FANFIC - PASSADO DISTORCIDO - CAPÍTULO 44

Olá Amores!!! Hoje vamos curtir o 44° capítulo de "Passado Distorcido". Quer acompanhar a história desde o início?Clique aqui.


Um legado deixado em uma carta. Até onde Edward iria para vingar o sofrimento e a morte de Sebastian? Encontrar aquela mulher, Isabella, era o seu objetivo de vida e o destino a entrega de bandeja.

Porém, as verdades absolutas de Edward se rompem quando os caminhos da vida mostram quem é Isabella. E quem Sebastian foi. Afinal, o passado não é, exatamente, aquilo que sempre pareceu ser.


Autora : whatsername
Contato : kellydomingoss (skype)
Classificação : +18
Gêneros: Romance, Universo Alternativo, Hentai, Drama
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo




Capítulo 44 - Pinky Swear.




POV Bella



A angústia e a tristeza sem fundamento despontavam sobre outros sentimentos. Ainda assim, eu estava nas nuvens e feliz, feliz de um jeito que eu nunca imaginei estar.


A melancolia ia e vinha em doses homeopáticas, ela trazia um vazio estranho. Era como se faltasse um pedaço de mim, meu coração estava apertado. Eu nunca imaginei que seria tão confuso deixar de ser gestante e transformar em mãe.


Meu pequeno Anthony continuava a me olhar, nem mesmo a anunciação do Apocalipse me faria parar de fita-lo. Ele era lindo e incrível! A pele era alva e exista certo tom rubro nas bochechas, a boca, que sempre carregava um bico, era tingida de vermelho. Os olhos eram uma incógnita, puxados para o cinza, mas, quando na luz, tendiam para o azul escuro.


“Amorzinho, a mamãe nunca pensou em ter um filho tão bonito e saudável, você é mais do que eu mereço.” Sussurrei para os olhinhos pequenos, os reflexos de bebê dele me deram uma piscadela discreta, quase envergonhada.


Eu sorri abertamente, movi-me na cama, deixando meu rosto em cima do de Anthony. Não hesitei em tocar meu nariz no dele. “Está com vergonha da mãe, bebê? Não fique.”


O barulhinho baixo e manhoso chamou minha atenção, era o sinal que ele estava com fome. Eu suspirei, pois aquilo doía pra caralho, entretanto, me deixava feliz e me fazia sentir importante.


“Vamos lá, filho, apenas prometa não me fazer chorar de dor, sim?” Perguntei antes de colocar meu peito para fora, o esquerdo parecia melhor que o direito.

Eu não culpava meu pequenino, ninguém nascera sabendo e, pelo jeito, mamar era uma tarefa difícil para ele. Lembrei-me de quão importante era fazê-lo pegar corretamente em meu peito, aquilo tornaria tudo mais fácil para mim e para ele.


Anthony não tirava o bico fofo dos lábios, ele capturou meu mamilo sem delicadeza, sugando e me causando dor, o desconforto trazia lágrimas para meus olhos. “Anthony,filhote, seja calmo, sim?”


Não havia muito que fazer, meus dedos brincavam com os cabelos claros dele, hora ou outra, eles desciam para as bochechas protuberantes. Anthony não perdia nenhuma gota de meu leite, seja lá o nome que aquele líquido viscoso tinha.


Se existia um momento que era único, ele era, com certeza, o instante em que olhinhos brilhantes chegavam aos meus. Era mágico, na ausência de outra palavra. Era sentir o mundo rodando devagar, sentir uma corrente poderosa entre mim e Anthony. Era a proteção, o amor incondicional.


“Não me faça chorar, Anthony.” Pedi entre lágrimas e sorrisos. Anthony saiu de meu peito segundos depois, eu sempre me culpava por ter pouco leite, mas as enfermeiras diziam que aquilo era normal e que logo meu leite se adequaria as vontades de meu filho.


Hesitante, eu o coloquei na vertical e esperei pacientemente pelo arroto de Anthony, tentei não fazer cara de nojo para o leite que voltou também, preferi ignorar o cheiro ruim. “Filho, a mamãe precisa de um banho, não acha?”


