossas portas e um tomou a direção para guardar o carro no estacionamento.

Quando desci do carro e fiquei de frente para as escadarias, eu sabia que teria de fazer um papel. Eu estava sendo paga para bancar a esposa amorosa e eu faria esse papel. Edward postou-se ao meu lado.

–Comporte-se mocinha. –Ele disse num tom zombeteiro.

–Claro senhor Cullen. A partir do momento em que eu passar por esta porta eu vou bancar a sua esposa. –Falei ríspida. Edward pegou a minha mão e a segurou. Procurei ignorar as reações que meu corpo tinha por aquele simples contato.

Quando nós passamos pela recepção do salão de festas eu me transformei. De mulher amuada eu passei para esposa sorridente. Eu andava ereta, um sorriso no rosto e procurava olhar para Edward com amor... QUE NOJO!

Fomos recebidos por um casal, um casal aparentemente esnobe.

–Ah senhor Cullen! Finalmente! Estávamos a sua espera. –O homem gordo e calvo disse enquanto cumprimentava Edward.

–Tive alguns contratempos. Richard, eu quero apresentar minha esposa. Isabella, este é o organizador do evento. –O tal Richard apressou-se em pegar a minha mão para beijá-la.

–Finalmente conheço a senhora Cullen. Agora sei por que Edward não a trazia para o evento, temendo que sua linda esposa seja alvo de cobiça. –Falou enquanto se afastava.

–Acredito que meu marido não me trouxe antes por que não queria que eu me entediasse com os bajuladores que o rodeiam neste evento como abutres em cima da carne, senhor Richard. –Disse sorridente. Senhor Richard me olhava atônico, Edward apertou minha mão.

–Ah, bem... Eu lhes guiarei até a sua mesa. –Richard disse. Edward me olhou com fúria, eu sorri docemente para ele, da forma mais falsa que consegui.

No meio do caminho todos que passavam por nós cumprimentavam Edward e Edward me apresentava todo cheio de si como sua esposa. Eu era super simpática, sorria e cumprimentava com uma cordialidade tão intensa que eu mais parecia apresentadora de programa infantil. Edward me observava atônico, como se estivesse diante de uma mulher completamente diferente. O que ele não sabia, parecia ignorar, é que aquela Bella tão gentil que eu interpretava já existiu. Após muitos cumprimentos eu me sentei em uma mesa próxima ao palco, Edward me acompanhou sentando ao meu lado.

–Nossa, eu não conhecia este seu lado tão simpático! –Ele falou, sentou-se ainda mais próximo de mim e colocou um braço por cima do seu ombro.

–O que está fazendo? –Perguntei bem baixinho. –Não deveria estar circulando por ai falando com as pessoas? –Perguntei entredentes.

–Está brincando! E perder a chance de ser tratado como seu marido pro você? Disso eu não abro mão! –Falou entre risos. Puxou-me para mais perto dele.

–Não abuse Cullen. Caso o contrário esqueço a merda do dinheiro. –Esbravejei baixinho. Rapidamente mudei para uma expressão risonha e cumprimentei a aqueles que vinham até nossa mesa parabenizar antecipadamente Edward. Ele, a fim de me irritar, aproveitou-se deste momento para me manter ainda mais próxima a ele. O contato com ele não estava me fazendo bem. Sua mão que envolvia minha cintura acariciava a mesma. Procurei me conter. Eu não queria ser tocada por ele!

–Senhor Cullen... –Uma voz nos chamou a atenção. Um rapaz bonito estava diante de nós. Ele tinha seus olhos fixos em mim. Senti Edward enrijecer ao meu lado. –Ah então esta é a sensação do evento. Sua esposa é adorável. –Disse e se aproximou do meu lado, tomou a minha mão e a beijou. –Sou Alec, tenho negócios com o seu marido.

–É um prazer conhecê-lo Alec. Meu marido não disse que tinha um conhecido tão... –Eu o olhei de cima a baixo com um falso olhar de cobiça. –... Garboso. –Completei.

–Não somos tão próximos. Edward tem uma maior proximidade com o meu pai. Estou aqui unicamente para representá-lo, já que meu pai não pôde estar aqui.

–Então Alec obrigado pro vir nos cumprimentar, agora se nos dá licença, temos muitas outras pessoas a cumprimentar. –Disse puxando-me pela mão. Alec nos olhou surpreso e um tanto constrangido com a forma como Edward o tratou.

–Hei, o que está fazendo? Você foi rude com aquele rapaz, sabia? –Murmurei. Edward continuou a caminhar sem rumo certo.

–Não ligo se fui rude! Como você disse são todos bajuladores que lucram com as minhas conquistas. Eu posso até mandá-los a merda e ainda sim me tratarão bem. –Falou todo cheio de si. Procurei não perder a cabeça, eu não poderia. Mas suas palavras... De alguma forma elas se encaixaram com nossa vida de casados. Quando eu o tratava tão cheio de amor, mesmo quando ele me desprezava. Eu queria empurrá-lo no meio da multidão e pisá-lo até sair sangue, mas na minha atual posição tudo o que eu poderia fazer era fingir ser a esposa mais afortunada do mundo.

Mais convidados

Mais cumprimentos

Mais sorrisos e elogios a Edward num tom tão falso que alguém certamente notou! Eu era uma perfeita dama, copiando as pessoas de classe com quem tive de conviver desde que passei a trabalhar na empresa de Edward. E pelo modo como as pessoas se comportavam diante de mim, era obvio que eu estava conseguindo a proeza de me misturar. Mas aquele não era meu mundo, aquele mundo de opulência e eu não queria fazer parte dele. Rezei para que o evento acabasse o quanto antes (a falsidade custaria um rosto dolorido de tanto sorrir).

Edward se manteve por perto, seu braço em minha cintura. Às vezes ousava se aproximar demais, ameaçando um contato mais intimo, mas parava quando via em meus olhos o ódio abrasador que me consumia. O que Edward não sabia era que o maior ódio era direcionado a mim. O meu corpo reagia até ao mais despreocupado toque de Edward...

–Sou Isabella Maria Swan. –Disse quando fui apresentada a um sócio da empresa. O homem tomou minha mão num ato respeitoso e a beijou.

–Cullen. Você se esqueceu de seu sobrenome de casada, meu amor. –Edward disse ao pé do meu ouvido. Seu hálito provocava cócegas (e náuseas) em mim. Eu queria empurrá-lo, mas meu ato poderia ser estranho aos olhos de outras pessoas. Então permiti que Edward enlaçasse minha cintura com um braço e constantemente falasse comigo ao pé do ouvido.

As horas se arrastavam...

E a farsa prosseguia

–E como jovem empreendedor deste ano nós presenteamos o senhor Edward Masen Cullen com este evento e com este prêmio em minhas mãos. –Richard falou segurando uma estatueta de cristal. Edward estava ao meu lado, afastou-se para subir no palanque e receber o prêmio. Uma salva de palmas para ele enquanto Edward aproximava-se do seu prêmio. Aproveitei aquele momento para escapar, encontrar um lugar onde eu pudesse descansar. Segui para uma mesa afastada da multidão e sentei em uma cadeira. Ignorando quem pudesse estar me observando, deitei a cabeça na mesa.

Eu queria ir embora, queria descansar e só acordar bem tarde. No outro dia teria que ir para o trabalho e, ao invés de estar descansando, eu fazia aquele papel ridículo! Por um lado foi proveitoso, eu havia ganhado um valor que não ganharia em anos de trabalho. Mas aquele dinheiro não tinha nenhum valor para mim. Não foi um dinheiro conquistado por isso eu não dava o devido valor a ele.

Podia ouvir a voz de Edward ecoando pelo amplo salão, ele devia estar fazendo um discurso pelo prêmio recebido. Procurei não ficar atenta a sua voz e ao que dizia, mas acabei captando nuances do que dizia. Pareceu que Edward disse o meu nome em seu discurso...

