FANFIC - PASSADO DISTORCIDO - CAPÍTULO 45

Olá Amores!!! Hoje vamos curtir o 45° capítulo de "Passado Distorcido". Quer acompanhar a história desde o início?Clique aqui.


Um legado deixado em uma carta. Até onde Edward iria para vingar o sofrimento e a morte de Sebastian? Encontrar aquela mulher, Isabella, era o seu objetivo de vida e o destino a entrega de bandeja.

Porém, as verdades absolutas de Edward se rompem quando os caminhos da vida mostram quem é Isabella. E quem Sebastian foi. Afinal, o passado não é, exatamente, aquilo que sempre pareceu ser.


Autora : whatsername
Contato : kellydomingoss (skype)
Classificação : +18
Gêneros: Romance, Universo Alternativo, Hentai, Drama
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo




Capítulo 45 - Protection.




POV Bella



Eu deixei que o sol me aquecesse, o calor da manhã trouxe tudo o que eu buscava. Paz e conforto. Ainda era metade da manhã, imprecisamente, nove horas. A sacada da sala me trazia um enorme sentimento de desleixo. As poucas plantas estavam perto de morrer e o sol castigava-nas. Se Anthony fosse um bom garoto durante a tarde, eu traria o verde às folhas encolhidas.



O bebê calminho também aproveitava um pouquinho do sol. Anthony brincava com os próprios dedos curtos, não era uma brincadeira, estava mais próximo de ser um estudo minucioso. O boné verde não permitia que o sol lhe incomodasse e o macacão amarelo era a veste perfeita para o dia de verão.



“Cansou, amorzinho?” Perguntei baixinho, lembrando-me de que eu ficara muito tempo em silêncio.



Anthony colocou a língua para fora e aquilo era fofo pra caralho, era doce e engraçado. “Nós já tivemos o suficiente, não é?”



Preguiçosamente, voltei para o nosso quarto. Anthony não recusou minha oferta, ele pareceu feliz ao pegar meu peito. Aquela já era a segunda mamada da manhã, mas, Anthony estava longe de estar satisfeito.



“O que você quer fazer hoje, bebê? Nós já tomamos nosso banho de sol!” Perguntei-lhe com energia e entonação. A verdade era que Anthony e eu passávamos horas em um ócio tremendo.



Ele apenas mamou com mais vontade e eu sorri. “Então seu lema é comer e dormir, filhote?”



Talvez minhas palavras tenham deixado-o envergonhado, pois a sucção cessou e Anthony desfez o bico que ele usava para capturar meu peito. “Eu não estou te repreendendo, Anthony! Ainda é cedo para isso.”



Vendo que ele realmente estava cheio, aproveitei para trocá-lo. Anthony sempre me surpreendia; ora com cheiros absurdos, ora com jatos de xixi em minha direção. “O que você tem para a mamãe, amorzinho?”



Eu fiquei contente ao descobrir que era apenas xixi. Culpei-me até a morte pela pequena assadura na virilha dele, eu tinha plena consciência que elas incomodavam, então, não me importei em ser assustadoramente exagerada na quantidade de pomada.



Ergui Anthony, a ponto de ter a testa dele contra a minha. “Amo você, bebezinholimpo.”



Meu filho, em toda sua inteligência, me deu uma pequena e feliz careta, sim, as caretas de Anthony eram felizes e contagiantes. “Será que você deixa a mamãe comer? Prometo ser rápida.”



Sem qualquer tipo de consentimento, coloquei-o no moisés e dei passos apressados para a cozinha. Eu realmente estava feliz com minha organização, minha casa não parecia um chiqueiro e eu conseguia me alimentar com decência. Anthony e eu éramos uma ótima dupla.



Dei goles calmos no suco de melancia e mordidas pequenas nas torradas. Não era meu prato predileto, mas eu estava comendo qualquer coisa que fosse bom para jogar minha barriga estranha para fora de meu corpo. De qualquer modo, não estava muito ruim para quem tinha um filho de três semanas. Cada centavo investido nos cremes valera a pena, não existia uma mísera estria e a cinta, eu não podia negar, de fato ajudava a deixar tudo no lugar.



“Sua mãe ainda vai ficar linda, tá, Anthony?” Assegurei-lhe sem muita certeza.



Eu ri de minhas próprias palavras com a boca cheia de comida. Quando meu celular tocou em algum lugar da casa, eu tentei lembrar-me onde eu o encontraria. Minha última lembrança dizia que eu o encontraria perto da cama.



Eu não estava errada, o aparelho vibrava e quis saber qual era o nome que brilhava na tela. Atendi antes mesmo de descobrir. “Alô?”



“Bells? Sou eu, Carter!” Fui surpreendida por uma voz quente e forte. “Saudades de você.”



Delicadamente, me sentei na cama, com Anthony em meu colo. “Como está?”



Ouvi um ruído estranho, Carter, mesmo sem eu ver, era o retrato da presunção. “Estou ótimo, a gente precisa conversar assuntos do jornal.”



Foi a minha vez de soltar um ruído, aquele jornal já tinha sido abolido de qualquer pensamento meu, eu não me arrependia de ter saído de lá sem dar qualquer justificativa. “Não há muito que conversar, eu não vou protestar por nenhum direito que eu tenha.”



Carter soltou um bufar, meio incerto. “Você precisa assinar sua demissão.”



“Faço isso outro dia.” Coloquei com rapidez, querendo, de algum modo, encerrar a ligação.



“O último dia é hoje, Bells!” Ele falou por fim. “Tem como você está aqui dentro de quarenta minutos?”



Fora imperceptível, mas eu bufei cheia de resignação. Não havia como eu sair com Anthony, eu não estava certa sobre expô-lo à poluição e ao estresse das ruas de Nova Iorque. “Eu não posso, Anthony não vai gostar de tanta informação e barulho.”



“Bella, você tem que está aqui até o fim da manhã, deixe Anthony.” Ele falou sem pausar. Eu rolei meus olhos, tentando entender o que ele quis dizer com deixe Anthony.



Também não entendi o porquê de eu estar dando importância para aquela ordem, eu poderia comprar aquele jornal sem qualquer dificuldade. “Não tem problema, Carter. Quando der, eu vou.”



“Bella, não seja teimosa, ok? Eles precisam desta demissão assinada, sim? Esteja aqui o mais rápido possível.” A voz de Carter foi impassível, não me dando chances de negar.



Eu desliguei o celular, jogando-o sobre o colchão. “O que a mamãe faz, bebê?”



Olhei o relógio, já era mais de dez horas. Não existia a mínima vontade de sair de casa, ainda mais ficar longe de Anthony. Eu caminhei pelo quarto, atrás de uma saída. Era um fato, quando mais cedo eu resolvesse, mais cedo eu estaria de volta.



“Anthony, o que pensa sobre passar algum tempo com seu pai?” Minha voz saiu estranha, cheia de medo e insegurança.



Edward estaria dormindo, mas ele era a minha única opção. Todos estavam trabalhando e a possibilidade de Anthony ficar com um estranho não existia. Cabeça e coração já se arrependiam pela escolha. Tudo ainda estava estranho e Edward apenas tinha olhos e palavras para Anthony. Era como se ele tivesse desistido de tentar qualquer coisa. As palavras ditas ontem ainda não saíam de minha cabeça, a vergonha também não.



Em um átimo, eu me arrumei. Permiti-me vestido e salto, era o único jeito de eu estar apresentável para sair na rua. Anthony estava lindo e com as bochechas vermelhas, talvez por causa do sol de mais cedo, ele estava alimentando e eu não demoraria, então ponderei muito antes de ordenhar um pouco de meu leite em uma mamadeira.



“Bebê, por que a mamãe está fazendo isso? Você nunca mamou na mamadeira!” Perguntei a Thony, sorrindo e me sentindo idiota. “Prometo não demorar, filho, nem vai dar tempo para você sentir minha falta.”



Saquei a primeira bolsa que vi, por sorte, ela não brigava com meu vestido branco. Anthony ficou aninhado em meus braços. A mamadeira meio cheia estava em minha mão, o leite ainda estava quente.



Eu parei em frente ao apartamento de Edward, antes de bater na porta de madeira, respirei fundo, sugando todo o ar que eu podia, era fácil ver a insegurança exalando por meus poros. Dei uma olhada rápida em Thony, ele só tinha o sapatinho em um pé. Eu bufei, era uma verdade, recém nascidos perdiam os sapatos com uma facilidade imensa.



Minhas mãos deram três batidas calmas, eu balancei Anthony para mascarar a inquietação de ambos. Nunca uma porta me pareceu tão interessante, pois meus olhos não saiam dela. Quase sem eu perceber, a visão da porta de madeira deu espaço para um Edward cansado e surpreso.



“Bella?” A pergunta retórica deveria arrancar algumas risadas minhas, mas elas não vieram, aliás, nada veio. Eu só conseguia olhá-lo, não existia passado, nem tristeza. Apenas o pai de meu filho sem camisa e sorrindo divinamente para Thony.



POV Edward



Bella estava em um transe particular, os olhos corriam cada parte de meu corpo e, então, eu corei como nunca. “Espere, vou vestir uma camisa!”



“Uh, não!” Bella apressou-se, sem jeito e corada. “Eu te acordei, certo? Eu só preciso que fique um pouco com Anthony, só me restou você.”



Para o meu bem, decidi ignorar o fato de eu ser sempre a última opção na vida dela. Talvez fosse o sono interrompido, mas as palavras de Bella não faziam muito sentido para mim. Se o mundo não tivesse amanhecido ao contrário, Bella estava me dando um tempo com meu filho. Não acreditei, não era saudável criar esperanças.



“Ei, Thony!” Peguei a mãozinha de meu filho, ele era quentinho de um jeito gostoso. “Está melhor, garotinho? Sem aquela febre idiota?”



Bella sorriu para Anthony. “Ele está ótimo! Tem uma mamadeira com leite, tem também os remédios, mas eu não vou demorar, estarei de volta daqui uma hora.”



O discurso atropelado dela me fez acreditar que ela tinha algo sério para resolver, eu estava curioso sobre o que era, mas não existia como eu perguntar a ela. “Quer o meu carro? O seu ainda não funciona.”



Ganhei um par de olhos surpresos, Bella me estudou por um breve instante. “Não se preocupe comigo, tenho que ir, Carter deve estar me esperando.”



Foi como um certeiro chute nas bolas. Além de humilhar, falar merda, pensar que eu vou seqüestrar meu filho, Bella também estava disposta a me deixar cego de ciúmes. E ela era fodidamente boa com aquilo. “Oh, certo.” Eu falei baixo demais, pegando Anthony do colo dela.



Os braços de Bella não o soltaram, ela abriu um sorriso genuíno e ergueu Thony. Os pequeninos olhos dele não desviaram do olhar penetrante de Bella. “Vou sentir sua falta, amorzinho. Te amo, te amo.”



E, para me deixar bobo e feliz, ela o beijou no queixo. Um bicar de lábios, eles se estenderam até as bochechas gordas de nosso filho. O barulhinho me fazia sorrir. “Amo você, filhinho.”



Eu tinha consciência de meu sorriso débil, não fiz nada para escondê-lo. Bella colocou Anthony em meus braços, incerta sobre o que estava fazendo. “Eu realmente não vou demorar, Edward.”



“Demore o tempo que quiser.” Eu falei por fim, sentindo o ciúme e possessão tomar conta de minha voz sonolenta.



Não esperei vê-la entrando no elevador, fechei a porta, dando privacidade a Thony e a mim. “Filhote, a casa do pai está imunda, é possível que ácaros te comam vivo.”