Aproveitei o silêncio absurdo para colocar meus pensamentos não lineares em ordem, mas a tentativa fracassou com o ranger da porta. Eu gemi apenas para mim, eu não estava preparada para vê-lo tão cedo.


Edward entrou com os olhos curiosos, procurando meu filho. O rosto iluminou-se quando Anthony entrou no campo de visão dele. Encarei-o disfarçadamente, querendo, a todo custo, saber a origem da pequena marca roxa abaixo do olho esquerdo e a que enfeava a mandíbula. Elas não eram acidentes de trabalho, elas me intrigaram desde a hora que ele entrara na sala de parto.


Perguntei-me como o homem insuportavelmente bonito e de, aparentemente, postura íntegra conseguira fazer o que fez. A única pergunta que me rondava era Como?



O simples fato de vê-lo me causava uma sensação desconhecida, era como senti-lo perto e distante. Edward me deixava confusa e me fazia agir impensadamente. Eu ainda não o queria perto de meu filho e detestava lembrar que ele assistira o nascimento de Anthony.


Encarei, por um breve instante, as roupas que ele usava. Edward não poderia estar mais bonito, o jeans claro contrastava com a camisa pólo preta. Eu nunca vira aquelas peças, então supus que ele comprara e uma vontade de sorrir me aplacou, mas eu não subi meus lábios. Edward apenas tentara ficar bonito e limpo para o meu filho.


“Senti sua falta, filho.” O tom doce e arrastado me fez perceber que Edward estava perto de nós, ele pegou o embrulho azul sem olhar, sem pedir minha autorização.


Edward abriu um sorriso perfeito, mostrando todos os dentes. Ele ajeitou Anthony nos braços, balançando-o delicadamente.


“Não faça isto!” Falei em um átimo, assustando a mim e a Edward. “Ele acabou de mamar, não é bom ficar balançando.”


Um enorme pedido de desculpas apareceu nos olhos de Edward, ele deu um sorrisinho tímido para Anthony. “Perdão, bebezinho! Eu não queria te incomodar, sim?”


“Ele já arrotou?” Edward perguntou logo em seguida, no mesmo instante ele posicionou Anthony, deixando-o mais em pezinho, com a cabeça sobre seus ombros largos.


A cena gritava um cuidado sem igual, mas ela não era condizente com as atitudes de Edward. Eu me movi na cama, feliz por nada doer. “Já.”


Mesmo com minha resposta, Edward manteve Anthony nos braços, sorrindo ternamente. Eu o olhei, como eu sempre fazia quando ele estava concentrado em meu filho. Eu prometera nunca mais deixá-lo me ver chorando, mas aquilo não significava não chorar por ele, por nós. O nós que não existia mais.


Vê-lo fazia meu coração apertar e a decepção tomar cada célula minha. Edward não tinha o direito de fazer o que fez, nem comigo, nem com meu bebezinho. Eu me perguntava qual era o objetivo daquela trama bem amarrada, primeiro o irmão fodido, o que levou meus pais e que tirou muito de mim, depois, o irmão doce, que fez ainda pior. Não era uma simples enganação, era mais profundo. Edward virara meu mundo, tinha me dado os melhores dias de minha vida e eu, boba e infantilmente, acreditei em cada promessa, cada declaração.


Edward me olhou rapidamente, os olhos verdes estavam emoldurados por olheiras escuras, mas o rosto, agora sem barba, continuava bonito e cheio do que eu imaginei ser dúvida e preocupação.


Era estranho ver meu bebê no colo dele, a sensação era a mesma de ver uma foto de quando Edward era criança. Anthony era mais Edward que Bella. Uma cópia perfeita, se não fosse um pouco de mim no nariz pequenino e na cor dos lábios.