–Senhora Cullen? –Alguém me chamava. Por reflexo virei para a direção do som. Enxerguei Alec se aproximando. Sorria. –O que faz aqui? Não deveria estar em frente ao palco acompanhando o discurso do seu marido?

–Deveria, mas não estou lá e nem pretendo. –Falei friamente. Alec continuou a sorrir.

–Posso lhe fazer companhia? –Perguntou apontando para uma cadeira ao meu lado.

–Como quiser. –Disse. Alec apressou-se em tomar o lugar que a pouco indicara.

–Para que não sou o único a me sentir entediado neste ambiente. Não parece apreciar isto aqui. –Alec dizia enquanto olhava a multidão aglomerada.

–Não aprecio.

–Então por que decidiu vir neste após deixar de lado participação em eventos? Antes você não acompanhava seu marido, não é verdade? –Alec tinha os olhos cravados em mim. Dei de ombros.

–Edward me pagou para estar aqui. –Admiti. Alec riu. Não deve ter me levado a sério.

–Até eu pagaria por uma companhia como a sua! –Alec disse galanteando. Virou seu rosto em direção ao grupo de músicos que tocavam uma música ambiente.

–Sei que a probabilidade de você dizer não é grande, mas... Você me acompanharia em uma dança? Acho que deveríamos dar o devido valor à banda que está tocando belamente.

Olhei para Alec, ele não parecia estar brincando. Levantou-se e estendeu a mão para mim. Eu não gostava de dançar, sequer sabia. Minha última lembrança de uma dança foi quando valsei com Edward na festa de nosso casamento. Ainda sim...

–Claro. –Levantei-me e segurei a mão que Alec mantinha estendida. Seguimos para um local afastado da multidão, próximo a banda. Eu não queria dançar, fiquei tanto tempo em pé que para mim o melhor era permanecer sentada. No entanto eu queria dançar com o rapaz só para provocar Edward.

Alec pegou uma mão, a outra estava pousada em seu ombro, com um braço ele enlaçou minha cintura e me conduziu para uma valsa. Não precisei me esforçar, minha inexperiência não me atrapalhou na dança. Alec me conduziu muito bem na valsa.

–Dança bem, senhora Cullen. –Alec elogiou.

–Está blefando! Eu não danço bem! Você é que conduz bem. –Elogiei. Alec deu de ombros.

–É melhor ficarmos por aqui na troca de elogios. Caso o contrário passaremos o resto da noite assim. –Ele gracejou. Eu ri. Procurei me concentrar nos meus pés e na música que soava, a melodia era bonita.

–Não reconheço a música que está soando. –Comentei com Alec enquanto bailávamos pelo salão.

–Nem eu. Deve ser uma composição nova. –Alec fez uma pausa parecendo se concentrar em nossa dança. Notei que me puxou para mais perto. –Será que eu posso ter mais uma dança?

–Eu...

–Bella terá mais uma dança, mas será comigo, seu marido.

Virei-me e vi Edward próximo a nós dois olhando para Alec. Ele aparentava tranqüilidade, mas seus punhos estavam fechados com força. Estranhei.

–Senhor Cullen. –Alec afastou-se de mim. –Eu estava...

–Distraindo a minha mulher em meu lugar como pude perceber. Não há razão para fazê-lo mais Alec. Eu estou aqui e agora serei o centro das atenções de minha adorável esposa Bella. –Ele falou num tom malicioso. Antes que eu pudesse dizer algo, Edward tomou o lugar de Alec, mas ao contrário dele, fez questão que dançássemos colados um no outro.

Desnorteada eu o olhei tentando entender por que Edward estava agindo de forma tão possessiva. Não poderia ser um indicio de que sentia algo por mim. Devia ser apenas aquela sensação de alguém que possui algo e não quer que os outros tenham, Edward me tratava como um objeto.

Edward conseguia a proeza de colar ainda mais o seu corpo ao meu enquanto dançávamos para lá e para cá, suas mãos circundavam minha cintura de tal forma que a pressão fez doer meus músculos. Eu coloquei minhas mãos em seu ombro e fitei o nada, não queria encará-lo.

–Eu deveria descontar sua atitude do seu “salário”. –Ele sussurrou em meu ouvido. Estremeci.

–Que atitude? –Perguntei embora soubesse de antemão o que Edward diria. Edward voltou a colar seus lábios no meu ouvido na intenção de que eu ouvisse, mas também senti certa provocação em seu ato.

–Preciso mesmo relatar? Fiz um discurso apaixonado pelo recebimento daquele prêmio insignificante e esperei que minha amada esposa estivesse me observando, batesse palmas quando eu finalizasse o discurso. Ao invés disso você estava dançando com aquele babaca! –Edward disse entredentes. Seu hálito chocando-se contra a pele do meu pescoço causava arrepios.

–E daí? Não cometi nenhum pecado! Só estava dançando. Acho que tenho o direito de um pouco de diversão, não tenho?–Falei com aspereza. 

-E por que a sua diversão é apenas com os outros e não comigo? Tem idéia do quanto eu poderia entretê-la? –Senti seu lábios encostar em meu pescoço. Arfei.

–O que pensa que está fazendo? –Perguntei com a voz falha. Seus dedos delineavam minha coluna, as mãos descendo e subindo em uma caricia provocante.

–Estou aproveitando que a terei como minha esposa por uma noite. –Edward murmurou parando de dançar, beijando novamente meu pescoço enquanto suas mãos acariciavam minhas costas. Meus braços caíram dos ombros de Edward e os deixei ao léu. Edward afastou-se e soube de suas intenções quando encontrei o seu olhar. Inclinou seu rosto para frente na tentativa de me beijar. Mesmo desorientada com o que estava acontecendo, eu consegui afastá-lo empurrando seu corpo para longe de mim.

–Não posso beijá-la?-Perguntou confuso com minha atitude. Era muito cara de pau mesmo!

–Não faz parte do acordo! –Falei entredentes. Edward deu um meio sorriso.

–Disse que seria minha mulher por uma noite e esposas beijam seus maridos. –Justificou-se e novamente inclinou seu rosto em minha direção.

–Não vou beijar você. –Falei exasperada, mas controlando minha voz. Eu o afastei novamente e caminhei em direção ao banheiro feminino. Eu precisava respirar, precisava ficar afastada dele. Eu não gostava do modo como meu corpo reagia a ele, as suas provocações. Ouvi passos atrás de mim. Não precisava me virar para saber que Edward me seguia.

–Tudo bem, quanto você quer para que me beije? –Edward perguntou. Parei de andar no mesmo instante.

–Como é que é? –Perguntei. Eu devia estar com uma expressão de surpresa cômica, pois Edward reprimia um riso.

–Quanto você quer pelo beijo. Posso dar um cheque em branco se quiser. –Edward disse enquanto procurava seu talão de cheques. Quando o achou encostou-se na parede e o assinou, mas não chegou a colocar o valor. Era uma imprudência! Eu poderia retirar tudo o que ele tinha com aquele cheque. Ele o passou para mim com um sorriso matreiro no rosto. Eu fiquei parada, perplexa com o que ele estava fazendo.

Num ato no mínimo repugnante Edward dobrou o cheque, aproximou-se de mim colocando o cheque dobrado em meu decote.

–está pago. –Disse satisfeito. Enquanto eu continuava a encará-lo mortificada, Edward enlaçou-me pela cintura e fez com que eu caminhasse para trás até minhas costas encontrarem a parede. Ninguém havia nos notado, estávamos em uma parte em que nem mesmo a luz nos encontrava. Edward não perdeu tempo, ansioso como estava de me ter. Beijou-me com volúpia, de um jeito que até então nunca fui beijada por ele. Como se aquele fosse de fato o nosso primeiro beijo. Eu podia sentir em seus lábios, em suas mãos, a urgência em me tomar como sua posse.