Anthony apertou os dedinhos e os pequenos olhos piscaram lentamente. “Hoje eles estão mais para cinza, filho.”



Continuei observando-o, o macacão amarelo cobria-lhe até acima dos joelhos, expondo as perninhas, pedi para o que meu filho não tivesse dobrinhas, porque, se não, eu iria mordê-las como um demente. Sorri para o pé descalço, era tão pequeno que ainda sobraria espaço na palma de minha mão, era um pezinho gordo e achatado.



“Thony, você é tão bonito que me faz pensar que você só é filho de sua mãe, é impossível dizer quem é agradável aos meus olhos.” Sussurrei para ele, realmente em dúvida.



Bella roubou meus pensamentos, porque ela estava exuberante no vestido branco e eu tentava não pensar no fato de tê-la em um encontro com Carter. Sentei-me no sofá, apoiei a cabecinha de Thony em meu ombro, de modo que ele me olhava timidamente.



Eu sorri, incapaz de acreditar que ela criaturinha fofa era minha, eu sabia que ele mal me enxergava, mas era certo que ele sentia o que eu sentia. “Estou feliz por você está aqui, Thony.”



Em resposta, ele cerrou os olhinhos. “Já quer dormir, filhote? Ainda é cedo!”



Eu o ninei, calma e docemente. Anthony lutava contra o peso das pálpebras, mas o sono o venceu sem dificuldades. Ele também era uma graça enquanto dormia, meus dedos brincaram com os cabelos dele, tornado o penteado comportado feito por Bella em um ninho bagunçado.



O calor me fazia suar e ter um corpinho em meus braços não ajudava muito. Usando uma delicadeza que nunca imaginei ter, levantei-me do sofá com Anthony. Minha cama continuava desarrumada, coloquei Thony no centro do colchão. “Não role, bebezinho.”



Ele parecia sereno, averiguei-o mais uma vez, ser metódico não era muito ruim naquela situação. Anthony estava deitado de barriga para cima, as costuras da roupinha não o atrapalhavam. Ele estava seguro. E eu deixei o minúsculo boné verde ao lado dele.



Eu comecei ajuntando as roupas sujas, eram poucas, pois a maioria estava no apartamento de Bella. Encarei a máquina de lavar, existiam infinitos botões e eu apertei boa parte deles. Quando o barulho começou, eu dei uma tapa camarada no eletrodoméstico.



Pelo bem dos pulmões de Anthony, eu tirei o pó dos móveis, uma camada grossa de poeira os cobria. O cheiro de limpeza estava começando a tomar conta de minha casa, mas a cozinha ainda era deplorável. A coragem veio aos poucos, mas, quando vi, as louças já secavam sobre um pano puído.



Sem dúvidas, o quarto, hoje, era a melhor parte de minha casa. Anthony ainda dormia como um anjo, sem ter movido um centímetro. A respiração era irregular, mas normal para um garotinho da idade dele.



Anthony fez um beicinho involuntário, o que me fez sorrir abertamente, as costas de minhas mãos voaram para as bochechas dele. E a premissa pele de bebê era completamente fidedigna.



Sem medo de parecer um preguiçoso, deitei-me ao lado de Thony. A diferença de tamanho me assustava, perguntei-me como aquele garoto pequeno e loiro ficaria quando crescesse. O que iria querer para a vida dele. Minha mente criativa me deu um moleque magricelo, de cabelos de tom indefinido, com os olhos mais verdes que o mundo já viu.



“Bebê, a gente pode fazer tanta coisa junto! Quem sabe quando você for grandinho, sua mãe não me deixe fazer algumas viagens com você? Passar uns dias com seus avôs.” Minha voz saiu mais alta que o normal, diminui meu tom gradativamente, preservando o sono de Anthony.



“Deus, sua avó vai morrer se não te conhecer, as fotos já não a satisfazem.” Falei baixinho, lembrando-me de Esme e a vontade louca de pegar Anthony no colo.



Acarinhei-o nas mãozinhas. “Posso tirar fotos de você, filhote? Prometo não atrapalhar seu sono.”



Rolei para fora da cama, meu celular estava no bolso do jeans que eu usara para ir trabalhar, tateei a calça suja até encontrá-lo. Aquele celular não tinha todos os recursos que eu queria, mas, por hora, ele me daria boas fotos de Anthony.



Era engraçado, mas Anthony vivia fazendo pose. Os cliques foram seguidos, as fotos eram fofas. E, mesmo sabendo que as estragaria, eu decidi participar daquilo com meu filho. “Fique bonito, filhote. É a nossa primeira foto juntos.”



O resultado ficara bonito. Dois homens com sono, um, no entanto, não podia dormir, ele tinha que velar o sono do homenzinho. A foto seria, sem dúvidas, minha proteção de tela. Ali, eu também vi as horas. Bella estaria perto de chegar.



A fome chegou sem avisos, meu estômago contorceu e eu rumei para a cozinha. A geladeira me dava opções pouco saudáveis, mas eram as únicas que eu tinha. Eu comi sem culpa os nuggets com o resto de coca sem gás. Corri os olhos pelo celular novamente, Bella estava um minuto atrasada. Um minuto a mais com Carter.



Antes que eu tirasse os olhos da tela arranhada, uma nova mensagem foi registrada. Eu toquei a tela com uma preguiça exagerada.



Oi, filho! Como você está? Estou sem tempo para te ligar, meu neto já está melhor? E Bella? Conversaram?



Esme.



Se minha mãe estivesse falando ao telefone, ela já teria perdido o fôlego, pois os questionamentos eram como uma enxurrada. Eu escolhi quais teriam resposta.



Estou bem, mãe, com saudades de você e de meu pai. Anthony está saudável como um cavalo, tenho mais fotos, te mandarei daqui uns minutos.



Edward.



Falar de Bella não era uma opção, aquilo traria lamentação às palavras de minha mãe e, mesmo que eu decidisse externar qualquer coisa, não haveria muito para se dizer. Eu enviei as fotos recém tiradas de Anthony, de algum modo, eu estava ansioso para ter a resposta de Esme.



Há lágrimas em meus olhos, Edward! Seu filho é uma graça, é idêntico a você, não há como negar. Ele é lindo!



Esme.



Eu sorri para cada palavra escrita de forma doce, antes que ela me desse tempo para responder, outro texto saltou aos meus olhos.



Seu pai e eu estamos indo te visitar no sábado, tente conversar com Bella, eu preciso de dez minutos com Anthony, eu só preciso vê-lo.



Esme.



Era apenas de cortar o coração, as poucas linhas demonstravam o quão ansiosa minha mãe estava. Ela não estava pedindo muito, todavia, seria impossível.



A visita de vocês me alegrará! Vou conversar com Bella, mas, por favor, não seja otimista sobre isso. Negociar não está nos planos de Bella.



Edward.



Digitei tomando cuidado com a escolha de palavras, para que elas não machucassem muito minha mãe. A resposta veio antes do esperado.



Eu estou absolutamente otimista, Edward! Fique bem, te amamos.



Esme.



E aquela mensagem não poderia ser de nenhuma outra pessoa, só Esme para acreditar que tudo daria certo, porque, em mim, as esperanças já eram remotas e eu me contentava em ter meu filho perto de mim. E aquilo não significava deixar Carter tomar Bella tão facilmente.



O choro vindo do quarto findou minhas linhas erradas de pensamento. Meus passos foram ansiosos e apressados. O choramingar baixinho e cheio de manha preencheu meus ouvidos. Para muitos, poderia ser cansativo, mas o choro de Anthony estava longe de me incomodar.



“Já acordou, filhote?” Perguntei baixinho, não querendo assustá-lo. “Claro que acordou, né, bebê? Essa cama estranha, essa voz... Como dormir?”



O rostinho de Anthony era o retrato da confusão, ele estava completamente perdido. “Já está querendo a mamãe, filho? Acredite, eu também estou com saudades dela.”



Nem minha fala arrastada e entoada fez com que Thony acalmasse, peguei-o em meu colo, balançando-o, o que pareceu irritá-lo ainda mais. “O que há, bebezinho? Você adora ficar balançando!”



O choro birrento não tinha se transformado no choro de fome, mas, mesmo assim, ofereci a mamadeira a ele. Anthony recusou-a de pronto, quase fazendo careta. “Thony, você está limpo, sem fome e protegido, não tem porque ficar chorando.”



Não que Anthony fosse petulante, mas ele chorou com mais vontade ainda, mostrando-me a garganta dele. “Filhinho, o pai é novo com essa coisa de cuidar de você, seja paciente, sim?”



“Será que isso é só irritação? Está querendo desabafar, garotinho?” Perguntei-lhe sorrindo. “Então venha, cá!” Peguei-o e coloquei sobre meu peito descoberto. O rostinho quente e macio foi acalento para minha pele.



Anthony continuou com os choros seguidos, mas eu fazia círculos calmos nas costas dele, sem exercer pressão, mal tocando. “Você é muito novo para ficar estressado! Veja, eu fui acordado, minhas costas parecem um churrasco, sua mãe não quer ver minha cara, mas eu estou aqui, feliz e te acalmando.”



Eu realmente deixei que ele chorasse e não era por maldade. Continuei afagando-lhe as costas, meus dedos caminharam até a dobra da nuca dele, ali, meu toque correu cada centímetro de pele. Os cabelos loiros teimavam em ficar em minha mão.



“Está vendo, Thony? Já está ficando careca!” Falei quando o choro começou a cessar, tornando-se apenas resmungões. Eu sorri para o projeto de sorriso que ele fez.



A choradeira sem fundamento terminou dois minutos mais tarde, como prêmio, ninei-o delicadamente, dando passos curtos pelo quarto. Anthony enlaçou os dedos e me deu um biquinho singelo, com a pontinha da língua para fora.



Os olhinhos sem lágrimas piscaram com timidez. “Vergonha de quê?” Eu quis saber em minha melhor voz curiosa. “Não se preocupe, eu sei que é ruim ficar longe da mamãe.”



“A propósito, ela é tudo para você, não é, Thony? Você ainda vai descobri que ela é mais que incrível.” Assegurei-lhe em tom mais firme e, talvez, adulto. “Ela é linda, em todos os sentidos.”



Anthony deveria assentir, mas a hipotonicidade do pescoço não permitiu que ele o fizesse. “A mamãe te ama.” Eu disse baixo, mas a certeza estava em cada letra. “E o pai também.”



“Uh, a mamãe fala de mim para você, filhote?” Minha fala saiu mais curiosa que o devido. “Às vezes, acho que você nem sabe quem eu sou.”



A cada palavra minha, Anthony abria mais os olhinhos. Talvez fosse coisa de pai babão fazer aquilo, mas eu só conseguia entender o par de olhos cinza como um grande incentivo. Sentei-me na cama, encostado na cabeceira, com o rostinho de Anthony perto do meu.



“Edward Cullen, vinte e seis anos, podemos começar assim, filho?” A pergunta saiu divertida, meus lábios tocaram-no na testa, estralando um som engraçado.



Os pequenos olhos convergiram, Anthony reverteu o estrabismo um segundo mais tarde. “Sou míope, mas o consegui ser um bombeiro.”



Perguntei-me se Anthony herdara meus genes ruins, ele merecia uma vida mais saudável. Sem óculos. O pequeno bebezinho chupou o próprio lábio, demorando no ato. “Seus avôs são incríveis, seu avô vai te ensinar tanta coisa e sua avó vai passar o dia babando por você, você enfeitiça as pessoas, bebê.”