Os dois juntos também aguçavam um sentimento que ainda era novo para mim. Era o tal instinto materno, a proteção exarcebada. Eu queria com todas as minhas forças que Edward não fizesse nenhum mal ao meu garotinho e que, principalmente, não tentasse tirá-lo de mim. Eu sabia, mais cedo ou mais tarde, Edward reclamaria os direitos que ele tinha sobre Anthony. Internamente, agradeci por ele não ter seguido com a advocacia; Edward era um bombeiro e realmente lia muito pouco, com certeza, ele não tinha consciência de que, facilmente, conseguiria tirar meu filho de meus braços.


Três batidas calmas tiraram-me dos devaneios. Edward caminhou para abri-la. Alice entrou sem a animação de sempre, calculando cada passo, ainda assim existia um sorriso verdadeiro no rosto de traços delicados.


Ela não veio até mim, pois os dois olhos brilhantes pararam em Anthony. “Ei, garotinho!” Alice usou seu melhor tom infantil, ela dançou os dedos sobre as bochechas, fazendo carinho.


Edward não recebeu nenhum tipo de cumprimento, mas também não pareceu se importar com aquilo. Ele, com cuidado de outro mundo, deu Anthony para Alice, que, por sua vez, agradeceu com um sorriso.


Sentei-me na cama e ajeitei o travesseiro atrás de mim. “Oi, Alice!”


Alice sentou-se ao meu lado, em um espaço minúsculo, vale dizer. “Você parece ótima, Bella!”


Eu sorri e a abracei. “Nós estamos bem.”


“Vou deixar vocês sozinhas, não quero atrapalhar nada.” Edward falou para chamar atenção, um bom observador perceberia que eu o olhei tempo demais, perdida nos movimentos dos dedos longos entre os cabelos dourados.


“Obrigada, Edward.” Alice me atropelou, agradecendo por nós duas.


Eu a olhei, incapaz de falar qualquer coisa descente, Alice sabia exatamente qual era o ponto. “Está tudo estranho, não está?”


“Eu não consigo olhá-lo sem me lembrar de quem ele é!” Falei alto, com todo o poder de minha voz. “É insuportável tê-lo tão perto, sufocante, talvez. Edward não tira os olhos de mim e de Anthony, é assustador.”


“Acho que nunca vou ver sorriso mais bonito que o Edward quando ele disse que Anthony nascera.” Alice colocou com displicência. “Foi tão emocionado e puro.”


Não tive dificuldades para imaginar a cena, eu suprimi meu sorriso, levando minha mão para os cabelos bagunçados de Anthony. “Ele ama o colo de Edward, ama a voz! Anthony fica calmo quando Edward está por perto.”


Alice sorriu fraquinho com minhas palavras. “Você não vai conseguir levar isto por muito tempo.”


Arqueei minhas sobrancelhas, interrogativas e malfeitas. “Isto, o que?”


“Deixá-lo longe de Anthony.” Alice falou firme, embora eu ainda percebesse que ela era totalmente a favor de minhas atitudes recém tomadas.


Um silêncio curtíssimo se fez, Alice alternou o olhar entre mim e Anthony, ela sorriu para o meu filho e logo voltou para mim. “Bella, eu realmente odeio dizer isto, odeio olhar para Edward também, mas, parece tudo tão errado, como se faltasse detalhes.”


“Eu conheci os dois, Bella. Sebastian e Edward, não há nada de semelhante. Não consigo entender como ele pode fazer isto com todos nós.” Tudo na voz de Alice denunciava sua inquietude, a emoção chegou até a mim.


“Eu vou proteger meu filho até o último segundo, Alice! Edward não vai tirá-lo de mim, eu não permitirei.” Assegurei ainda em tom firme.


Alice soltou um gemido, algo perto de um bufar de resignação. “Anthony e você não mereciam uma situação tão complicada.”


Meu sorriso foi verdadeiro para ela, abri meus braços, pedindo que ela me desse meu embrulho azul. “Nós vamos ficar bem, não é, amorzinho?”


Anthony desfez o beicinho tímido, mas enlaçou as mãozinhas gordas, imaginei o que seria de mim caso ele chupasse o dedo, eu me derreteria por completo. Mantive minha voz suave, sorrindo para meu filho. “Você parece inquieto, quer um pouco de balanço, ou prefere ficar sem essa manta?”