Seu corpo prensou o meu enquanto continuava a me beijar. Uma parte de mim queria corresponder ao beijo, algo que me surpreendeu. Com tristeza percebi que a Bella patética de outrora ainda viva em mim. Eu poderia negar a ele e ao mundo, mas eu sabia, em meu íntimo, que ansiava sentir os lábios de Edward cobrindo os meus... Ainda sim eu não me movi para corresponder.

Por que embora aquele momento pudesse ser belo, só poderia ser belo aos olhos de outra pessoa. Eu sabia que Edward me tomava em seus braços e me beijava apenas para provar que ele sempre tinha o que queria. Ele não me amava; nunca me amou. Tudo isto era apenas um capricho dele como foi o nosso casamento.

Eu pude sentir as lágrimas caindo de meus olhos e escorrendo pelas bochechas. Edward parou finalmente se tocando que deu não correspondia ao beijo. Pude ver a surpresa em seus olhos quando viu que além de quieta eu chorava.

–Bella! –Edward arquejou. –O que houve? O que foi que eu... –Disse apressadamente.

–Como... Como se atreve? Como se atreve ame comparar com uma de suas prostitutas? Como se não bastasse tudo o que você... –Murmurei numa voz sôfrega. Edward afastou-se de imediato.

–Eu pensei que você... Que você queria. –Falou atordoado.

A raiva me tomou. Peguei o cheque que ele havia posto em meu decote e rasguei diante de seus olhos.

–A mim você não pode comprar nem hoje nem nunca! Você já me teve um dia, mas preferiu estranhos ao invés de mim. FIQUE COM SUAS PUTAS! FIQUE COM O EU MALDITO DINHEIRO! –Gritei jogando os restos de papel em sua cara. Não pensei duas vezes: sai em disparada do opulento salão. Alguns convidados me notaram, mas não liguei. Eu só queria sumir dali! Peguei minha bolsa que estava na mesa em que eu estava sentada antes de sumir em meio à multidão.

Não sei se Edward me seguiu; eu não me importei. Retirei os saltos apenas para correr com maior eficácia. Não demorou a eu estar diante da propriedade onde o evento ocorria. Algumas pessoas que passavam em frente à propriedade me olhavam. Eu devia estar com uma aparência horrível! Acenei para um taxi que logo parou. Eu entrei e tentei me recompor, mas parece que ao sair da rua é que eu realmente desabei. Deitei pesadamente no banco de trás.

–Moça, tudo bem? –O taxista perguntou alarmado.

–Siga, por favor. Tire-me daqui. –Pedi num fio de voz. Eu precisava de um lugar para me esconder do mundo. Não poderia ir para casa, mas ainda tinha meu antigo apartamento agora ocupado por Jessica. Peguei meu celular e liguei para Jess, ninguém atendeu.

–Moça, aonde quer ir? –O taxista perguntou.

–Estou providenciando o endereço agora. –Disse enquanto ligava para Angela. Para minha infelicidade ela havia saído com Ben, sem previsão da hora em que iria voltar.

Eu estava desolada! Eu precisava estar com alguém, conversar com alguém, desabafar com alguém. O triste era que tirando Jessica e Angela eu não tinha mais ninguém.

“Talvez Alice... Mas ela poderia dizer para Edward onde estou.”.

Foi naquele momento enquanto mexia no celular que vi o número de Jacob. Parecia loucura, mas só consegui pensar nele como melhor companhia. Não imaginei que Jacob atenderia, ele devia estar dentro de um avião. Para a minha surpresa Jacob atendeu.

–Alô? Bella?

–Jacob. Eu... Você está fora da cidade?

–Não, tive um problema com o vôo. Irei amanhã. Bella, alguma cosia errada?

–Eu... Eu sei que não tenho o direito de pedir isso, mas eu não tenho pra onde ir agora e eu não quero ficar só e... –Falei frenética.

–Acalme-se! Onde você está? –Ele perguntou num tom preocupado.

–Em um taxi. –Disse. Minha voz revelava claramente meu estado de espírito.

–Passe o telefone para o taxista. –Pediu. Eu o fiz sem hesitar. O motorista aceitou o celular desconfiado. Ouvi seus murmúrios e não demorou a passar o meu celular para mim. Voltei a colocá-lo no ouvido, Jacob ainda estava na linha.

–Bella, eu passei para ele o meu endereço. Você vem para a minha casa.

–Tudo bem. –Disse antes de desligar o celular. Talvez se estivesse com alguém que não estava diretamente ligado a merda que era a minha vida fosse benéfica de algum jeito. Jacob conseguiu arrancar sorrisos meus durante o filme, eu queria que ele

Eu fiquei deitada, quietinha, no banco do passageiro enquanto o taxista seguia para a casa de Jacob. Eu não queria ter uma crise ali. Eu me sentia suja não somente pelas atitudes de Edward, mas pelas coisas que senti enquanto ele me tocava. Como meu corpo pôde me trair daquele jeito? Como eu poderia ainda querer que ele me tocasse? O gosto dos lábios de Edward estava nos meus lábios.

–Moça, nós chegamos. – taxista anunciou. Apressadamente peguei um dinheiro, o único que tinha, e dei ao motorista. Sai trôpega, desorientada, enquanto assimilava as imagens ao meu redor. Eu estava em uma parte desconhecida da cidade, em frente um prédio não muito requintado como o de Edward, mas também não muito modesto como o meu.

–Bella? –Uma voz soou a alguns metros. Olhei para Jacob em frente ao seu prédio. Rapidamente veio ao meu encontro. Meu estado devia ser deplorável, pois a cada passo que Jacob dava vendo-me melhor seu rosto ficava com uma expressão mais e mais preocupada.

–Bella, o que houve com você? Andou chorando? –Perguntou tocando meu rosto com a ponta dos dedos. Eu abri a boca para falar, explicar tudo. Não disse nada. Eu não sabia o que dizer ou como dizer. E então eu fiquei parada, olhando para o chão. Por que eu tinha vindo até Jacob? Para que? Ele não poderia me ajudar, ninguém poderia.

–Venha, você vai congelar aqui sem nenhum casaco e descalça. –Disse passando um braço por cima do meu ombro. Jacob me conduziu para o interior de seu apartamento que ficava no décimo primeiro andar. Eu segui silenciosa. Eu já começava a me arrepender por estar ali, mas não poderia simplesmente virar as costas e ir embora agora que eu estava com Jacob!

–Eu não vou perguntar o que aconteceu por que tenho a impressão de que você não vai falar, ou se falar será por que se sente obrigada. Então você parece cansada. Tenho um quarto de hospedes. Pode ficar lá.

–Obrigada Jacob. –Murmurei enquanto saíamos do elevador. Olhei para os meus próprios pés descalços enquanto Jacob me conduzia ao seu apartamento.

–Lar doce lar! –Falou num tom brincalhão empurrando-me levemente para entrar em sua casa. –Quer comer alguma coisa? –Perguntou. Notei naquele momento que estava faminta, mas eu não iria incomodar mais do que já estava incomodando.

–Não. Eu estou apenas cansada. –Murmurei num fio de voz.

–Então vou levá-la ao seu quarto. –Falou. Pegou minha mão e saiu puxando-me em direção a um corredor. Olhei de relance seu apartamento e notei que era, sem dúvida alguma, organizado e limpo.

–Este quarto costuma ser usado pelas minhas irmãs quando vêem me visitar. Elas sempre esquecem coisas delas... –Jacob foi até uma cômoda. –Tem roupa para dormir, produtos de higiene pessoal, toalha... Acho bom você tomar um banho, vai ajudar a dormir.

–Obrigada Jacob. Sei que não tenho o direito de incomodá-lo, mas...

–Não está me incomodando, muito pelo contrário. Fico feliz que tenha vindo até mim em um momento de dificuldade como agora. –Silencio. Jacob voltou a falar. –Aquela porta é do banheiro deste quarto. Qualquer coisa eu estarei no meu quarto.

–Tudo bem e desculpe-me pelo incomodo. –Disse sem graça. Jacob sorriu e tocou meu rosto.