O coração e a alma ingênua de Anthony não deveriam ser bombardeados com informações sujas e tristes, mas ele deveria saber. Meus olhos cravaram nos olhos miúdos e atentos, era fácil imaginar os anjinhos voando e cantando ao redor de Anthony. “Filho, espero que quando você for grandinho, você entenda. O pai é um completo fodido e ele tinha um irmão.”



“Não se preocupe, ele não vai representar nada para você, não vai te fazer mal algum. Eu acho que ele é a única pessoa que odeio de verdade, ele machucou tanto a mamãe, Thony. Ele machucou Esme e Carlisle, ninguém pior que ele.” Quando minha voz embargou, eu decidi parar com aquilo.



“Perdão, filhote. Não queira deixar sua cabecinha ainda mais tumultuada.” Beijei-o na testa, novamente. “É muita coisa acontecendo, não é? Faça a mamãe entender que nós três devemos ficar juntos.”



Anthony me deu uma piscadela e um princípio de choro, o rostinho parecia cheio de inquietação. Curioso, eu dedilhei os traços delicados dele. Meus dedos brincaram com a orelha molinha, com o nariz pequenino. Hesitante, contornei os lábios vermelhos dele. Não suprimi minha surpresa ao senti-lo capturando a ponta de meu indicador, eu sorri quando ele, repentinamente, sugou meu dedo.



Minha risada foi quente. “Fome, Anthony?” Eu não queria iludi-lo, então tirei meu dedo da boca dele. “Sua mamãe linda nos deixou uma mamadeira, vou esquentá-la para você.”



Eu tinha dificuldades elementares com o fogão, mas encher uma panela com água não era tão complicado, o leite aqueceu-se rapidamente, não ponto de ferver, estava perto de morno. Não ousei experimentar.



A mamadeira sem graduação não me permitiu saber quanto de leite eu tinha para Anthony. O bebê esfomeado resmungou em meu colo, protestando pelo alimento. E então eu me lembrei que não sabia nada sobre como dar mamadeira a uma criança.



Ofereci-lhe o bico de borracha, mas Anthony não o pegou, fazendo um beicinho de desgosto. E, antes que eu fizesse mais uma tentativa, ele chorou. Chorou muito. De um jeito que me assustou, eu o olhei com espanto, querendo um argumento para o desespero dele.



“Certo, é sua primeira vez com a mamadeira, não é, filho?” Perguntei-lhe já sabendo a resposta. “Vamos com calma, eim? Eu sei que você prefere mil vezes o peito de sua mãe.”



Talvez fosse por causa da fome, mas Anthony, tímida e receosamente, sugou a mamadeira. Eu controlava a quantidade, evitando que ele se afogasse no leite. Thony não levou quinze minutos para beber todo o leite.



Meu sorriso saiu orgulhoso, eu o coloquei na vertical, facilitando o ato de arrotar. “Nem foi tão difícil, bebê.”



Com Anthony em meus braços, eu caminhei pela casa. O arroto baixíssimo não escapou aos meus ouvidos. Por hábito, olhei o relógio e comecei a me preocupar. Bella estava terrivelmente atrasada e já era quase hora do almoço. E, querendo ou não, a preocupação queimou em cada parte minha.



Preferi não deixar Anthony a par do sumiço de Bella. Eu sabia que ele logo dormiria novamente, então o meu balançar embalou-o até os olhinhos pesarem, mas, apesar da sonolência, Thony não dormia, como se alguma coisa estivesse o incomodando.



Um estralo silencioso rompeu em minha mente preguiçosa, mas era claro que Anthony queria fraldas limpas! Perguntei-me como eu deixara aquele ponto importante passar despercebido.



Deitei-o na cama, certificando-me de colocá-lo em cima de uma toalha. Os botões minúsculos não foram páreo para meus dedos. Eu os desabotoei com precisão, o corpinho branco e frágil pareceu surpreso com a nova temperatura.



Anthony era uma beleza, não tinha outra descrição. Eu o admirei antes de tirar a frauda e, quando eu o fiz, meu nariz torceu, literalmente.



Os intestinos daquele bebê funcionavam bem pra caralho, eu olhei para a sujeira com evidente nojo, de qualquer modo, eu sorri. “Você precisa de um banho, filhote!”



A realidade deu um tapa discreto em meu rosto. Em lugar nenhum daquela casa existiam fraldas, lenços umedecidos e, muito menos, uma banheira. Olhei para Thony sujo e incomodado com aquilo. “O pai vai dar um jeito, sim?”



Eu dancei os dedos sobre a tela de meu celular, procurando o telefone da farmácia. Quando a mulher de voz baixa me atendeu, eu agradeci internamente. “Bom dia?”



“Boa tarde, senhor. O que deseja?” A mesma voz baixa me inquiriu, eu tinha uma lista mental.



“Eu preciso de fraldas para recém nascido, lenços, hastes de algodão, sabonete, xampu, pomadas para assaduras e para cicatrização de circuncisão... Uh, vocês têm banheiras?” Eu perguntei de forma atropelada, a mulher deve ter rido de meu tom estrangulado. “Pode incluir uma lata de leite.”



“Não temos banheira, senhor. Prefere jasmim ou lavanda para os lenços?” Ela me perguntou metodicamente, ao fundo, os dedos batiam contra as teclas de um teclado.



Ponderei, eu sabia muito pouco sobre Anthony e sobre qualquer alergia que ela tinha. “Pode ser tudo sem cheiro, tentem serem rápidos com a entrega, sim?”



Eu informei meu endereço e a forma de pagamento e a mulher despediu-se de mim com educação. “Dentro de trinta minutos sua compra chegará, senhor.”



Encarei Thony por uma fração de tempo, ainda incerto sobre como dar um banho nele. Existia um pouco de medo e uma puta falta de experiência, aquilo seria muito mais drástico sem uma banheira.



Outro estralo assolou os confins de meu cérebro, eu lera alguma coisa sobre banhos em baldes e eu ainda tinha um balde na lavanderia. Sem pensar duas vezes, eu o peguei e levei-o inúmeras vezes. O recipiente ainda não parecia limpo, então não hesitei em ferver um pouco de água de jogar contra as paredes internas.



Batidas enérgicas soaram contra a porta da sala, não era como as batidinhas de Bella, logo supus que eram minhas compras. O adolescente parecia inquieto, as duas sacolas estavam cheias e as peguei rápido demais.



“Obrigado?” Eu também parecia hesitante frente à hesitação dele. “O troco fica com você.”



Um sorriso discreto desenhou-se no rosto dele. “Obrigado, senhor.”



Fechei a porta atrás de mim, sem girar a chave. Anthony permanecia quietinho sobre a toalha, os olhos pequeninos convergiam para a ponta do nariz dele. “Você adora ficar vesgo, não é, filhinho?”



Comecei organizando as coisas de Anthony sobre o gabinete do banheiro, as coisas de bebês disputavam lugar com as coisas de adulto. Depois, sentei-me no chão do banheiro, minha bunda molhou de um jeito miserável. “Está vendo o que o pai faz por você, Thony?”



A água morna encheu o balde até acima da metade. Delicadamente, imergi as perninhas de Anthony, ele não me deu nenhuma reação significativa. Eu sabia que eu deveria começar pelos cabelos dele, mas não me importei em fazer tudo ao contrário.



Anthony ia se entendendo aos poucos com a ambiente aquático. A água fora trocada incontáveis vezes, até ele estar completamente limpo, sem qualquer resto da sujeira nojenta dele. Tudo parecia certo com o pintinho, apenas uma cicatriz minúscula.



Quando ele projetou uma careta, retirei-o da água. Anthony era um bom garoto, pois secá-lo e passar as pomadas foi uma tarefa simples e sem choros. Era uma verdade, fraldas eram práticas, mas eram desengonçadas.



No fim, Anthony estava limpo e com cheirinho de bebê dele. Minhas mãos fizeram um penteado brega no cabelo loiro. “Filhote, seu macacão está sujo.”



O calor me incomodava de um jeito absurdo, eu não sabia se Anthony estava igualmente desconfortável. Ficar sem camisa estava perfeitamente bom para mim, mas a dúvida rondava sobre o bebezinho curioso estava lidando com aquela temperatura.



Peguei-o em meu colo, ainda enrolado em minha toalha. Revirei minhas poucas roupas, a camisa de malha e de mangas longas parecia boa para protegê-lo. Enrolei-o no tecido, sem deixar pontas soltas, no fim, ele parecia dentro de um casulo.



Anthony parecia gostar de minha cama, pois ele ficou quietinho e me deu tempo para preparar-lhe mais uma mamadeira. Eu li linha por linha, o modo de preparo era simples, não havia como eu fazer aquilo errado.



Eu guardei a lata em cima do balcão da cozinha, meu bocejo saiu exagerado, era notório que eu estava tonto de sono, era claro também que eu não me aguentaria sobre minhas pernas durante o plantão que começaria logo mais.



Sentei-me na cama e trouxe Anthony para mim. Nós já estávamos bons na mamadeira, ele mamou com preguiça, os olhinhos cinza eram indecisos. Viajavam para mim e, por vezes, para longe.



A segunda mamadeira da manhã esvaziou-se lentamente, após o tradicional arroto e um pouco de leite em meu ombro, coloquei Thony na cama, dando a ele um pouquinho de sossego.



“Quer um pouco de música, filho? Você ficava calminho quando sua mãe ouvia.” Falei, procurando as músicas de dormir que Bella gostava.



O cheiro de Anthony me inebriou de um jeito bom, era de bebê, mas tinha uma pontada de doçura. A música também me alcançou de um jeito aprazível, era baixíssimo, o som fazia meus olhos se fecharem lentamente. Quando eu olhei para Anthony, ele já dormia como um anjinho.



Eu sorri e bocejei, olhei as horas e constatei que o encontro de Bella estava demasiado bom. Eu não estava muito certo sobre por quanto tempo eu consegui focar no rostinho perfeito de Anthony. Em algum momento, cheiro nem som conseguiram me manter alerta.



POV Bella



Eu o odiava. Com todas as minhas forças. Indignada e com saudades de Anthony, entrei no primeiro taxi que apontou na avenida. O motorista sorriu para mim, o bigode não combinava com ele.



Agradeci os poderes do ar condicionado, eu tremia ligeiramente, mas não era por causa da nova temperatura, eu estava a ponto de queimar de raiva. Era certo que meu rosto estava vermelho, levei as costas de minha mão para minhas bochechas. O calor fluiu de pele para pele.



Meu único alento era saber que logo Anthony estaria em meu colo, meu sorriso foi sincero para a visão feita. Tentei, mas não consegui jogar para fora as palavras de Carter, nem mesmo a tentativa falha de me beijar.



Eu ainda me perguntava como eu fora capaz de acreditar em Carter, era óbvio que não existia demissão, apenas um sorriso cínico e uma proposta indecente. O homem de olhos azuis como piscina me ofertara uma vida a dois, sem Anthony. E não que eu fosse inclinada à violência, mas não me arrependi por marcar meus cinco dedos no rosto presunçoso.



“Santa merda!” O motorista soltou com exaspero, as mãos se chocaram contra a base do volante.



Senti meus olhos saltando, o homem me olhou pelo espelho e, depois, para a avenida. Eu segui o olhar e encontrei um congestionamento interminável. “Santa merda!”



Os motoristas já tinham desistido, alguns estavam encostados na lateral do carro, com o celular no ouvido. Outros, xingavam e gesticulavam. O homem de bigodes parecia consternado. “A gente não vai conseguir sair daqui.”