Eu decidi por ele e tirei a manta não muito espessa. O mês de julho estava realmente quente e o sol não dava tréguas, Anthony não poupou choramingões, então, eu presumi que ele queria ficar sem a manta, mas também não dispensaria o balanço.


Levantei-me da cama, realmente não existia muito desconforto físico, a cinta mantinha minha barriga estranha no lugar, meus peitos estavam assustadores, o tamanho era algo de outro mundo. Eu me sentia pesada e feia, mas aquilo não era muito importante.


Eu troquei o peso entre meus pés, fazendo, assim, um movimento padronizado que, aparentemente, agradava Anthony. Os cantinhos dos lábios dele subiram, eu sabia que era apenas um reflexo, mas minha parte de mãe derretida preferiu entender que era um sorriso.


“Você adora um mino, não é, filhinho?” Perguntei a ele, enquanto movi meus quadris de um lado para o outro. Sim, eu estava dançando!


A risada calma de Alice me fez olhá-la. “Você é cômica!”


“Não seja chata, Alice! Meu bebezinho parece gostar!” Falei divertida, Anthony não tirava os olhos de minha orelha esquerda, memorizando os detalhes.


Eu sorri mais um par de vezes para ele, ganhando rolar de olhos de Alice e de Anthony, embora os dele ainda fossem descoordenados e, na maioria das vezes, para fora. Um barulho mínimo quebrou o momento doce, Anthony parou tudo que estava fazendo para se concentrar no novo estímulo. Eu ergui meus olhos, encontrando os passos de Edward.


“Deus, você é tão espertinho, bebê.” Falei baixinho, impressionada com a capacidade que ele acabara de demonstrar.


Edward pareceu pensar, mas não parou de andar. “Eu posso voltar depois...”


“Fique, Edward!” Alice soltou com determinação. “Não era uma conversa particular.”


Dito aquilo, Edward sentou-se na poltrona perto de minha cama, ele verteu a caneca de café, parecendo faminto. Eu contara as doses de cafeína que ele tomara, aquela seria a oitava. Voltei a um passado não tão distante, Edward estava fodendo com o estômago dele, mesmo amando, Edward não era tolerante a muitas doses de café.


“Trouxe suco de laranja para você.” Edward falou e me estendeu o copo cheio de suco, pude ver os gominhos, eu salivei.


“Não, obrigada.” Eu falei rápido demais, os olhos verdes despencaram aos poucos. Era automático, minha maior defesa era deixá-lo distante. Contrariá-lo, também.


Alice continuou me encarando, ela não parecia inclinada a ir embora, eu gostava disto, quanto menos tempo sozinha com Edward, melhor. “Nós vamos para casa amanhã, Ali.”


“Oh! Isso é ótimo, eu posso ficar uns dias com você, não será incomodo.” Alice falou sem pausar, foi impossível não ver Edward fazendo uma careta minúscula. Eu realmente pedi para que ele não achasse que ficaria o dia inteiro comigo e com Anthony, eu estaria em minha casa, logo, eu poderia expulsá-lo.


“Eu realmente sou boa em dar banhos e em trocar fraldas, não precisa se preocupar.” Disse apenas para Alice, mas não seria ruim se a fala chegasse a Edward.


“Talvez Anthony queira um banho, não? Está tão quente.” Alice soltou com displicência, encarei o rostinho de Anthony, ele, de fato, parecia irritado com aquele calor todo.


Antes que eu aceitasse a proposta, a enfermeira entrou no quarto, com meu lanche da tarde. Eu sorri para ela, agradecendo o pequeno ato. “Eu como depois, estava pensando em dar-lhe um banho.”


“Eu te ajudo com isso.” Ela falou e deixei minha comida sobre a mesa no canto do quarto. A mulher parecia animada com minha animação.