–Não se preocupe. Agora descanse. –Jacob virou-se para ir embora. Eu me joguei pesadamente na cama deixando minha bolsa e meus sapatos caírem de minhas mãos.

–Bella? –Jacob chamou. Fechei meus olhos.

–Sim?

–Só me responda uma coisa: Foi ele que magoou você? Seu marido? –Jacob perguntou. Escondi meu rosto no travesseiro querendo morrer. –Entendi. Então durma bem.

Ouvi o barulho da porta se fechar. Após alguns minutos deitada consegui me levantar. Retirei as jóias, roupas, toda a produção e fui para debaixo do chuveiro. Peguei no caminho uma toalha e uns produtos de higiene pessoal que Jacob disse pertencer as suas irmãs. O banho me ajudou um pouco, mas não o suficiente. Eu ainda sentia na pele o toque de Edward e estremeci.

“Não quero pensar nele! Não posso! Ele está apenas me usando e a culpa é minha! Eu permiti!”.

Eu não sei por quanto tempo fiquei embaixo do chuveiro, ou quanto tempo demorei a vestir uma roupa. Fiz a tudo mecanicamente. De fato eu estava muito cansada, pude sentir o cansaço me abater quando deitei novamente na cama. Estranhamente eu me sentia bem à vontade naquele lugar, como estar em meu antigo apartamento ou até mesmo no meu quarto na casa dos meus pais. Fechei os olhos e, após alguns instantes, acordei com o barulho do meu celular. A bolsa estava próxima. Peguei o celular sem a menor vontade e como imaginei era Edward. Tive vontade de atender e falar todos os palavrões que eu conhecia, mas não o fiz. Eu não fiz nada, de novo. Desliguei o celular e o joguei no chão.

A inconsciência não iria cicatrizar as feridas em meu coração, mas esperava que atenuasse a dor. Eu merecia um descanso.

“Vai ficar tudo bem. Eu já superei traumas piores. Vai ficar tudo bem.” –Entoei até adormecer.

...

–Eu posso ficar... –Jacob murmurou.

–Nem pensar Jake! Eu estou bem agora, sério! –Disse tentando tranqüilizá-lo. Jacob pegou a mala que estava próxima a ele.

–Então eu vou mais tranqüilo. Espero que fique bem e se precisar pode me ligar. Eu estarei de volta daqui a quatro dias. –Ele disse ajeitando a alça da mala no ombro. Eu assenti.

–Obrigada por tudo Jacob.

–Eu não fiz nada Bella.

–Você me ofereceu abrigo ontem. Você fez muito por mim. E também me deixou com as roupas de suas irmãs. –Disse olhando para mim. O vestido e os acessórios que usei estavam em uma sacola em minhas mãos. Eu usava jeans e uma camisa de flanela de uma das irmãs de Jacob. Mas não foram apenas as roupas que Jacob me deu, ele me deu muito mais e não sabia. Eu estava bem agora, não perfeita, mas melhor do que ontem. Consegui ter uma boa noite de sono apesar de tudo e tive uma manhã tranqüila falando sobre bobagens com Jacob enquanto tomava um café da manhã preparado por ele.

Jacob não fez mais nenhuma pergunta tirando aquela da noite anterior. Ele sentiu que eu não me sentiria bem em falar do assunto por isso nada falou.

–Faça boa viagem. –Disse. Jacob fitou-me por alguns instantes. Ergueu a mão e tocou meu rosto.

–Sabe, quando eu retornar dessa viagem de negócios... Poderíamos fazer algo, juntos. O que você acha Bella?

Sorri.

–Claro.

Jacob inclinou-se me beijando na testa. Foi o último do seu vôo a embarcar. Após isso eu segui meu rumo para tomar algumas decisões. Devolvi os pertences que Edward comprara para mim na butique conseguindo recuperar o dinheiro gasto. O único dinheiro que não poderia devolver era o que Edward gastou no SPA. Cheguei ao apartamento de Edward cedo, eu ainda tinha que trabalhar. Ouvi, antes de entrar, o barulho das empregadas trabalhando. Entrei sorrateiramente não querendo chamar atenção para mim. Consegui passar por todo o apartamento até chegar ao meu quarto. Quando abri a porta eu suspirei. Eu não iria conseguir escapar dele.

–E ai? –Disse enquanto entrava e ia diretamente para meu closet separar a roupa que iria usar. Felizmente já havia tomado banho, só precisava vestir outra coisa. Edward continuou calado sentado na minha cama. Quando terminei de me arrumar no interior do closet e sai para pegar minhas coisas e ir trabalhar, Edward se manifestou.

–Liguei para você. Você não me atendeu. –Edward disse tão baixo que quase não ouvi.

–Não queria atende-lo. –Falei pegando minha pasta. Virei-me para ir embora.

–Ouviu a mensagem de voz que eu enviei? –Ele perguntou. Eu dei de ombros.

–Não. –Disse com descaso. Abri a porta.

–Bella, eu quero conversar com você.

–Eu também. –Disse virando-me e pegando o pacote que trouxera comigo. Entreguei para ele. Edward me olhou confuso, tempo para pegar um cheque dele que estava em meu poder, o cheque que Edward me deu quando me pagou para ir de carro na empresa com ele. Amassei o cheque e joguei a bolinha amassada para Edward.

–Ai está o que gastou comigo, inclusive ontem naquela butique. De agora em diante não aceito nada de você. E ouça bem o que vou lhe falar: fique longe de mim! –Falei entredentes. Edward não disse nada, sequer se moveu. Seus lábios se mexeram como se quisesse dizer algo, mas esse algo ficou preso na garganta.

E eu segui para fora do apartamento sabendo que a partir daquele dia, mais uma vez, a guerra estava declarada.

Edward pov’s

Sorriso. Eu não conseguia desmanchar o meu sorriso pelo meu triunfo. Perdi dinheiro, sim, eu sabia. No entanto nada se comprava ao prazer de ter Bella ao meu lado, de saber que ela seria minha esposa por uma noite. Apenas para prolongar o momento dirigi devagar. Claro que Bella notou meu ato, mas provavelmente interpretou isso como provocação. Ela não sabia que eu só dirigia devagar, e a pagava para que me acompanhasse ao evento, por que eu queria estar com ela.

Bella não olhava para mim, mais atenta a paisagem oferecida pelo lado de sua janela do que o necessário. Estava com uma cara amuada, como se fosse incrivelmente desagradável estar comigo. Eu não poderia culpá-la por se sentir assim, mas também não ficava feliz com sua atitude.

“Vou tirar essa carranca de você esta noite, Isabella.” –Pensei enquanto estacionava em frente a boutique onde costumo comprar minhas roupas.

–Chegamos. –Anunciei despertando Bella. Ela olhou para fora e a ouvi arfar. Talvez a opulência daquele lugar a deixou surpresa. Tão logo Bella se recobrou e saiu do carro. Subitamente disse antes mesmo de adentrarmos o local:

–Lembre-se Cullen: todas as despesas serão pagas por você! –Disse e rapidamente passou a caminhar. Eu não consegui não sorrir, ela ficava linda irada. Bella não cumprimentou a ninguém que tão gentilmente a cumprimentava. Foi direto para a vendedora. Esta a olhou dos pés a cabeça avaliando-a, depreciando-a, posso apostar. Não gostei. 

–Bom dia senhora...

–Eu quero um kit completo para ir a um evento, exclusivo. Roupas, acessórios... E não me preocupo com dinheiro então pare de me olhar com indiferença como se eu fosse uma ladra! –Bella esbravejou. Ah, então eu não fui o único a notar a atitude da vendedora? Desde quando Bella era tão perceptiva? De qualquer forma fiquei aborrecido pela situação, mesmo que no passado eu a tenha depreciado.

–Ouviu minha esposa, não é? Ofereça a ela o melhor. –Falei num tom ríspido. Bella não olhou para mim.

“Pelo visto ela continuará carrancuda desse jeito para o meu lado.”.