Não escondi minha resignação. A imagem de Anthony me aplacou. Já fazia mais de uma hora que eu o deixara com Edward, era fácil imaginá-lo chorando, com a fralda suja, morrendo de fome e cheio de assaduras.



“Abra a porta!” Eu pedi um tom mais alto que o normal. “Eu vou a pé.”



O homem também não escondeu a surpresa, ele sorriu com uma pitada de diversão. “Senhora, você vai morrer de tanto andar.”



Ele estava certo, eu levaria bons minutos para chegar em casa, mas, ainda assim, aquela era a única maneira. “Abra a porta!” Pedi novamente e entreguei a ele a quantia que marcava no velocímetro.



Eu bati a porta com força, se fosse no Volvo, Edward teria feito cara feia para mim. O sol foi o primeiro empecilho, meus olhos protestaram por causa de incidência de luz, mas eu caminhei. Caminhei como nunca fiz na vida.



Eventualmente, meu salto virava. A bolsa pesava em meu ombro e o suor fez sua primeira aparição, minha nuca umedeceu-se e meu cabelo embolou. Com certeza, as pessoas estavam me confundindo com uma louca, não me importei, eu estava bem perto de me tornar uma.



A sede foi a próxima reação desnecessária. Minha garganta raspava e eu apressei meus passos, a fim de chegar à casa de Edward e tomar copos e mais copos de água. Talvez fosse sensato ligar e avisá-lo sobre meu atraso, peguei meu celular com rapidez, a tela desligada me informou que ele estava sem bateria.



Palavrões feios saíram de minha boca, mas quando parei em frente ao edifício, já não existiam cansaço e pernas doloridas, todavia, a sede persistia. Encostei-me no canto de elevador, saboreando a sensação de sentir meus músculos relaxando. Antes que porta se abrisse, arrumei meu vestido e prendi meu cabelo em um coque mal feito.



Encarei a porta do apartamento de Edward, minhas mãos deram batidas precisas. Enquanto esperava, tentei não imaginar o quanto Anthony estava sofrendo. Se ele tivesse a capacidade da fala, com certeza já estaria praguejando e pedindo por comida.



Não hesitei em bater mais uma vez, porém com mais vigor. Bati meu salto contra o chão, pedi para que o barulho chamasse a atenção de Edward.



“Edward?” Chamei-o com a voz estrangulada, um resquício da atividade física inesperada. “Edward?”



Minha voz aumentava consideravelmente na medida em que o tempo passava e Edward não abria a porta. Eu conhecia aquilo, era o medo. A sensação de estar perdendo meu filho consumia cada fibra de meu ser. Eu confiara Anthony a Edward, ele não tinha o direito de me tirá-lo.



Mal senti as lágrimas escapulindo de meus olhos, o choro só não era copioso devido à falta de força, pois eu queria gritar. Também não senti meu corpo escorregando pela porta, eu me sentei ali, sobre um tapete velho de Edward.



Recobrei minhas faculdades mentais, não havia como Edward levar Anthony para longe, até onde eu sabia, ele não tinha talentos para falsificar documentos. E, intimamente, eu sabia que ele não faria aquilo.



Lentamente, ergui-me. Meus murros foram seguidos e nome de Edward saia de um jeito feroz por meus lábios. O choro deixava minha visão nublada, mas eu não estava perto de parar de chorar. “Edward, infernos, abra!”



Minha mão escorregou pela porta, parando na maçaneta. Impensadamente, girei-a. O pequeno estralo jogou meu choro para o longe. Eu não estava acreditando. A porta se abriu para mim, ela quase me deu boas vindas.



Tremendo, eu dei passagem a mim mesma. Não existia nenhum rastro de Anthony na sala, nem de Edward, entretanto, a pequena sala parecia menos desarrumada e tinha um pouco de cheiro de limpeza. A cozinha também estava limpa, os pratos já estavam secos e Edward se esquecera de guardá-los. Meus olhos saltaram ao ver uma lata de leite sobre o balcão, era uma mistura para recém nascidos e havia uma mamadeira vazia ao lado.



O coração que trepidava, pareceu bater fora de meu corpo. Meus olhos não saíram da porta da geladeira. A carta escrita por mim meses atrás estava centralizada, sem minha permissão, imagens daquela noite preencheram meus pensamentos. A felicidade palpável de Edward ao saber que eu estava grávida. O jeito que ele devotou minha barriga. Os beijos carinhosos. Ele prometendo cuidar de Anthony e de mim. Tudo me fez chorar e abrir um sorriso saudoso.



Bem ao lado carta, estava a transferência para Chicago. Ela expiraria dali poucos meses, eu não estava certa sobre o que Edward faria com ela. Minha foto com uma barriga enorme estava presa com um imã, Edward, ao meu lado, sorria como um anjo. Os lábios curvados até o limite e cheio de ruginhas perto dos olhos.



Passos grandes me levaram para frente do quarto de Edward, a porta estava apenas cerrada, eu a abri. O coração que já batia fora do corpo, começou a bater no céu, ou em qualquer lugar. Eu estava preparada para tudo, para um bebê sujo, com fome e irritado, menos para aquilo.



Eles dormiam. Um era o reflexo do outro. Dormiam como anjos. Anthony enrolado em um tecido não identificável. Edward teimava em não vestir uma camisa. Era completamente certo vê-los juntos.



Quase sem acreditar, caminhei para perto da cama. A primeira reação foi babar no rostinho de Anthony, o biquinho estava exponencialmente mais encantador. “Oi, amorzinho. Perdoe a mamãe, sim?”



O cheiro de bebê limpinho entrou calmamente em minhas narinas. Os cabelinhos de Thony estavam penteados de um jeito engraçado, eu desfiz o penteado, bagunçando-o. Mais de perto, vi que meu filho estava embrulhado em uma camisa de Edward. Anthony poderia ser facilmente confundido com um charutinho.



Minha lágrima caiu com demasiada lentidão, tocando a pele alva de Anthony, mas ele não acordou, eu sorri para o semblante calmo dele. A cena não podia ser adjetivada apenas como bonita, era mais. Em meio a tantas palavras, não consegui nenhuma que fizesse jus a simplicidade daqueles dois homens dormindo.



Não deu tempo para eu olhar Edward, meus sentidos estavam meios defeituosos e eu demorei a escutar a música que aprendi a gostar. Era a música de todas as noites de insônia, de quando Anthony não parava de me chutar. O volume era baixíssimo, fiz esforço para saber em qual trecho da música estávamos. Eu cantarolei ainda mais baixo.



Deixei que meu olhar migrasse para Edward, eu não perdi nenhum detalhe. Um filete de baba cobrindo-lhe o canto da boca e um pedaço do queixo; os cabelos caindo sobre a testa; a bochecha amassada. E a respiração padronizada, fazendo o peito subir e descer. Como uma garota atrevida e curiosa, levei meus dedos para as pequenas marcas, agora, amarelas, que cobriam a região abaixo dos olhos fechados. O toque na pele quente causou um sorriso repentino em mim, era reconfortante e íntimo.



Minha mão formigou para tocar cada pedaço de Edward, mas não o fiz. Sem atrapalhar o sono deles, abri distância da cama. Eu caminhei para o banheiro, a fim de tirar aquele rosto de choro de mim. Tudo parecia limpo, mas eu também não estava preparada para ver mil coisinhas de bebês junto das coisas de Edward. Tinha fraldas, sabonete, xampu... Até a pomada para o pintinho de Anthony! Eu sorri para o balde dentro do box.



Perguntei-me como tirar o sorriso de meu rosto, era tão claro o quanto Edward era louco por Anthony. Tudo gritava que ele era nada além de cuidadoso e protetor.



Eu voltei para os dois, existia um pedaço para mim naquela cama, mas preferi deixá-los quietos. O celular de Edward continuava a cantar a música de dormir, corri meu dedo na tela, ato que me revelou, literalmente. E lá estava eu, com Anthony nos braços, corando feito um tomate, o vestido azul não tampava muito de meus peitos. Era fácil lembrar-me das fotos. E, em mais um ato curioso e atrevido, toquei sobre os números da senha de Edward, nós não tínhamos o hábito de invadir o espaço do outro, mas a combinação nunca saiu de minha cabeça.



A pasta estava cheia de fotos, algumas, extremamente antigas, outras, recentes e mostrando minha barriga de oito meses. E existiam várias de Edward com Anthony, eram divertidas e bem tiradas. Era difícil dizer quem parecia mais feliz.



Anthony fez um barulhinho inaudível, roubando minha atenção. Ele estava perto de acordar. “Amorzinho, você cheira tão bem.”



Olhei as fotos novamente, parecia certo tirar uma de eles dormindo, mas não o fiz; em contra partida, continuei com o celular em minhas mãos, averiguando, agora, as mensagens.



Comecei pelo final. Assustei-me por só ter conversas entre Edward e o meu antigo número. Era textos engraçados, sobre coisas do cotidiano, ele me perguntando se precisava comprar frutas, ou se eu tinha tomado as vitaminas. Outras me levaram para o ápice da vergonha. Edward era bom em falar e escrever sujo.



Meus olhos saltaram para a única conversa do dia. Eram mensagens de Esme, eu as abri com medo, quase me arrependendo.



As palavras de Esme eram, por assim dizer, carinhosas e, talvez, tristes. A vontade de conhecer Anthony estava em cada linha. A conversa trouxe um par de lágrimas para os cantos de meus olhos, pois, era mais que evidente que Edward estava disposto a não tocar em meu nome, ele ignorara todas as tentativas de Esme.



Não estava me fazendo bem ler aquelas linhas, mas ainda existiam alguns textos; receosamente, abri-os.



Seu pai e eu estamos indo te visitar no sábado, tente conversar com Bella, eu preciso de dez minutos com Anthony, eu só preciso vê-lo.



Esme.



A mensagem era pura, assim como pedido. Um bolo estranho se formou em minha garganta, olhei para meu bebezinho, sem saber se eu queria que ele conhecesse os avôs. Anthony fez uma careta discreta, mas os olhos continuaram cerrados. O bolo incômodo na garganta logo se transformou em lágrimas. A cada lembrança, uma lágrima.



Meus dedos foram ágeis, eu abri a resposta escrita por Edward com certo desespero.



A visita de vocês me alegrará! Vou conversar com Bella, mas, por favor, não seja otimista sobre isso. Negociar não está nos planos de Bella.



Edward.



A umidade em meus olhos não permitiu que eu assimilasse tudo o que Edward escrevera, mas, quando eu o fiz, alguma coisa dentro de mim saltou de um jeito ruim. As últimas palavras de Edward eram doloridas e elas diziam exatamente em quem eu estava me transformando. E aquela não era eu. Eu não queria ser impassível, egoísta e mesquinha. As últimas semanas vieram como ondas violentas, jogando em minha cara o quão radical eu fora. As ondas também trouxeram lágrimas gordas para os meus olhos e levaram minha mão para a bochecha de Edward. Eu chorei de uma maneira sofrida e abafada, havia muito que ser dito, mas nada saia. Meus lábios tremiam e Edward murmurou alguma coisa. Assustada, eu dei um passo grande para trás.



Perguntei-me o que havia acontecido comigo, mas, antes que tivesse uma resposta plausível, Anthony nos deu um choro manhoso e alto, típico de quando ele acordava. Em um sobressalto, Edward também acordou, sem dar tempo para minha fuga. Minhas pernas idiotas também não colaboraram, pois eu fiquei estática, olhando-os.