O banho era diferente, quase de gato. Minha preocupação beirava o umbigo que levaria alguns dias para cair e a extrema fragilidade de Anthony. Eu sorri quando o banho rápido terminou, Anthony chorava de um jeito estranho, talvez mal humorado.


A presença de Edward ao meu lado era imponente, o olhar era de fascínio. Ele olhava como se quisesse aprender cada movimento feito por mim, para, talvez, repeti-los um dia.


“Você preferiu circuncidá-lo?” Edward perguntou com evidente interesse.


Eu me lembrava sobre Dr. Jeremy me perguntando aquilo logo após o parto, eu, exausta demais, acenei positivamente, sem saber quais seriam as conseqüências para Anthony. Permiti-me segurar o olhar de Edward, ele saberia mais do que eu.


“É mais higiênico.” Ele restringiu-se a poucas palavras, minhas bochechas coraram, pois eu ainda tinha memória e me lembrava de cada centímetro do corpo de Edward.


“É só cuidar direito, logo cicatrizará, minha mãe não teve problemas comigo.” Ele continuou sem mudar o tom, o calor não saia de meu rosto. Aquela conversa sobre pênis não nos levaria a lugar algum.


Enrolei Anthony na toalha branca e felpuda, o choro cessou aos poucos. A bolsa com as coisinhas dele estava sobre uma pequena bancada, Edward fora quem escolheu tudo, então ali tinha muito azul e verde. Eu peguei o macacão branco, sem muita informação e de tecido leve. No fundo, abaixo das mantas, estava a pequena roupinha amarela. Eu ponderei muito sobre ela, mas não cheguei a qualquer resolução.


Anthony esticou as mãozinhas, o que fez meu sorriso crescer mais e mais. “Passou o mau humor, garotinho?”


Fora baixa, mas Edward deu uma risadinha, daquelas felizes, que ele soltava quando estava extremamente contente. Ele veio para pegar Anthony de meus braços, minha reação era sempre segurar ainda mais protetoramente meu filho.


“Apenas por um instante?” Ele pediu com os olhos nos meus, ali existia um misto de emoções. Edward estava implorando e chateado. Implorando por Anthony e chateado comigo.


Sem muitas alternativas, eu coloquei Anthony nos braços dele, a proximidade me fez perceber que ele tinha um cheiro bom, de sabonete e loção de barbear, entretanto, os cheiros industrializados estavam longe de irritar Anthony. Eram suaves.


Edward não disfarçou um sorriso incrível ao pegar o bebê mais fofo do universo. Ele beijou-o na bochecha e, depois, bateu os cílios perto dos olhos de meu filho e, de alguma forma, meu coração perdeu uma batida, pois nada era mais bonito que aquilo. Era pura demonstração de carinho.


“Você cheira tão bem, Anthony!” Edward falou, ainda sorrindo. Ele afundou o nariz na curva do pescoço recém lavado de Anthony, as inspirações eram longuíssimas.


Alice, que estava quieta e meio absorta, saiu de um transe qualquer. “Eu preciso ir, volto para ver vocês amanhã.”


Anthony recebeu um pequeno afago nos cabelos, Edward, um aceno tímido e eu, um abraço caloroso. “Até, Bella.”


No mesmo instante que ela saiu, Dr. Jeremy entrou com uma prancheta em mãos. “Como estão?”


“Tenho dúvidas se eu realmente acabei de ter um filho, me sinto ótima.” Falei sem qualquer hesitação, o médico sorriu meio surpreso.


“O garotinho de vocês também parece ótimo, logo a pediatra virá vê-lo e tirar qualquer dúvida, sim?” Ele falou em tom profissional. “Nenhum desconforto, Isabella? Apenas um sangramento, certo?”


Senti o calor subindo para minhas bochechas, eu me esquecera como era incômodo menstruar e ter qualquer líquido saindo de mim. O médico realmente queria minha resposta, eu acenei positivamente para ele.


“É normal, um resultado da eliminação da placenta, não estranhe se estender por duas semanas.” O tom profissional ainda existia, eu parei de processar quando ouviduas semanas.