–Sigam-me. –A vendedora disse rumando para o interior da butique. Bella a seguiu. Fiz o mesmo caminho querendo acompanhá-la, mas ao notar meu movimento ela parou, virou-se e me impediu.

–Eu não preciso de babá! –Falei ríspida. Antes que eu pudesse dizer algo, Bella desapareceu por entre os corredores do local.

–Saco. –Esbravejei seguindo para uma poltrona. Desejava ser mais participativo, ainda que em um único dia, da vida de Bella, mas estava difícil. Eu não sabia como proceder, como ganhar espaço em sua vida. Bella havia criado um muro em torno de si impenetrável, isso a mais de um mês. Não, eu estava equivocado. Não foi Bella que criou um muro intransponível em torno de si, fui eu que criei o muro em torno dela.

“Eu tenho que romper esse muro hoje, caso o contrário...”.

–Senhor Cullen? –Uma atendente me chamou, não era a mesma que estava com Bella. –Deseja algo? Uma bebida?

Refleti. Pensei. Respondi.

–Desejo algo para vestir também e... –Levantei-me. Cochichei para a funcionária. –Quero saber qual cor minha esposa escolherá para as suas vestimentas. Quero que façamos um par no evento em que participaremos.

Sorri. Bella ficaria enfurecida se fossemos combinando, posso apostar. 

...

Apesar do gasto exorbitante daquela manhã (as compras de Bella foram igualmente caras se comparado com o valor que eu estava desembolsando com a sua companhia), eu estava me sentindo bem. Bem por que eu previa que meus planos estavam seguindo seu curso e, com um pouco mais de habilidade de minha parte, poderiam possibilitar um entendimento entre Bella e eu. É claro que estar próximo a ela não era o suficiente, eu teria de encontrar o momento para dizer algo. Não poderia contar o porquê de meus atos no passado, mas poderia tentar apaziguar a situação e, quem sabe, ter Bella como minha esposa legitima. 

Eu queria ter Bella como minha esposa. Não era algo meramente carnal, eu sabia. Eu me contentaria com tão pouco dela! Um sorriso, um bom dia, qualquer coisa! Se esta não era uma prova de que eu a amava então eu desconhecia completamente o amor.

Seguimos para o carro, funcionários arrumaram nossas compras no porta-malas. Por alguns instantes o silencio imperou. Bella continuava raivosa, se dependesse dela para quebrar o silencio eu nunca mais ouviria o som da sua voz.

–E agora vamos ao SPA. Eu não tinha a intenção de freqüentar o SPA, mas eu terei um dia de beleza só para lhe fazer companhia. –Falei sem conseguir deixar de lado o deboche. Eu sabia que Bella reagiria mal ao saber que eu lhe faria companhia. 

–Escute aqui Edward só por que eu aceitei dinheiro não significa que aceitei ficar de papo. Só irei representar o papel de boa esposa quando for o momento. –Falou irritada. Aquilo me incomodou. Eu queria amainar as coisas entre nós antes do evento, mas parece que tudo só ficaria na tentativa.

–Então tudo bem. Mas terá de representar bem afinal eu posso exigir reembolso se você não agir como eu quero. –Disse ríspido movido pelo aborrecimento que me tomou com as palavras de Bella. O modo como ela me olhou, cheia de fúria, fez com que eu me arrependesse de minhas palavras.

–Claro afinal de contas você está pagando. De que outra forma eu o trataria bem?

Amuado, dei atenção ao trânsito. Por que ela não podia baixar a guarda um pouquinho?

...

O SPA. Infelizmente tive de me separar de Bella, a ala feminina ficava afastada da ala masculina. Por um lado era bom, eu tinha que planejar meu próximo passo. Não seria fácil dobrar Bella, pude sentir pela aspereza com que ela agia. No entanto eu não estava neste jogo para perder. Estava apostando todas as minhas fichas nesse momento em que, apesar de estarmos cercados por pessoas, seriamos somente Bella e eu.

Enquanto estou em uma sessão de massagem, meu celular toca. Estico um pouco meu braço e o pego. Suspiro ao ver o número no visor.

–O que você quer Tânia? Eu estou ocupado. –Despacho.

–Eu estou bem também, obrigada. –Ela fala num tom desdenhoso. –Você tem um evento hoje. Sabe disso.

–Eu sei, estou me arrumando para o tal evento. Era só isso?

–Edward, nós precisamos conversar.

–Tânia, não é o melhor momento.

–E QUANDO SERÁ? O QUE DEU EM VOCÊ? ESTÁ HÁ UM MÊS SEM...

–Tânia, eu vou desligar. –Fechei o celular e o desliguei para não ser incomodado. Claro que Tânia estava confusa e furiosa, há um mês eu não a tocava. Eu a tratava apenas como uma mera secretária. Desde que descobri que amava Bella, eu evito Tânia. Tânia estava a ponto de explodir e eu temia sua explosão. Por hora as bonificações que eu lhe dava a amordaçaram, porém Tânia era inconstante.

“Eu preciso ter cuidado com ela.” –Pensei.

–Posso ver a minha esposa? Já estou com saudades dela. –Disse enquanto a massagista afastava-se. Eu estava deitado em uma esteira coberto apenas por uma toalha branca. 

–Isso depende de sua esposa, senhor Cullen. Se ela desejar... Quer que perguntemos a ela? –A massagista disse enquanto suas mãos faziam seu trabalho em meu corpo. Fui relaxando sob o seu toque enquanto pensava no que deveria dizer. Agir como um homem sedutor era fácil, mas isso não iria funcionar com Bella. Eu precisaria dizer a ela, talvez falar o que eu sentia muito embora eu soubesse que não seria algo fácil.

...

Ser complacente com Bella estava sendo um verdadeiro exercício de paciência. Primeiro descubro, após o término de minha estadia no SPA, que Bella voltou sozinha para casa. Não cheguei a vê-la quando já estava na cobertura, ela havia se refugiado em seu quarto provavelmente terminando os últimos retoques em sua aparência. Aproveitei o momento para me trocar, vestir o smoke clássico que comprei na butique. Esperei por Bella na sala, mais e mais impaciente a cada minuto. Talvez Bella estivesse se atrasando só para me irritar, pensei. Eu não duvidava que fosse esse o caso, mas diante da expectativa que tinha de que as coisas se resolveriam ao meu favor, eu não liguei.

Eu sabia que a espera não seria vã e a certeza só se confirmou quando eu a vi. Caminhei até a extensa sacada vendo a imagem que me era oferecida. 

–Estou pronta. Vamos logo para acabar com essa palhaçada. –Disse num tom ríspido. Virei-me e a vi. A imagem me paralisou. Após descobrir meus sentimentos, não imaginei que teria uma visão de Bella ainda mais incrível do que eu já possuía. E lá estava eu embasbacado vendo Bella ainda mais magnífica do que em qualquer outro dia. Como eu não pude vê-la antes? Nenhuma mulher que conheci se equiparava a Bella. 

–Então vai ficar me encarando como um idiota ou vai se mexer? –Falou com aspereza seguindo para a porta. Seu mau humor não me afetou. Eu estava ansioso por que tudo estava ao meu favor. Eu podia sentir que iria vencer, apesar da resistência de Bella. Talvez a própria Bella já sentia isso. Embora tentasse se esconder através de uma mascara de indiferença, eu pude notar, enquanto a olhava, que ela estava nervosa. E seu nervosismo aumentava exponencialmente enquanto seguíamos para a garagem. Por alguns instantes o silencio entre nós prevaleceu. Não era algo ruim, eu precisava mesmo pensar em qual seria meu próximo passo. Lembrei-me então que a aliança de Bella estava comigo. Se ela iria cumprir o papel de esposa precisaria usá-la, mas a verdade é que eu só queria vê-la usando o acessório mais uma vez. Por que aquele anel, apesar de tudo, era a prova incontestável da nossa união.

–Trouxe algo para você usar. –Disse pegando o anel do bolso.