Edward abriu um sorrisinho para Anthony, as mãos grandes acarinharam-no nas bochechas. Existia certa confusão no rosto dele. “Deus! Eu também dormi, filhote!”



Outro sorriso desenhou-se no rosto dele, Edward trouxe Anthony para o colo, balançando-o e, segundos mais tarde, o choro já tinha se encerrado. “A vida era mais fácil quando a mamãe brigava comigo por causa da geléia de framboesa.”



A fala confusa me causou um riso inesperado, tudo levava a crer que Edward sonhara comigo. Minha risada ecoou no quarto, trazendo os olhos de Edward para cima. Já não existia apenas confusão, o rosto era cheio de dúvida. Ele cerrou os olhos, tentando, assim, me ver.



“Bella?” Edward me perguntou em sua melhor voz de sono.



Encarei-o por uma minúscula fração de segundo, sem saber o que dizer, eu falei uma verdade. “Uh, eu preciso de um copo de água!”



Os olhos verdes se abriram, lentos e sonolentos. Edward pareceu ponderar, mas colocou Anthony sobre a cama e correu para o armário, ele puxou uma regata branca, velha demais. Depois, pegou o pequeno embrulho. “Natural ou gelada?”



Depois uma quantidade assustadora de tempo, entendi qual ponto ele discutia. “Natural.”



Edward passou em minha frente, eu o segui até a cozinha. A confusão dele poderia ser cortada com uma faca, ou ser aprisionada em minhas mãos. Eu lhe devia algumas respostas. “A porta estava aberta, perdão por ter entrado.”



Não tive nenhuma réplica, Edward estava compenetrado em encher o copo com água. “Eu não queria me atrasar, mas o trânsito estava caótico.”



O olhar dele viajou para o meu, surpreso e com uma pitada de satisfação. “Você nos preocupou.”



“Não era a intenção.” Falei antes de dar o primeiro gole na água. “Deu tudo certo com Anthony?”



Edward me deu um sorriso incrível, cheio de dentes, cheio de felicidade. “Nosso filho é tão tranqüilo! Você nunca tinha tentado a mamadeira com ele, certo? Nós já estamos craques, não é, Thony?”



“Eu dei um banho nele, o macacão estava sujo, então tive que embrulhá-lo em minhas roupas.” Edward me explicou em pausas, também bebendo água. “Eu realmente não queria ter dormido, mas, se eu não o fizesse, não conseguiria ir trabalhar mais tarde.”



“Certo, Edward!” Falei-lhe com a voz rápida. “Obrigado por ter ficado com ele, é melhor eu subir, Thony deve estar com fome.”



Edward, sem qualquer palavra, entregou-o a mim. Além do cheiro de bebê, Anthony estava cheio do cheiro de Edward, minha vontade foi afundar meu nariz na camisa de mangas.



“Bella?” Edward me chamou, eu o olhei com ansiedade, lutando para carregar a bolsa e Anthony.



“Obrigado por ter deixado Anthony comigo, foi ótimo passar esse tempo com ele, você não tem ideia.” A voz era apenas sincera e agradecida.



Eu pisquei duas vezes, uma tentativa falha de tirar o vermelho de meu rosto. “Certo.”



Edward me levou até a porta, o par de olhos verde estava em Anthony, mas era fácil ver uma hesitação tremenda, nem mesmo os cílios escuros e longos a encobria. “Bella?”



“Sim?” Fiz-me presente com a palavra solitária, Edward correu os dedos pelos cabelos dourados, ele parecia escolher as próximas palavras.



“Meus pais vão passar o sábado por aqui. Se você não permitir, eu vou entender, mas eu posso ter Thony por uns dez minutos? Esme e Carlisle querem conhecê-lo.” Edward falou com calma e incerteza, existia um pedido verdadeiro embutido no olhar dele. “Você nem vai vê-los, isso é sobre Anthony.”



Soltei meu ar aos poucos, triste e me sentindo culpada. Era tão fácil entender que Edward já esperava uma resposta negativa, ele só estava fazendo aquilo pela mãe dele. Meu filho era incrível demais, dez minutos nunca seria o suficiente para ninguém.



Alternei meus olhares entre Anthony e Edward. Na dúvida, procurei meu tom mais sincero. “Estaremos aqui, Edward.”



Ele não conseguiu disfarçar a surpresa, o rosto beirava a incredulidade. “Sério?”



Eu quase sorri para as reações de Edward, mas preferi manter-me ilegível. Anthony nos deu um pequeno beicinho, o que casou uma risada gostosa em Edward, eu o acompanhei no som baixo. “Eu tenho que ir.”



Edward inclinou-se para Anthony, dando-lhe um sorriso de canto a canto. “Filho, obrigado pela companhia; foi ótimo.” Um beijinho simples foi depositado na testa de Anthony. “Te amo, carinha.”



O mesmo sorriso foi destinado a mim, Edward pegou meus olhos. Tudo ali parecia quente e vivo. “Vejo você no sábado, então.”



Levei tempo demais para respondê-lo. “No sábado, então.” Eu disse baixinho, fugindo dos olhos iluminados.



O salto bateu contra o chão e, então eu caminhei para fora do apartamento de Edward. Meu bebezinho parecia calmo e eu fiquei feliz quando ele aconchegou-se a mim, tornando-se um anexo meu. Afaguei-lhe as bochechas. “Vamos para casa, amorzinho?”



Anthony me presenteou com um esboço de um sorriso, apenas mais um reflexo. Esperei que o elevador abrisse as portas para nós, enquanto eu aguardava, Edward mantinha os olhos em mim, apreciando-nos. Ele sorriu de lado e trancou a porta, me deixando sozinha e pensativa. Dei um sorriso sincero para Thony e aproveitei para ter um pouco do cheiro impregnado na camisa.



Sem saber se fora intencional ou não, Edward tinha alcançado o objetivo dele. Além de Anthony, uma pequena parte dele me acompanhou até minha casa.

(...)

O sol não era nenhum pouco tímido, ele iluminava meu quarto e fez com que eu abrisse meus olhos, contra a minha vontade. Anthony, ao meu lado, já estava acordado e olhando para algum ponto no teto. “Por que não me acordou, bebê?”



Peguei-o delicadamente, sabendo que ele precisava de fralda limpa e de um pouco de leite. Comecei pelas fraldas, Anthony esperou pacientemente até que eu o trocasse, chupando o dedo da mão, pela primeira vez. Minha manhã não poderia começar melhor.



“Já disse que te amo hoje, bebê? Não?! Amo você e todas as coisas lindas que você faz!” Declarei-me a ele, sorridente e feliz.



Anthony parecia contente, era difícil me conter e não apertá-lo. Peguei-o em meus braços e ofereci-lhe meu peito, a boquinha fofa capturou-me, dando a Thony tudo o que ele precisava.



Enquanto ele mamava, eu me perdia na luz que saia dele. Eram faíscas fortes, elas chegavam até a mim e me faziam sorrir admirada. Anthony demorou pouco dessa vez, largando-me minutos mais tarde. Meu olhar não saiu dos olhinhos sonolentos dele.



Eu sabia que ele não dormiria, então, coloquei-o apoiado em meu ombro e dei leves tapinhas nas costas dele, antecipando o arroto. Um pouquinho de leite foi absorvido pela fralda de pano, eu já não fazia cara de nojo para os hábitos de Thony. Levantei-me da cama, a fim de procurar alguma coisa para comer, mas ganhei um chorinho baixo e arrastado. “A mamãe não pode comer, filho?”



Sentei-me novamente, impressionada por ter um Anthony completamente calmo. Aquele bebezinho sabia fazer manha e eu o balancei, apenas para deixá-lo ainda mais mal acostumado. Tentei entender o que o mantinha preso aquele quarto, segui os olhos cinza, quando encontrei o objeto de desejo de Anthony, eu ofeguei.



Continuava intacto, cheio de penas, com uma mandala pequena. O apanhador de sonhos estava no centro da cabeceira de minha cama, dançando de um lado para o outro. As cores eram inúmeras, não que aquilo fosse visível aos olhinhos imaturos de Thony.



Encarei o presente dado por Edward e aquilo era tão contraditório, mas, de qualquer modo, eu estava feliz por não ter mais o pesadelo todas as noites. Era tão fácil deixar que os pensamentos daquela noite me bombardeassem. Era como sentir na pele cada toque feito por Edward, cada palavra dita em uma voz quente e hesitante. Bastava eu fechar os olhos para ser invadida pelas lembranças da noite em que fui de corpo, alma e coração de Edward.



Meus dedos correram entre as penas, meu rosto estava quente, pois eu ainda era mulher e tudo aquilo me afetava, de um jeito bom.



Olhei o calendário de meu celular, apenas para saber qual dia era e, assim, saber quanto tempo se passara desde aquela noite. Eu perdi meu ar ao constatar que passara exatamente um ano. A manhã quente de sábado seria testemunha de meu aniversário.



Um calor diferente me consumiu, parecia vir da alma. Fitei meu bebezinho e fiz um balanço dos últimos trezentos e sessenta e cinco dias. Sorri para ele, feliz por tê-lo, Anthony me fazia esquecer qualquer lembrança obscura das últimas quatro estações.



“A mamãe está ficando velha, filho! Vinte e três!” Falei-lhe, incapaz de parar de sorrir. “E você é o melhor presente que a vida poderia me dar.”



Beijei-o ternamente, meus lábios demoraram na bochecha grande de Anthony. “Te amo mais do que eu imaginei amar alguém.”



Quando meu estômago protestou por comida, resolvi ir para a cozinha. Para a felicidade de Anthony, levei o apanhador de sonhos comigo. O sol estava em toda a casa, mas, na cozinha, era menos insistente. O bebezinho estava confortavelmente deitado no moisés, não hesitei em preparar meus sucos diuréticos e comer tudo que fosse integral.



Eu tinha plena consciência de meu trato com Edward, com certeza, Esme e Carlisle chegariam para o almoço. Anthony parecia pacífico, então eu teria mais algumas horas de descanso.



Rumei para o meu quarto, desfiz a bagunça da cama, troquei os lençóis e colchas, no fim, o cômodo estava decorado com flores miúdas. Lancei uma risadinha para Anthony. “Está muito de garotinha, bebê?”



Ele não prestou atenção em minhas palavras, apenas moveu a cabeça, o que me causou mais uma risada. “Sua mãe é romântica, Anthony!”



A primeira metade da manhã passou com desnecessária rapidez. Quando os relógios marcaram quase dez, permiti-me um banho. Escolhi uma boa roupa para o dia calor, o vestido creme e de alças finas parecia confortável e fresco.



Meus banhos, que antes eram demorados e com companhia, agora, eram rápidos. O meu reflexo no espelho me dizia que a barriga estranha estava melhorando, já não estava tão mole e eu entraria em meus jeans dentro de semanas. Dei uma inspecionada nas demais partes, eu precisaria fazer uma visita a Jake e passar uma tarde cuidando de meu cabelo, pele e unhas. O rosto, graças aos cremes, estava sem manchas, talvez com um pouco de oleosidade. Eu lera sobre queda de cabelo após a gestação, instintivamente, penteei meus cabelos, mas a mesma quantidade de sempre caiu.



Era hora de dar um bom momento a Anthony, o banho quentinho já estava pronto. Eu ainda estava para descobrir o que meu filho achava sobre aquela água toda, ele não chorava, mas também não parecia o bebê mais feliz do mundo.