“Acho que posso lidar com isso.” Falei por fim, nenhum pouco animada com o prognóstico.


“Também não estranhe esta confusão que você, provavelmente, está sentindo. É completamente normal, seu corpo está sendo bombardeado por hormônios e tem muita coisa acontecendo, não é?” Dr. Jeremy perguntou me olhando e, talvez, olhando para Edward.


“Obrigada pela preocupação, estou bem e meu bebê é um poço de calmaria.” Falei com sinceridade, vendo-o caminhar até Edward.


O médico passou a mão nos cabelos loiros de Anthony, sorrindo de um jeito que nunca vi. “Ele é uma graça, parabéns a vocês.”


Um pouquinho de cabelo ficou nos dedos dele, ele olhou para os fios claros. “Ele ainda vai trocar toda essa cabeleira, vai cair nos próximos meses e, com certeza, escurecerá um pouco. Memorizem cada detalhe, pois esse bebezinho ainda vai mudar muito.”


Estremeci de um jeito bom, aquilo significava que Anthony estava crescendo, mas, por dentro, pedi que o processo fosse bem lento, eu não queria perder um segundo da vida dele.


Quando o homem de jaleco saiu, Edward correu os dedos pelos cabelos, o rosto era pura dúvida, eu desviei prontamente o olhar que ele me deu.


“Seria bom termos algumas fotos, não acha? Bom, nós registramos tudo quando Anthony estava em sua barriga...” Edward exalava hesitação, era como se já esperasse uma negativa minha.


E, em momentos como aquele, eu daria tudo para saber quem Edward era. Se o papai e homem atencioso, ou o homem que brincava com o coração de qualquer uma. Porque, nada era mais doce que aquele pedido. Edward não perdia a oportunidade de me fotografar, seja quando eu estava arrumada, fazendo pose ou quando me encontrava descabelada e de mau humor.


Olhei para minhas roupas, um pouco de leite regurgitado em meus ombros, cabelos suados e rosto cansado. Meu filho estava lindo e cheirando bem, ele merecia uma mãe mais bonita.


“Depois do banho, Edward.” Falei e voltei a me deitar na cama, bebericando um pouco do chá gelado e mastigando torradas.


Edward estava imóvel no meio do quarto, era fácil dizer que ele estava um adjetivo acima de surpreso. Ele piscou e correu um olhar em Anthony. “Ele dormiu.”


As poucas horas com Anthony me revelaram muito sobre os hábitos dele. Não existia um padrão, mas ele sempre mamava, dormia e ficava pouquíssimas horas acordado. Entre cada atividade, ele sujava as fraldas, de um jeito nojento.


“Coloque-o aqui.” Falei e dei espaço para que Edward o colocasse ao meu lado.


Surpreendendo-me, Edward sentou na poltrona que era, por excelência, dele. Eu o olhei curiosa, mas não obtive nenhuma palavra a princípio.


Edward aconchegou Anthony nos próprios braços, com zelo e um sorriso fácil nos lábios. “Durma, bebezinho.”


Fora a minha vez de piscar incrédula, não tirei meus olhos da cena. Meu bebê parecia terrivelmente tranqüilo nos braços fortes e, ao mesmo tempo, delicados e protetores. Edward também não tirou o olhar de cima de Anthony, derramando amor sobre o pequeno garotinho.


O silêncio não era pesado, mas não podia ser classificado como agradável. Liguei a televisão e me concentrei no noticiário, o repórter falava sobre acidentes de trânsito, homicídios e todas aquelas coisas tristes.


E aquilo tudo convergia meus pensamentos para Edward, o bombeiro que amava o que fazia. Ele estava com os olhos fechados, mas não dormia, pois a mão grande brincava com a mão pequenina. A postura era quase relaxada, contudo, a tensão exalava pelos poros dele.


Quando percebi que eu estava o olhando por tempo demais, decidi tomar um banho. Minha bolsa tinha tudo o que eu precisava, produtos para o cabelo e roupas limpas, escolhidas por Edward, também.