–Já estou com acessórios demais Cullen. –Disse agressiva. Não consegui conter uma risada.

–Mas se você vai cumprir o papel de esposa terá de usá-la. Tome. –Esperei que Bella me olhasse e quando ela o fez eu estendi a mão com a aliança na palma. Bella pareceu chocada ao ver o objeto. Eu entendia sua reação. Ela jogou o aro de ouro no chão do seu quarto crente de que o objeto pararia no lixo. Bella se recompôs e pegou com rapidez sua aliança colocando-a em seu colo. 

–Não vai colocá-la? –Perguntei.

–Coloco quando estivermos na porta do local onde vai ocorrer o evento. –Bella falou com descaso. Sempre agindo como se eu fosse um inseto. Isso me incomodou. Encostei o carro no meio fio. 

–Por que está parando? –Bella perguntou alterada. Virei-me para ela e peguei a aliança. –O que está fazendo?

Eu a ignorei enquanto colocava a aliança em seu dedo anular. O ato em si me perturbou. Lembrei-me do dia do nosso casamento. Bella chorava copiosamente por que o ato de pôr o anel tinha muito significado, mas para mim, na época, não tinha. Como eu pude estragar tudo?

Notei então que Bella me observava. Afastei-me e voltei à direção.

–Quanto tempo nós ficaremos no evento? –Bella perguntou. Fiquei surpreso. Achei que ela me ignoraria. 

–Até eu receber um prêmio, ai nós saímos.

–Vai ganhar um prêmio? De que? –Perguntou com genuíno interesse.

–Sei lá, eu não dei atenção quando li o convite. –Fui sincero. Eu nunca liguei para isso, mas tive a impressão de que ligaria um pouco mais devido a presença de Bella.

–Você nunca dá atenção em nada. –Falou amuada. Estaquei. Por que para mim suas palavras tinham duplo sentido, quase uma indireta? Bom já que a intenção de arrastá-la para o evento era de seduzi-la, eu poderia começar desde agora.

–O prêmio não merece atenção, mas há alguém que merece. Quer saber quem é essa pessoa, Bella? –Perguntei numa voz arrulhada.

–Não. –Murmurou olhando para o outro lado.

–Mas eu vou dizer mesmo assim. A única pessoa que terá minha atenção neste evento é você Bella. E a propósito você está encantadora! –Disse ignorando o fato de que já estávamos no local do evento e olhando fixamente para Bella. E ela estava linda, como uma deusa grega em Terra. Eu me sentia, mesmo distante fisicamente dela como eu estava, como um adolescente excitado. Bella, ao ouvir o que eu disse, olhou raivosa para mim mandando o dedo do meio. Não resisti e gargalhei. Estacionei em frente ao prédio, dois funcionários vieram nos auxiliar.

Vi que Bella estava diante das escadas, parecendo temerosa até de subir os degraus. Hesitava. 

–Comporte-se mocinha. –Falei ao ficar ao seu lado.

–Claro senhor Cullen. A partir do momento em que eu passar por esta porta eu vou bancar a sua esposa. –Disse num tom áspero. Peguei sua mão sem hesitar, apreciando a macies da mesma. O contato despreocupado com sua pele acendeu-me. Já fazia algum tempo que eu não me aproximava demais de uma mulher. Caminhamos lentamente para a entrada do evento. Fiquei atento a Bella vendo sua expressão facial antes dura mudar abruptamente para um rosto tranqüilo, quase risonho.

Antes que eu pudesse fazer algo, dizer algo, os anfitriões do evento vieram ao meu encontro. 

-Ah senhor Cullen! Finalmente! Estávamos a sua espera. –Richard nos cumprimentou com entusiasmo.

–Tive alguns contratempos. Richard, eu quero apresentar minha esposa. Isabella, este é o organizador do evento. –Enquanto falava Richard pegou a mão de Bella e a cumprimentou com um beijo na costa da mão. Seus olhos brilhavam. Lembrei-me que, após meu casamento, quando ia a eventos, sempre perguntavam onde estava minha esposa. Acho que nunca entenderam por que eu não levava Bella aos eventos empresariais. Era difícil de admitir, mas naquela época eu não só não queria a companhia de Bella como também tinha vergonha dela, pela sua origem humilde.

–Finalmente conheço a senhora Cullen. Agora sei por que Edward não a trazia para o evento, temendo que sua linda esposa seja alvo de cobiça. –Não gostei do que disse, eu não havia pensado na possibilidade de minha mulher ser alvo de gaviões. E eu bem sabia que o que não faltava naquele evento eram filhos, representantes de seus pais, loucos por uma aventurazinha enquanto tinham de participar de um evento tão chato. Bom agora é tarde, eu não poderia pega-la pelo braço e arrastá-la para fora.

–Acredito que meu marido não me trouxe antes por que não queria que eu me entediasse com os bajuladores que o rodeiam neste evento como abutres em cima da carne, senhor Richard. –Bella soltou sem mais nem menos estas palavras. Estaquei. Apertei sua mão em um aviso para que retirasse o que dissesse, mas Bella me ignorou.

–Ah, bem... Eu lhes guiarei até a sua mesa. –Richard disse. Eu a olhei com fúria. Eu a havia pagado, Bella não deveria agir como uma pessoa amarga, não naquela noite. Ela sorria agindo como a esposinha perfeita, mas sua felicidade era tão forçada que soava falsa. Bom... Eu não poderia cobrar muito dela.

Fui cumprimentado por todos como de costume e apresentei Bella como minha esposa. Todos foram muito cordiais com ela, mas vi em seus olhos o espanto com a presença de Bella. Sabiam que eu era casado, mas nunca, até então, a viram. Bella era impecável, ainda mais perfeita que a melhor das anfitriãs. Eu tinha me acostumado a Bella ríspida e carrancuda, tanto que estava surpreso com essa nova persona dela. E ela estava tão encantadora! Ah como eu queria manter aquele lado dela!

Sentamos em uma mesa próxima ao palco. Eu sei que deveria ficar calado, mas diante da diferença de Bella antes e Bella após a proposta eu tinha que comentar a situação.

–Nossa, eu não conhecia este seu lado tão simpático! –Falei me aproximando mais dela, coloquei meu braço em seu ombro. O simples toque em sua pene me causava arrepios. 

–O que está fazendo? –Perguntou. –Não deveria estar circulando por ai falando com as pessoas? –E então notei que estava incomodada com minha aproximação.

–Está brincando! E perder a chance de ser tratado como seu marido pro você? Disso eu não abro mão! –Falei enquanto a puxava mais para mim. O seu perfume, seu calor, me entorpecia.

–Não abuse Cullen. Caso o contrário esqueço a merda do dinheiro. –Esbravejou. Um grupo veio nos cumprimentar. Bella desfez a carranca e era toda sorrisos. Isso me irritou. Aqueles sorrisos eram para os outros, eu os queria para mim. Só para mim. Procurei me aproveitar que ela estava no papel de boa esposa e acariciei sua cintura. Minha imaginação fluía pensando nas possibilidades daquela noite. Se Bella me desse um pouco de espaço eu poderia...

–Senhor Cullen... – A voz me chamou. Eu a reconheci de imediato. Alec, filhinho de papai conhecido pelas mulheres que conquistava. Nada bom.

–Ah então esta é a sensação do evento. Sua esposa é adorável. – Disse pegando a mão da minha esposa e a beijando. –Sou Alec, tenho negócios com o seu marido.

Eu tinha que me controlar afinal de contas o pai de Alec era um dos meus principais clientes. Ele não manteria seus negócios se eu aleijasse o seu filho.

–É um prazer conhecê-lo Alec. Meu marido não disse que tinha um conhecido tão... Garboso. –Bella disse olhando-o com malicia. Alec pareceu se envaidecer com seu ato. Eu fiquei ali sentado ao seu lado olhando tudo como uma pamonha.