Com um cuidado de outro mundo, vesti-o com o macacão azul e de elefantes bordados. Olhei os pezinhos achatados, decidi não calçá-los, pois os sapatos se perderiam pelo caminho, restringi-me ao um par de meias.



Ergui o corpinho de Anthony, não existia bebê mais bonito que ele, alguma coisa faltava, sorri ao saber que era o boné. “Agora sim, filhote!”



Thony colocou a ponta da língua para fora e abriu os olhinhos, sinalizando seu estado de vigília. Eu não sabia quanto tempo eu passaria no apartamento de Edward, então resolvi levar fraldas e roupas para Anthony.



Quando tudo estava pronto, eu coloquei Thony no cesto acolchoado e calcei meus chinelos. O nervosismo estava em cada atitude minha, meus passos eram hesitantes, eu queria adiar ao máximo encontrar-me com Carlisle e Esme.



Eu tranquei a porta atrás de mim, era a confirmação, o desconhecido me esperava. O período dentro do elevador foi preenchido por chorinhos manhosos de Thony. “Querendo atenção, garotinho?”



Os dígitos do décimo sexto andar brilharam em minha frente, em seguida, a porta se abriu. Eu soltei minha respiração e bati contra a porta de madeira. Olhei para o rostinho de anjo de Anthony, ali tinha a calma que eu precisava.



Edward abriu a porta minimamente, ele me fitou por um breve instante e, gradualmente, a confusão tomou o rosto dele. “Cadê Anthony?”



Minha risada saiu sem minha permissão, eu coloquei o cesto no campo de visão de Edward. “Ele está quase dormindo novamente.”



Uma emoção diferente cruzou o rosto de Edward, ele abriu a porta por completo. “Entre!”



Meus olhos varreram todo espaço, cada centímetro estava ainda mais limpo, depois, eu deixei meu olhar em Edward. E, como em todas as outras vezes, ele estava bonito para receber os pais. Rosto sem qualquer vestígio de barba, cabelos com a mesma bagunça displicente. Acomodado dentro do jeans e da camisa branca.



Ele também me estudou, sendo mil vezes mais indiscreto, o que me fez corar. “Meus pais devem está chegando.”



Sem qualquer tipo de convite, sentei-me no sofá e trouxe Anthony para o meu colo. Eu não tinha nada a dizer, então fiquei ali, paparicando o bebezinho que bocejava. Edward abaixou-se até estar na altura dos olhinhos cinza. “Cada dia mais bonito, eim, filho?”



Edward não desviava a atenção para mim, ele conversava algo muito baixo com Thony, sempre com um sorriso grande enfeitando-lhe os lábios. “O papai tem que cozinhar, filhote, depois eu volto para você.”



As palavras cantadas me levaram para um passado não tão distante, para o dia em que Edward pedira para eu cozinhar para os pais dele. Minha memória trouxe cenas ruins, um Edward transtornado, capaz de me amedrontar.



Mal vi Edward caminhando para frente do fogão, ele, de fato, não era um bom cozinheiro, mas era fácil ver que ele estava se esforçando. Alguma coisa assava no forno do fogão e ele parecia picar algum vegetal.



Em algum momento, os olhos verdes migraram para mim. Eu segurei a troca de olhares, percebendo que, aos poucos, o verde brilhava mais e mais. Edward parecia preso em algum lugar do passado, a memória o fazia sorrir de um jeito único e verdadeiro.



“Bella?” Ele me chamou em tom oscilante, os passos também eram tímidos em minha direção.



Eu me levantei do sofá, sem entender o que Edward pretendia. “Sim?”



Ele parou a um passo de mim, com o corpo ligeiramente inclinado para frente, o sorriso grande ainda enfeitava o rosto machucado. “Feliz aniversário.”



O ar tornou-se escasso à medida que o calor subia para minhas bochechas, tornando-as brasas, eu pisquei duas fezes, procurando minhas capacidades vocais. Anthony remexeu em meu colo, mas não consegui tirar meus olhos dos de Edward. A corrente indissolúvel me mantinha presa a ele, como se eu nunca fosse capaz de me soltar dos olhos fixos em mim.



“Obrigada.” Eu gaguejei para ele, sentindo leves choques queimando contra minha espinha. “Obrigada por lembrar.”



Edward sorriu de lado, fora imperceptível, mas o vermelho tingiu-lhe a face. “Como me esquecer, Bella?”



Eu me sentei, se eu não o fizesse, minhas pernas trêmulas me levariam ao chão. Talvez eu tenha ofegado, pois um barulho esgoelado saiu de minha boca, causando mais um sorriso em Edward.



Deixei que minha atenção fosse canalizada em Thony, o garotinho vestido de azul estava em sono profundo. Mesmo sem ver, eu sentia os olhos de Edward em nós dois, ele parecia fotografar o momento.



O barulho do toque do celular de Edward quebrou o clima constrangedor e, intimamente, nostálgico. Subi meus olhos para ele, Edward tinha um sorriso incerto e um olhar mais incerto ainda.



“Oi, mãe!” A voz saiu enérgica, eu pude ver a animação despontando no rosto dele.



Edward ouvia as palavras de Esme com atenção, sorrindo e fazendo caretas mínimas. “Certo, mãe. Estou descendo.”



Ele me olhou assim que finalizou a chamada. “Uh, eu vou ajudar meus pais com os presentes, não demoro.”



Assenti para ele, minha cabeça moveu-se positivamente. Anthony me deu barulhinhos baixos, um sinal que ele acordara. Edward, que já caminhava para a porta, desfez o caminho e parou o olhar nos olhinhos em Anthony. “Tem gente querendo te conhecer, Thony!”



Tentei, mas não consegui esconder meu nervosismo. Quando Edward passou pela porta, eu me levantei, quase decidida a voltar para casa. Não daria certo ter um encontro com Esme e Carlisle, eu não estava preparada para os olhares acusatórios, de ambas as partes.



O choro de Thony aumentou de volume, então caminhei com ele pela sala, estendendo-me até a cozinha. Mimá-lo era inevitável, eu alternava o peso entre meus pés e o acarinhava na bochecha tingida de rosa. “Bebezinho, me ajude com isso, sim?”



Ele foi acalmando aos poucos, eu ainda me perguntava de onde viera aquele mau humor ao acordar, pois Edward e eu éramos completamente afáveis pela manhã. Os olhos pequeninos de Thony ficaram nos meus por pouquíssimos segundos, eu sorri para o olhar doce.



Como imã, meu olhar foi levado para a geladeira de Edward. E, por mais uma vez, eu encarei as colagens com uma avalanche de emoções dentro de mim. Hoje, além das fotos, da carta e da transferência, havia um pequeno post-it rabiscado pela letra de Edward. A caligrafia deitada o informava sobre a homenagem que seria concedida a ele. Na próxima quarta, durante a manhã.



O cheiro do almoço aguçou minha curiosidade. Eu destampei as panelas para encontrar batatas e arroz branco. Por curiosidade, provei uma porção do cereal e senti uma falta tremenda de tempero, a vontade era colocar um pouco de especiarias ou, até mesmo, fazer outro arroz. Sem hesitar, eu escolhi a primeira opção e despejei um pouco de tempero na panela. Também havia uma quantidade exagerada de macarronada, eu enrolei um pouco no garfo e levei até minha boca. Era o gosto tradicional de tomates e manjericão. Antes que eu fosse pega no flagra, voltei para a sala com Anthony me olhando de maneira fixa.



“Não delate a mamãe, tá, Thony?” Falei a ele, aproveitei para beijá-lo na testa. “Amo você.”



Três vozes roubaram minha atenção. Como uma tartaruga, encarei a porta e os três rostos que sorriam, embora de maneira hesitante, em sintonia. Meu fôlego parecia curto e, para minha surpresa, não existiam olhares acusatórios. Apenas olhares doces, cheios do que eu pude identificar como amor.



Esme e Carlisle não me olharam diretamente, os dois pares de olhos claros estavam em Thony, derramando um espectro enorme de emoções. Senti-me na obrigação de ir até eles, dando mais de meu filho. Edward caminhou para fixar-se ao meu lado, se eu não estivesse louca, o braço parou no meio do caminho, mas tudo levava a crer que ele iria descansar-lo sobre meu ombro.



“É ele!” Edward em sua melhor voz orgulhosa, com os fixos vidrados no rostinho de Anthony. “O nosso Anthony!”



Senti cada pulsação martelando em meu peito. Os passos de Esme eram delicados, antes, ela deixou um enorme baú no chão, perto do sofá. “Ele é um anjinho!”



A risada melodiosa de Edward entrou sem pressa por meus ouvidos, ele dançou os dedos sobre os cabelos de Thony. “Vocês ainda não viram nada, ele é encantador.”



Sem tirar o sorriso do rosto, Esme pegou meu olhar, eu não pude identificar nada do que ela sentia. “Oi, Bella.”



Meu nome foi dito sem mágoas, isento de ressentimento. Fitei-a, o rosto emoldurado por cabelos castanhos claros tinha uma leve pontada de receio, como se ela esperasse meu silêncio e, assim como Edward, já estivesse contando com minha negativa.



“Como está, Esme?” Falei em um tom desconhecido, estrangulado e falho.



Houve um silêncio curtíssimo e, naquela brecha de palavras e falas, eu me perguntei como a mulher de traços delicados e ainda joviais conseguira ser conivente com os atos dos filhos. Esme era o retrato da bondade, não do sadismo.



“Feliz por conhecê-lo.” Ela me respondeu com a voz embargada, os olhos estavam prestes a marejarem. “Anthony é uma criança linda, Bella.”



Eu sorri, aquela era a única reação aos elogios feitos a Thony. “Quer pega-lo um pouco?”



Minha fala surpreendeu até a mim, Carlisle abriu um sorriso grande e apressou-se para ter meu filho nos braços. Ele me lançou um olhar agradecido, quase sorrindo como Edward. “Tenho que me render, você e Edward fizeram uma criança linda.”



O familiar rubor tomou grande parte de meu rosto, Carlisle sorriu um pouco mais. “Feliz Aniversário.”



“Oh, obrigada.” Respondi-lhe rapidamente, olhei Anthony no colo de Carlisle, o bebezinho era um poço de calmaria. Esme mantinha um centímetro de distância do rosto de Thony, ela sorria e o beijava.



Edward, que apenas olhava sem dizer nada, fez um barulho para ser notado. “Sentem-se, vocês estão cansados.”



Carlisle esperou que Esme sentasse, quando ela o fez, ele colocou Thony nos braços dela. E, então, um choro baixíssimo preencheu a sala, era um choro feliz. Edward não piscava, um cego veria o quão emocionado ele estava.



“Nós trouxemos brinquedos, eram de Edward, Anthony poderá gostar de alguns.” Carlisle disse apontando para o baú grande. “Se não quiser, podemos voltar com ele, não há problemas.”



O sentimento de culpa tomou cada parte minha, era tão fácil perceber que eu agira como uma megera nas últimas semanas. “Anthony vai amar todas as coisas coloridas da década de oitenta.”



A risada de Edward sobressaiu sobre as outras, ele parecia uma criança contente. “Espero que ele goste de Aquaplay.”



Esme sorriu para o filho, ela o puxou para o sofá. Edward sentou-se ao lado dela e abriu um sorriso enorme. “Thony é uma beleza, não é?”



Edward recebeu um beijo na bochecha e um olhar cheio de devoção. “Impossível imaginar um bebê mais bonito que o filho de vocês. E ele ainda é tão saudável e esperto! Estou me derretendo com esse beicinho.”