Ele era um homem e, por seguinte, não soubera escolher nada decente para mim. Perguntei-me o motivo de eu não ter averiguado as escolhas dele. Só tinha vestidos da época em que eu era magra e com a barriga no lugar. Eles eram soltinhos e de tecido fresco, revirei a bolsa e peguei um de malha, azul e sem estampas.


Durante o banho, para minha sanidade, ignorei o estado de meu corpo. Minhas vísceras pareciam soltas, talvez, meu intestino tenha trocado de lugar com meu pâncreas. Tímida e receosamente, encarei minha barriga. A melhor metáfora era compará-la com um balão esvaziando. Não estava enorme, mas, agora, era mole e cheia de gordura. Desci meu olhar, como medo de encontrar uma aberração.


Eu fiz uma inspeção minuciosa. Procurei por suturas, mas elas não estavam em lugar nenhum, mas existia certa vermelhidão e alguns hematomas, mas eles não me incomodavam. Eu pedi para que fosse verdade aquela coisa de lavou, está nova. Agradeci por Anthony ser um bebê pequeno, da cabeça pequena, principalmente.


Entrei no vestido azul, escovei os dentes e penteei meus cabelos. Voltei para o quarto com certa pressa, eu não saberia o que fazer se não visse Edward e Anthony na mesma posição que os deixei.


Tudo estava na santa paz, Anthony continuava dormindo e Edward abriu os olhos em um rompante, a ansiedade escorreu pelos cílios escuros. “Quer as fotos agora?”


A pergunta me assustou, pela intensidade e pelo interesse de uma resposta imediata. Vaguei meu olhar pelo quarto, sem escapatórias. “Pode ser.”


Uma constelação inteira não teria o brilho do sorriso de Edward, eu estava completamente incerta sobre como proceder com aquilo. Nem de longe, seria como as fotos de antigamente.


Edward levantou-se com delicadeza e me deu Anthony. Eu sorri para o beicinho e para o rostinho que emanava calma. Um clique roubou minha atenção, era o iphone idiota fazendo fotos minhas.


Uma pequena vontade de sorrir me ocorreu, eu realmente não sei se o fiz, mas ouvi cliques seguidos. Preferi não tirar meus olhos do rosto de Anthony, mesmo dormindo, ele parecia contente. Eu não teria aquelas fotos tradicionais, sentada na cama, com Edward ao meu lado.


Eu penteei os cabelos de Anthony, colocando-os de lado, mas me arrependi logo depois, ele realmente ficava mais bonito e adorável com os cabelos bagunçados. Edward, durante, as fotos, nunca pedira para eu olhá-lo ou sorrir para a câmera, ela sabia que tais atitudes deixariam tudo estranho e constrangedor.


O choramingo irritado vindo de Anthony nos fez parar com a sessão de fotos, não passou despercebido por mim a pontada de decepção no semblante de Edward. “É melhor vocês descansarem um pouco.”


“Que horas são?” Perguntei por perguntar, a visão da janela me avisa que já era início da noite.


“Quase sete, você deveria dormir, seu corpo deve estar pedindo isto.” Edward disse rapidamente, em tom doce e baixo.


Não que eu estava disposta a concordar com ele, mas o fiz sem reclamar. A cama de hospital era confortável o sono era uma constante incrível. Alguma coisa não me fazia fechar os olhos, não demorei em saber o que era. Eu precisava de Anthony perto de mim.


“Edward, pode deixar Anthony comigo, eu não rolo.” Falei sem olhá-lo diretamente, mas meu pedido foi acatado. Edward deixou um beijo estralado no queixo de meu filho, alguma coisa fora sussurrada de forma baixíssima.


Eu também beijei a testa de Anthony, os olhinhos pareciam pesados e cansados. “Boa noite, amorzinho.” E, se existia algum homem que iria dividir a cama comigo, eu estava totalmente certa que ele seria meu filho.


A última coisa que meus olhos registraram foi Edward tirando os próprios tênis e se acomodando na poltrona. Antes de dormir, Edward olhou para a tela do celular, e sorriu, sorriu como nos velhos tempos.