–Não somos tão próximos. Edward tem uma maior proximidade com o meu pai. Estou aqui unicamente para representá-lo, já que meu pai não pôde estar aqui. –Alec ficou se justificando e blá blá blá, mais que viadinho!

–Então Alec obrigado pro vir nos cumprimentar, agora se nos dá licença, temos muitas outras pessoas a cumprimentar. –Disse enquanto levantava-me puxando Bella comigo. Pouco me importava se estava sendo grosso! Bella logo se manifestou.

–Hei, o que está fazendo? Você foi rude com aquele rapaz, sabia? –Falou. Continuei a caminhar.

–Não ligo se fui rude! Como você disse são todos bajuladores que lucram com as minhas conquistas. Eu posso até mandá-los a merda e ainda sim me tratarão bem. –Disse áspero. Se eu soubesse que olhares seriam voltados para Bella eu não teria pagado ela para me acompanhar naquele evento. Teria escolhido algo mais intimo. 

Bela continuou a agir como a esposa perfeita, mal me olhava. É, o evento não estava saindo como eu queria. Ao invés de me aproximar de Bella, tudo aquilo estava me afastando dela. Eu precisava fazer algo. Durante alguns minutos pensei no que fazer enquanto continuava a receber cumprimentos. Em um determinado momento notei que Bella se apresentava com seu nome de solteiro.

–Sou Isabella Maria Swan. –Disse.

–Cullen. Você se esqueceu de seu sobrenome de casada, meu amor. –Disse ao pé do seu ouvido. Eu estava fazendo muito isso naquela noite. Aproveitando para abraçá-la e falar coisas ao pé do seu ouvido.

E então...

–E como jovem empreendedor deste ano nós presenteamos o senhor Edward Masen Cullen com este evento e com este prêmio em minhas mãos.

Eu estava acostumado a receber prêmios pelo meu excelente desempenho na empresa, mas aquela noite era especial. Especial por que, ainda que forçada, eu era o centro das atenções de Bella. Subi no palco e peguei o premio ofertado por Richard. Eu me aproximei do local onde o microfone estava posicionado. Mesmo sabendo que receberia um premio, eu não havia preparado um discurso. Não precisava me preparar, bastava dizer obrigado e descer do palanque. Mas naquela noite eu diria algo mais.

–Costumo apenas agradecer a prêmios, mas esta noite, devido à presença de uma pessoa, eu falarei um pouco mais. Quero dedicar esse prêmio a uma... –Olhei envolta. Bella não estava próxima do palco. –Uma pessoa. Minha esposa, pela primeira vez, veio me acompanhar. Sinto-me maravilhado pela sua presença. Eu dedico esse prêmio a ela.

Claro que eu pretendia dizer mais coisas, no entanto Bella não estava por perto. Recebi palmas enquanto descia apressado do palco. Onde diabos ela estava?

Muitas pessoas vieram ao meu encontro me parabenizar. Eu os cumprimentei rapidamente enquanto meus olhos perscrutavam o salão. Apenas balbuciei um “obrigado” abrindo caminho entre os convidados. Finalmente a vi, mas o que vi não foi nada bom.

Bella com Alec dançando juntinhos. A música lenta soava embalando o casalzinho. Eu enterrei minhas unhas na palma. Comecei a me aproximar sorrateiramente a tempo de ouvir o filho de uma puta pedir para Bella mais uma dança. QUE PORRA É ESSA? ESSE VIADINHO NÃO SABE QUE ELA É MINHA MULHER?

–Bella terá mais uma dança, mas será comigo, seu marido. –Disse. Os dois me olharam. Eu olhava para Alec amaldiçoando-o a arder nas profundezas do inferno usando biquíni.

–Senhor Cullen. Eu estava... –Balbuciou desconcertado. Ele sabia pelo modo como eu o olhava que muito provavelmente eu cancelaria o contrato que tinha com o pai.

–Distraindo a minha mulher em meu lugar como pude perceber. Não há razão para fazê-lo mais Alec. Eu estou aqui e agora serei o centro das atenções de minha adorável esposa Bella. – Disse logo tomando posição e pegando o que era meu, ou seja, Bella. Ela ficou desnorteada enquanto eu a puxava ainda mais colado ao meu corpo. Balançamos para lá e para cá. Eu podia sentir o calor da pele de Bella, seu perfume, suas curvas sinuosas... E mesmo que estivéssemos tão próximos, não bastava pra mim. Bella se recompôs colocando suas mãos em meus ombros e fitando além de mim. Eu me aproximei e sussurrei em seu ouvido:

–Eu deveria descontar sua atitude do seu “salário”.

–Que atitude? –Perguntou. Eu me afastei um pouco para ouvi-la melhor, mas quando precisei falar voltei a me aproximar e assim falar ao pé do seu ouvido. Chegava a hora de provocar. Eu queria incitá-la, provocá-la, fazê-la reagir a mim. E eu queria que a sua reação nos levasse a algo bom, um passo no nosso relacionamento, ao desconhecido. 

-Preciso mesmo relatar? Fiz um discurso apaixonado pelo recebimento daquele prêmio insignificante e esperei que minha amada esposa estivesse me observando, batesse palmas quando eu finalizasse o discurso. Ao invés disso você estava dançando com aquele babaca! – Esbravejei. Meus lábios se aproximaram da curvatura de seu pescoço, hipnótica a sua pele alva.

–E daí? Não cometi nenhum pecado! Só estava dançando. Acho que tenho o direito de um pouco de diversão, não tenho?–Falou brava. Eu não a estava ouvindo direito. Eu queria sentir a sua pele na minha língua.

-E por que a sua diversão é apenas com os outros e não comigo? Tem idéia do quanto eu poderia entretê-la? –Beijei seu pescoço. Bella arquejou. Eu estava perdendo meu controle, mas era algo tão bom!

–O que pensa que está fazendo? –Perguntou confusa com meu ato. Eu nem ao menos conseguia raciocinar direito. Eu estava tão excitado com a proximidade, tão faminto por ela! Meus dedos delineavam a coluna acariciando seu corpo com o intuito de satisfazer a ambos: a ela e a mim.

–Estou aproveitando que a terei como minha esposa por uma noite. –Disse parando de dançar. Dançar era perda de tempo. Havia outras coisas que eu queria fazer. Há algum tempo eu não tinha uma mulher. Eu poderia ter qualquer uma, claro, mas nenhuma me atraia. Eu só queria a ela! Beijei seu pescoço enquanto a acariciava nas costas. Fiquei perdido no frenesi do momento e em um dado momento me afastei. Eu queria beijá-la, sentir aqueles lábios carnudos, tentadores. Inclinei-me em sua direção novamente hipnotizado por ela toda. Bella afastou-se e seu ato fez com que eu despertasse da letargia do desejo.

–Não posso beijá-la?-Perguntei confuso. 

–Não faz parte do acordo! –Falou raivosa. Sorri.

–Disse que seria minha mulher por uma noite e esposas beijam seus maridos. –Justifiquei-me e novamente me aproximei para beijá-la.

–Não vou beijar você. –Disse firme. Bella afastou-se de mim e caminhou para o banheiro feminino. Eu sabia, enquanto a via se afastar, que Bella estava criando distancia por que estava perturbada com minhas investidas.

“Um pouco mais de pressão e ela será totalmente minha!” –Pensei seguindo-a. Pensei no que havia feito para que Bella me aceitasse esta noite, eu ofereci dinheiro e ela aceitou. Por que ela se recusaria agora?

–Tudo bem, quanto você quer para que me beije? –Assim que terminei de falar, Bella parou.

–Como é que é? –Perguntou atarantada. Reprimi uma risada. Ela estava tão cômica! 

–Quanto você quer pelo beijo. Posso dar um cheque em branco se quiser. –Peguei meu cheque do bolso e uma caneta, assinei em branco. Ela poderia me falir, mas se eu a tivesse uma vez que fosse seria a burrice mais prazerosa que já cometi. Enquanto Bella estava atônica, ainda digerindo meus atos, dobrei o cheque e coloquei em seu decote. 