“Ele sempre está fazendo isso.” Edward alertou-a com diversão. “Anthony é terrivelmente charmoso.”



“Claro que ele é! Olhe quem ele tem como pai!” Esme usou a mesma diversão na resposta.



Não me importei com minha exclusão, eu permaneci em pé, olhando os três que babavam na perfeição que meu filho era. Edward encontrou meu rosto por uma fração de tempo, o semblante era relaxado e eu enxerguei um agradecimento sincero no mar verde.



“Vou arrumar a mesa, o frango já deve ter assado.” Ele nos avisou, mas Esme e Carlisle não o ouviram, os dois continuaram vidrados nos olhinhos expressivos e cinza.



Edward concentrou-se em fazer uma pilha com poucos pratos, em cima, ele colocou as facas e os garfos. Tirou o suco e a salada da geladeira. Ele correu a mão sobre a toalha de mesa, tirando qualquer amarrotado. “Podem vir!”



Eu peguei Thony dos braços de Esme, sentindo o calor gostoso fluindo para mim. Meus lábios depositaram incontáveis beijos nas mãozinhas de meu bebê. “Eu ainda vou te morder, amorzinho!”



Anthony abriu a boca de maneira singela, existiam os restinhos do leite nos cantinhos dos lábios dele. Saquei a fralda de pano e limpei a sujeirinha quase imperceptível. “Prontinho, filhote.”



“Você não vem, Bella?” A voz de Edward tirou-me de meu transe. “A comida vai esfriar.”



Eu o olhei atônita, mas o olhar preocupado me dizia que aquilo não era uma brincadeira. Edward me encarou de um jeito doce. “Almoce conosco.”



Alguns barulhos saíram de minha boca, mas estava longe de ser uma fala bem arquitetada. Gesticulei para facilitar a comunicação. “Eu preciso ficar com Thony e não estou com muita fome.”



Edward sorriu de lado, um sinal de que ele não acredita em minhas palavras. “Bella, venha almoçar.”



Sem saídas, eu coloquei Anthony no cesto e caminhei para a cadeira reservada a mim, que, infelizmente ou não, era ao lado de Edward. O cheiro do frango assado me tirou de qualquer devaneio.



Não que eu estivesse faminta, mas o pedaço de carne me apeteceu. Carlisle e Esme serviram-se de quantidades moderadas, o que fez Edward sorrir. “Eu sei que está uma droga, mãe.”



Carlisle também sorriu e, só para agradar Edward, encheu o prato. Eu me servi de um pouco de tudo, arroz, batatas e macarronada, mas meus olhos estavam fixos na travessa com frango. Quando ela chegou a mim, eu não soube o que fazer. Tinha apenas um pedaço, dourado e com aparência boa, era tudo o que eu precisava, se não fosse o prato vazio de Edward.



“Pode comer, Bella.” Ele disse ao meu lado, empurrando a carne para o meu prato.



Eu sabia que ele detestava comer sem carne, era injusto tirá-la dele. “Fique com o pedaço, Edward.”



Ele me olhou de soslaio e um sorriso se fez, calmo e grande. “Você está amamentando, Anthony precisa de todos os nutrientes.”



Era um argumento irrefutável, Edward não disfarçou a satisfação em me ver comendo o pedaço de frango.



O almoço foi embalado por conversas sobre Anthony, ele era um assunto neutro em meio a tantos outros pesados e dolorosos. A comida não estava tão intragável, Esme foi a primeira a derramar elogios para Edward, inflando-lhe o ego. “Está tudo tão bom, filho! O arroz está melhor que o meu.”



Eu sorri internamente. Edward levou os olhos para mim e sorriu e eu corei. “Agradeça à Bella.”



“Uh, está tudo com um gosto ótimo.” Falei atropelado, tentando ignorar o fogo que queimava em minhas bochechas.



Esme alternou um olhar entre mim e Edward, ela sorriu no fim, mas nada disse. Depois, ela examinou o semblante de Edward, ele comia de um jeito calmo. “Você apanhou, filho?”



Os olhos verdes quase saíram de órbitas. Eu me apeguei a cada reação de Edward, tentando, também, ter a resposta. “Não foi nada, mãe.”



A resposta evasiva não satisfez ninguém presente na mesa. “Não foi briga de rua, não foi?”



“Não foi.” Edward falou por fim, encerrando a discussão de poucas falas.



No mesmo instante em que todos saíram da mesa, Anthony nos deu seu choro irritado e alto. Eu corri para ele, o rostinho estava vermelho e segurava uma careta de descontentamento.



“Amorzinho, a mãe já está aqui, sim? Já sentiu minha falta? Eu só estava comendo!” Expliquei-lhe a situação, minha voz entoada o acalmou aos poucos, mas os resmungões persistiam e eu sabia como interpretá-los.



Edward, aparentemente, também sabia, pois me deu um sorriso não afetado. “Isso é fome, não é, filhote?”



Eu não sabia como fazer aquilo, agora já não era só Edward, tinha Carlisle e Esme. Olhei para Anthony, o choro voltou e, agora, era manhoso e baixo. Edward me tocou nas costas, mas tirou as mãos de mim em um átimo. “Venha.”



Segui-o até o quarto. A cama de casal estava arrumada, assim como todo o cômodo. “Pode demorar o tempo que quiser.”



Foi impossível mascarar minha surpresa, Edward não falou nada, apenas me deu espaço e saiu do quarto. Anthony, em meus braços, chorou mais uma vez, dizendo que já não aguentava esperar.



“Edward?” Chamei-o em tom alto, ele olhou para trás com demasiada lentidão. “Obrigada por isso.”



O brilho dos olhos dele chegou a mim com uma força descomunal, era bonito e quente, mas as palavras não chegaram e eu não me importei. A cama era um convite e tanto, eu me sentei sobre minhas pernas, o vestido era fácil de ser tirado e logo meu peito já estava a disposição de Anthony.



Talvez fosse o cansaço, talvez fosse a vontade mesmo, mas, sem saber a motivação, me deitei de lado na cama de Edward, o corpinho de Anthony estava próximo ao meu e ele sugava meu peito com lentidão.



O cheiro de Edward era mil vezes mais concentrado e eu me lembrei das inúmeras vezes em que dormi ao lado dele, das vezes em que nossos pés se embolavam. Dos carinhos na panturrilha, que subiam até me transformarem em brasa.



“Amorzinho, que merda é essa em que estou pensando?” Minha mente confusa fez a pergunta sem resposta a um recém nascido.



“Está sendo um dia estranho, não acha? A mamãe está fazendo aniversário, seus avôs vieram te conhecer, Edward está sendo mais doce que o normal e, incrivelmente, nada de ruim aconteceu!” Devaneei enquanto meus dedos corriam a pele lisinha.



“A mamãe só quer um motivo, Thony. Um motivo que justifique essa bagunça toda.” Confidenciei a ele, meu peito bateu sem padrão e eu não soube se queria ou não saber o que havia por detrás daquilo.



Eu voltei para sala, mas, para minha surpresa, eles não pareciam cochichar sobre mim. Edward falava alguma coisa sobre o batalhão e Esme e Carlisle o ouviam com semblantes felizes. Pedi para eu não ser notada, eu só queria pegar uma fralda limpar Thony.



“Ele pode querer um banho, Bella. Está realmente quente.” Edward falou baixo, mas com tom firme. Ele caminhou para o meu lado e pegou Anthony de meu colo. “Quer banho, bebezinho?”



Sem meu consentimento, Edward levou meu filho para o quarto, eu o segui de pronto. Esme e Carlisle também vieram. Eu analisava cada ação de Edward, ele parecia feliz e orgulhoso.



Primeiro, ele colocou uma toalha e roupinhas limpas sobre a cama. As mãos grandes de Edward foram delicadas o suficiente para tirar o macacão de Thony. Meu bebezinho nu foi carregado para o banheiro.



Eu, Esme e Carlisle nos esprememos para ver qual seria a próxima atitude Edward. Meus olhos saltaram ao vê-lo colocando Thony em um balde, os olhos verdes chegaram a mim. “Está limpo, Bella.”



Permiti-me dar um voto de confiança a Edward, no fim, Anthony estava limpo e cheirando bem. Esme os olhava com encanto, impressionada com o cuidado de Edward.



“E como voltar no tempo, há trinta anos. Vocês são idênticos.” Esme disse em tom saudoso e feliz.



Edward abriu um sorriso verdadeiro e abotoou o último botão do macacão. “Eu só tenho vinte e seis, mãe.”



Minha risada se misturou com a dele, como nos velhos tempos. Edward alternou olhares entre mim e Thony. “Filhote, mostre à mamãe como você cheira bem.” Eu recebi meu bebezinho segundos depois.



O início da tarde veio sem qualquer aviso. Anthony não saia do colo de Esme e eu me enclausurava em meu silêncio. Os diálogos eram esporádicos, mas eles beiravam assuntos sobre o pós-parto. Eu sentia uma falta imensa das televisões de Edward, com elas, nos poderíamos focar na tela e não teríamos que inventar assuntos.



Apenas os barulhinhos de bebê de Thony se faziam presente na sala, mas, segundos depois, o celular de Edward chamou. Ele correu os olhos pela tela, mas o número parecia estranho para ele.



“Oi?” Edward atendeu com hesitação.



O diálogo com a pessoa sem rosto e sem nome perdurou por minutos, Edward corria os dedos pelos cabelos e gesticulava com o vento. Por vezes, eu ganhava olhares apreensivos, todavia, o brilho era incontestável nos orbes dele.



“Hoje é sábado! Isso pode ser resolvido na segunda?” Ele perguntou em um tom acima do normal.



Mais três minutos se passaram, fazendo Edward intensificar os movimentos nervosos dele. “Ok, eu já estou indo.”



Edward deu passos pela sala, exalando inquietação sem igual. “Eu preciso sair.”



A curiosidade cresceu em mim, eu daria tudo para saber qual era o assunto pendente de Edward, Esme e Carlisle pareciam da mesma forma. “O que você tem a resolver em um sábado à tarde?”



Ele lançou um olhar pedinte à Esme, Edward tinha a resposta, mas preferiu nos deixar sem ela. “Prometo não demorar. Uh, por favor, não vão embora antes de eu chegar, sim?”



Carlisle sorriu para o filho. “E eu arriscaria perder um segundo com meu neto?”



Edward pegou Anthony nos braços. “Eu não demoro, filhinho. Fique bem!”



Eu ganhei um olhar tímido, mas cheio de emoções que fugiam ao meu entendimento. “Você também pode ficar, se quiser, é claro.”



“Sim, certamente.” Respondi-lhe em pausas e com uma pitada indecisão. Se tudo já estava estranho com Edward, sem ele seria ainda pior.



Preferi não relacionar o choro de Anthony com a saída repentina de Edward. Esme ninou-o até que o sono o aplacasse. Ter Thony dormindo também não ajudava, tudo era mais fácil quando a atenção de Carlisle e Esme estava em meu bebezinho.



Quando o silêncio tornou-se pesado demais, peguei meu filho dos braços de Esme, eu só precisava de um pouco dele. Olhar o rostinho, acarinhá-lo. Nenhum ruído era ouvido no apartamento, eu caminhei para perto da sacada, querendo, no fim, um pouco de barulho.



Balancei meu corpo, conferindo um pouco de movimento ao sono de Anthony, o biquinho fez-se e desfez incontáveis vezes, roubando sorrisos meus. “Obrigada por existir, pequenino.”



“É a melhor coisa do mundo, não é, Bella?” A voz de Esme ecoou ao meu lado, se não fosse por Anthony, eu teria pulado de susto.



“Uh?” Eu perguntei por reflexo e, propositalmente, dei um passo para o lado.



Ela me deu um sorriso genuíno. “Ser mãe. Gerar uma vida, protegê-la, amá-la... É a melhor coisa do mundo.”



Meus olhos caíram em Anthony, o serzinho que fazia cada segundo valer a pena. “Nunca pensei que seria tão bom, Anthony é tudo para mim, é um sentimento louco.”



“Eu não consigo te julgar, Bella.” Esme continuou com a mesma voz baixa e sábia. “Eu sei o que é o instinto materno.”



Pela primeira vez, eu a olhei. O rosto era algo perto do ilegível, mas existia uma pontada de dor e, estranhamente, de culpa. “Você só está protegendo Anthony.”



“E eu só estou protegendo meu filho, como sempre fiz e como sempre vou fazer.” Esme disse baixinho, com a voz embargada. Ela captou meus olhos, fitando minha alma. “Eu queria poder tirar a dor de dentro dele.”



Eu só percebi que chorava quando os dedos de Esme pastaram na região abaixo de meus olhos. O toque era puro e doce. Eu pisquei, jogando lágrimas para fora de meus olhos. “Por que ele fez isso, por quê?”



Esme me deu um sorriso tímido. “Edward te ama, Bella.”



“Não é uma resposta, Esme.” Devolvi-lhe com rapidez.



Os dedos secaram as últimas lágrimas. “Ele também estava só te protegendo. Escute-o.”



Ela não me deu tempo para uma resposta ou para uma pergunta. Esme me deixou sozinha com anthony, eu descobri que ainda chorava quando uma lágrima espessa caiu sobre a bochecha de meu filho.



Eu nunca saberia dizer quanto tempo se passara, mas, em algum momento, dividi o sofá com Esme e Carlisle. Mesmo dormindo, Thony recebeu sorrisos e afagos.



“Edward está demorando.” Coloquei com displicência, mas a verdade era que eu estava preocupada com o comportamento estranho dele.



Carlisle moveu-se ao meu lado. “Edward sabe se cuidar.”



Nós três permanecemos em silêncio e praticamente imóveis. Meu pé batia contra a parede do baú. Dei a devida atenção ao objeto. Ele era grande e bem conservado, com certeza, estava lotado de brinquedos velhos e coloridos. E, repentinamente, perguntei-me se Anthony se transformaria em uma criança enérgica como Edward fora outrora.



Meus questionamentos se esvaíram com a chegada de Edward. Desde o instante que passara pela porta, ele só tinha olhos para mim. O brilho era só meu. Cada feixe de luz bateu contra mim, deixando-me tonta e, instantaneamente, feliz.



Edward caminhou para mim, mas deu atenção para Anthony. Os dedos longos traçaram a bochecha de Thony. “Dormindo, filhote? Queria mais tempo com você.” Ele falou baixíssimo, praticamente sussurrando.



Existia um papel na mão dele, mas Edward dobrou o envelope e colocou no bolso de trás da calça. Os olhos verdes viajaram para Esme e Carlisle. “Eu sou um péssimo anfitrião, não sou?”



Carlisle bateu no ombro de Edward. “Nós também temos que ir.”



A fala me fez levantar. Edward despediu-se dos pais, abraçando e beijando-os. Eu realmente daria tudo para saber quais palavras Esme deixara para Edward. Timidamente, desejei boa viagem a eles. Carlisle deixou um beijo nas mãozinhas de Thony e Esme bicou os lábios na testa de meu filho.



“Obrigada por ter me deixado conhecer essa criaturinha linda.” Ela disse enquanto me abraçava. “Ele não pôde ter escolhido uma mãe melhor.”



As palavras me desconcertaram e eu sussurrei um agradecimento sincero a ela, meu sorriso foi igualmente verdadeiro. “Não há o que agradecer.”



Edward girou a maçaneta com cuidado, o apartamento parecia enorme com nós três apenas. “Eu também já vou indo.”



O semblante dele preencheu-se com a decepção, mas Edward apressou-se para mascarar a emoção nova. “Certo, eu te ajudo com esse baú.”



Cuidadosamente, coloquei Anthony no cesto, tirei as meias e penteei os cabelos que já davam sinais de que seriam rebeldes. Uma caretinha involuntária desenhou-se no rosto tranqüilo dele e eu pisquei para tanto encanto.



“Bella?” Edward me chamou baixinho, quase arrependido. “Obrigado por ter sido gentil com meus pais, por ter nos dado esse tempo com Thony.”



As palavras estavam congestionadas em minha garganta, nenhuma saía, mas eu queria chorar. Perguntei-me quando eu me tornara aquela pessoa. A pessoa que recebia agradecimentos por ter sido educada, como se a cordialidade fosse uma característica não pertencente a mim.



Eu o deixei sem resposta, não por falta de educação, apenas porque eu não tinha uma boa réplica para as palavras dele. Meus passos foram curtos, Edward abriu a porta e me deu passagem. O tempo no elevador fora curto, mas grande o suficiente para Edward estudar cada pedaço de meu rosto.



O baú não era páreo para os músculos de Edward, o container de madeira fora colocado no chão da sala de meu apartamento, também perto do sofá. “Uh, obrigada, Edward.”



Ele deu passos grandes para mim, os olhos e todo semblante denunciavam certa dúvida e uma quantidade assustadora de medo. “Eu tenho algo para você.”



Surpreendi-me com a fala curta, eu o olhei, pedindo mais detalhes. Edward correu os dedos nos cabelos e retirou do bolso o envelope de papel.“Eu não faço ideia do que está escrito aqui, mas isso só diz respeito a você. Por favor, não pense que eu quero te deixar mais triste, eu não quero que você sofra com as memórias, nem sei se o que eu fiz é certo, mas eu fiz por você. Para ser sincero, eu não me lembrava mais disto, mas o resultado está aqui. Eu sempre quis sua felicidade, Bella; eu pensei nisto dias antes de você me contar sobre o nosso bebê, você estava irritada e parecia triste, então pensei que isso te faria um pouco mais feliz. Eu roubei um fio de cabelo seu também.”



Minhas mãos trêmulas pegaram o envelope branco, não tinha nenhuma informação do lado de fora. Eu não raciocinava direito, então abri-lo agora não seria uma boa ideia. Encarei Edward, ele ainda carregava o semblante cheio de medo. Medo de minha reação.



“Eu já vou indo.” Ele disse com a voz cortada. Anthony recebeu sussurros e beijos miúdos.



Não havia como eu o acompanhar até a porta, minhas pernas também tremiam. Eu sentei no sofá ao primeiro sinal da porta sendo fechada. Esperei que minha respiração padronizasse, quando consegui meu objetivo, rasguei a ponta do envelope.



Era um papel grosso, ilustrado com linhas e mais linhas. O primeiro parágrafo me dizia que aquilo se tratava de uma investigação e que, até aquele momento, corria em segredo de justiça. Antes de eu continuar, peguei Anthony e deitei-o sobre meu peito. Meu coração desenfreado batia contra a bochecha dele.



Engatei uma respiração curta, mas as lágrimas desceram ao ver o nome de Edward e o que ele tinha feito por mim. As próximas linhas roubaram meu fôlego, eu as li sem parar de chorar, querendo chegar logo ao final. Eu queria saber onde meus pais estavam.



O endereço era desconhecido, mas tinha vários telefones do departamento de investigações da polícia de Nova Iorque. Também existiam instruções para eu seguir, com quem conversar para obter mais informações.



Preferi não lutar contra as emoções que saltitavam dentro de mim. As lágrimas eram um pormenor, porque, por dentro, eu estava feliz. Era sentir Charlie e Renée afagando meus cabelos, sorrindo para mim. Minha mão tremia e eu não conseguia reler a página, mas queria ler tudo de novo, saber quando Edward tinha começado com aquilo.



Edward. O nome me roubou um choro copioso, lembrei-me das palavras, ele dizendo que só queria minha felicidade. A data do início das investigações era distante, ainda não existia Anthony. Meu coração pulsava forte e eu queria muito agradecer Edward por aquilo. Ele tinha me dado o melhor presente de aniversário. A realidade soprou contra mim, doce e vagarosamente. Eu poderia negar, mas sempre seria Edward, ele tinha o dom de me fazer feliz.



“Eu amo seu pai, bebezinho.” Sussurrei entre lágrimas, Anthony me deu o melhor biquinho que ele tinha. “Muito.”



Eu não estava muito certa sobre correr para o apartamento de Edward, mas a vontade de ouvi-lo era grande e quase não cabia em mim. Olhei para o vazio, procurando respostas para minhas perguntas silenciosas.



Apenas para ganhar tempo, abri o baú cheio de brinquedos. “Thony, venha ver seus brinquedos.”



Nem mesmo as cores e a quantidade imensurável de brinquedos me fizeram tirar os olhos da foto que estava sobre os bonecos e trenzinhos. Senti a ardência em meus olhos, meus lábios tremiam e eu sorri, sorri de verdade, admirada.



E lá estava eu, deitada no sofá de Esme, despenteada e corada. Edward beijava minha barriga, mas os olhos verdes estavam nos meus. A ondulação em meu ventre era tímida e eu chorei ao ver meu bebezinho enorme e saudável descansando sobre meu peito. A foto me dava um Flip sorridente, as patinhas estavam apoiadas no sofá. Era possível ver, através da foto relevada, a corrente poderosa que existia entre mim e Edward. O meu sorriso era o reflexo do dele. Ele estava se derretendo de amores por Thony e por mim. Nós éramos, literalmente, o retrato da família feliz.



Olhei o verso da foto. A letra de Esme foi reconhecida de pronto. A data me fez sorrir. Fora o natal mais incrível de todos, quando, oficialmente, eu me tornara noiva de Edward. E foi absolutamente fácil lembrar-me do pedido de casamento na neve. Abaixo da data, havia dizeres curtos e sinceros. “Não há como mensurar o que sinto por vocês. Vocês três se completam e nasceram para viver juntos. Edward, Bella e Bebê Cullen Swan, começarei desejando felicidades a vocês.”



Existia uma poça de lágrimas sobre a fotografia. Não havia o que ponderar. Minha alma estava aquecida e meu corpo, trêmulo. As lembranças, os dias felizes ao lado de Edward me fizeram saltar do sofá. Anthony parecia alheio ao turbilhão que se passava dentro de mim, mas ele se aconchegava em meus braços, dizendo, que estaria sempre comigo.



Eu estava completamente certa sobre minhas atitudes. Minhas mãos bateram contra a porta do apartamento de Edward, não me importei com o fato de eu estar com cara de choro e descalça.



A porta abriu um instante mais tarde, o semblante de Edward era sereno. “Bella?”



Soltei meu ar, meus olhos seguravam os de Edward. O marrom queimando contra a verde. “Nós precisamos conversar.”



O choque passou pelo rosto dele, depois, ele abriu um sorriso tímido e trêmulo. Por último, uma emoção bonita atravessou as feições másculas. E eu chamei aquilo de esperança.




Continua..




4 comentários:

LAV RIBEIRO disse...

ufa até que enfim eles vão ter essa conversa....

Françoise Rodrigues disse...

ooo meu Deus !!! mto ansiosa pelo proximo capitulo!!!!1

Jannáyra Menezes disse...

Oh que lindo.... Até que enfim.!!!

Bells disse...

Uffa! Em fim né. ..peli Amor te passei mau aqui....kkkk
Aii q nervosoo...
Mto bom esse fic

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