–está pago. –Disse e não perdi tempo. Eu não poderia perder tempo quando se tratava de Bella. Eu a queria de uma forma que beirava o irracional. Eu a teria naquela noite.

Enlacei seu corpo com meus braços e a encostei na parede. Ela não iria fugir. Eu sabia que não estávamos à vista de ninguém, mas se estivéssemos eu não ligava. Não perdi tempo, eu a queria tanto! Eu a beijei com fúria mostrando a ela todo o desejo que escondi em mim desde que passei a desejá-la. 

Era tão diferente! Nunca experimentei até então beijar alguém que eu amava. E amava os lábios que eu estava beijando. Os beijos que dei em Tânia, em prostitutas, em minhas namoradas, nenhuma se comparava aos lábios de Bella. Eu queria mais, beijá-la não iria aplacar o fogo em mim. Eu queria deitá-la, despi-la, beijá-la, lambe-la, entrar em Bella... Eu queria...

Algo estava errado. Após um tempo eu percebi que não estava sendo correspondido. Afastei-me e vi Bella com uma expressão assustada, olhos tomados por água. Bela chorava.

–Bella! O que houve? O que foi que eu...

–Como... Como se atreve? Como se atreve ame comparar com uma de suas prostitutas? Como se não bastasse tudo o que você... –Murmurou numa voz sôfrega. Sua atitude foi um choque elétrico no meu corpo. Eu me afastei percebendo a merda que havia feito.

–Eu pensei que você... Que você queria. –Menti. Talvez ela engolisse a justificativa, talvez não. Ela reagiu não da maneira que eu queria. Pegou o cheque e rasgou diante de mim.

–A mim você não pode comprar nem hoje nem nunca! Você já me teve um dia, mas preferiu estranhos ao invés de mim. FIQUE COM SUAS PUTAS! FIQUE COM O EU MALDITO DINHEIRO! –Gritou jogando o que restou do meu cheque em mim. Ela virou-se e saiu em disparada.

Por alguns bons minutos eu fiquei parado vendo o vulto de vestido vermelho desaparecer entre os convidados. Quando eu reagi, obrigando meus pés a se mexerem, já era tarde.

Mesmo saindo em disparada na tentativa de encontrar Bella, eu sabia que ela estava longe, de corpo e de alma. Eu havia acabado com todas as minhas chances de tê-la, eu sabia, eu sentia!

“QUE BOSTA! MALDIÇÃO!”.

...

Madrugada.

Cheguei em casa assim que Bella desapareceu. Liguei para ela. Nada.

“Se algo acontecer a ela...?” –Era difícil terminar de pensar. Eu não queria pensar na possibilidade de Bella fazer uma besteira pelo modo como eu a tratei.

Não tirei minhas vestes, eu tinha que estar pronto para o caso de sair. Meu celular em mãos discando inutilmente para Bella. Ela não me atenderia. O que eu poderia fazer para que Bella viesse para mim novamente? Para que me perdoasse? Eu teria que quebrar alguns bloqueios em mim.

–Eu amo você, meu bem. –Minha mãe disse ao meu pai e o beijou carinhosamente nos lábios. Ele acenou e saiu. Dizia que iria para uma reunião, mas na verdade seguia para a casa de sua amante. Minha mãe sabia. Após meu pai partir ela seguia para o quarto e chorava copiosamente.

Eu aprendi naquela época que amar alguém era sofrer

Fui para o quarto de Bella. Não cheguei a ligar as luzes. Sentei na cama de Bella e voltei a ligar. Caiu na caixa de mensagem. Respirei fundo e disse aquilo que talvez não conseguisse dizer pessoalmente:

–Bella, eu espero que você ouça o que eu vou dizer. Bella, eu fiz tantas besteiras, eu sei! Eu não sei dizer o porquê eu agi assim, eu só quero dizer que eu...

Era difícil dizer, mas eu precisava.

–... Se eu disser que, apesar de tudo, eu te amo você acreditaria em mim? Talvez não acreditasse, mas espero que acredite. Eu nunca fui tão verdadeiro.

Desliguei o celular rezando que ela ouvisse. Eu a queria de volta.

...

As empregadas faziam suas atividades na cozinha. Eu estava do mesmo jeito. Claro que estava cansado, precisando comer algo e de um banho, mas o fato de Bella ter passado a madrugada fora não me deixou relaxar. Eu olhava meu celular. Bella não ligou de volta. Onde ela estaria?Com quem? Ela estaria bem?

“Terei que sair para procurá-la.” –Decidi. A maçaneta da porta, naquele mesmo instante, tremulou. Ergui a cabeça e a vi. As roupas que usava eram diferentes, deviam ser de alguém mais robusta que ela. Centrada como estava, ela sequer me notou.

–E ai? –Disse rumando para o closet. Eu fiquei calado. Será que Bella tinha ouvido meu recado? Se tinha ouvido e estava agindo com tanta diferença então isso era um mal sinal. Bella se vestiu com trajes que denunciavam que ela iria trabalhar. Eu tinha que me manifestar.

–Liguei para você. Você não me atendeu. –Balbuciei. 

–Não queria atende-lo. –Disse grossa pegando suas coisas. 

–Ouviu a mensagem de voz que eu enviei? –Perguntei apreensivo.

–Não. –Disse indiferente. Projetou-se para sair.

–Bella, eu quero conversar com você. –Tomei coragem e disse. Era agora, eu teria que contar meus sentimentos mais abertamente.

–Eu também. –Falou. Aquilo me surpreendeu. Ela teria ouvido a mensagem, embora tenha negado? Pegou um pacote que trouxera com ela, acredito. Entregou para mim. Eu não entendi sua ação, fiquei observando enquanto ela se movia pegando algo do closet. Ela amassou o pedaços de papel e atirou em cima de mim.

–Ai está o que gastou comigo, inclusive ontem naquela butique. De agora em diante não aceito nada de você. E ouça bem o que vou lhe falar: fique longe de mim! –Falou entredentes. Eu fiquei sem ação por alguns instantes. Encontrei meus lábios e os abri querendo falar. Nada saiu. E ela se foi novamente.

Sentei na cama. Olhei dentro da sacola que ela me passou, dinheiro. Bella provavelmente devolveu meus presentes e pegou o dinheiro. Talvez até tivesse ouvido minha mensagem, mas Bella me odiava tanto que ignorou minha confissão. Assim como meu pai ignorou a confissão de amor de minha mãe, assim como eu fiz com ela logo no inicio do nosso casamento.

Deitei em sua cama com as mesmas vestes de ontem e suspirei.

Será que a situação poderia piorar?

Em meu intimo eu tinha a resposta...

Sim, iria piorar.






Continua...







6 comentários:

tete disse...

nossa acho que ja estar de bom tamanho esta revolta de bella ela tem que da uma chance para amor deles antes que seija tarde ela so se vinga estou anciosa para ver os dois juntos ja estou aflita cm tanta vigança mas estuo amnado beijos e uma otima noite para voce

LAV RIBEIRO disse...

acho que estou até com pena dele....mentira BEM FEITO ele fez ela sofrer muito

Cris Souza disse...

Ele ainda vai sofrer um bocado, mas vai estar colhendo o que plantou. Ela sofreu nuitas humilhaçoes dele. Ansiosa pelo proximo. Boa Noite!

isabela disse...

Toma Edward! Vai Bella, maltrata ele, ele merce provar exatamente o mesmo veneno que você provou! Mas não judia muito dele não tá? Só um pouquinho pode.

Laysa Leite disse...

Ele ta colendo oque plantou bem feito seu ingrato mas espero que eles se acertem logo

Cris Rossini disse...

Sei q em alguma hora ela vai o perdoar,mas q bom q até agora nada... Ele está sendo muito prepotente achando q a ia ganhar com cheques ou tentando a seduzir!!!
Acho q a crista dele ainda está grande,ainda não aprendeu a lição...

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