(...)

POV Edward



O barulho era irritante, eu abri meus olhos com preguiça. Varri meu olhar por todo o quarto, Anthony dormia tranquilamente ao lado de Bella. Era quase dez e eu ainda não dormira nem metade do que o meu corpo realmente queria.


Procurei a origem do barulho, talvez fosse comigo e eu não percebera. Eu me assustei ao perceber que era o bater de dentes de alguém. Anthony não tinha dentes e eu estava bem, então, restou-me Bella.


Relutante e sentindo uma dor fodida nas costas, eu me levantei sem fazer barulho. O quarto estava com as luzes apagadas, então eu me esforcei para ver o que acontecia com Bella; quando eu entendi a situação, senti um medo sem igual.


Bella tremia, como se estivesse sentindo um frio descomunal. Minhas mãos voaram para testa dela, sentindo, assim, o calor e o suor frio. Os dentes batiam e, por vezes, machucavam os lábios cheios e vermelhos. O tremor chegou a mim, mas não era orgânico, era de medo. Medo de perdê-la.


“Bella?” Eu chamei com firmeza, sacudindo-a delicadamente pelos ombros.


O corpo pequeno se remexeu na cama, Bella abriu os olhos, mas ela só exalava confusão. “Está frio, Edward. Muito frio.”


“É febre, baby.” Falei não muito certo de meu diagnóstico. “Eu vou procurar alguém para te ajudar.”


“Fique aqui comigo, por favor.” A voz trêmula e sofrida me pediu, Bella pegou minha mão com força, implorando por minha permanência.


Naquele instante, eu percebi que deveria procurar um médico, o pedido era um sinal claro de que Bella estava delirando e, provavelmente, tendo algum tipo de confusão mental.


Eu realmente aproveitei um pouco da mão dela entre as minhas, eu olhei o enlace, sorrindo bobamente. “Bella, eu não demoro, fique acordada, sim?”


“Mais uma coberta, Edward. Eu vou morrer de frio.” Bella pediu, meio sonolenta e dolorida.


Ignorei o pedido dela e saí atrás de qualquer pessoa de branco. A primeira que avistei no corredor, eu reboquei para o quarto. O médico plantonista não lutou contra minha atitude desesperada.


Ele examinou Bella com certa urgência, mas ele não parecia preocupado. “Só é uma febre, o leite dela está descendo.”


“Uh?” Soltei a pequena interjeição, realmente confuso.


“Vou procurar o Dr. Jeremy, é ele quem a acompanha, não é?” O médico me perguntou rapidamente, já saindo pela porta.


“Edward, não vá embora de novo, fique aqui, eu te peço.” A voz de Bella quebrou o pequeno silêncio, o choro de Anthony também findou a calmaria.


Eu o peguei, existia uma careta no rostinho dele, o choro prosseguiu, era o choro de fome. “A mamãe não está bem, Anthony. Seja paciente com ela, sim, bebê?”


Anthony era uma criança sabida, pois, apesar de estar visivelmente irritado e com fome, ele diminuiu os choros, mas os barulhinhos de mau humor não se dissiparam.


“O papai te entende, filho; sei que é um saco ficar com fome.” Falei baixinho, enrolando uma mecha de cabelo dele em meus dedos.


“Vocês são lindos juntos.” A voz era baixa e cheia de verdade, Bella estava com os olhos fixos em mim, o corpo inteiro tremia.


Eu sorri para ela, permiti-me beijá-la na testa. “Não me iluda, Bella; não me faça pensar que amanhã será mais fácil.”


Não fazia sentido esperar qualquer resposta, Bella estava delirando e queimando de febre. Dr. Jeremy passou despreocupadamente pela porta. “Oi, Edward!”


A calma dele nunca seria compreendida por mim. Eu acenei com minha mão livre para ele. “Bella não parece bem.”


O médico lançou um olhar clínico para Bella, ele também não parecia preocupado com a situação. “O leite está descendo, é normal ter febre. Isabella pode sentir os seios quentes e doloridos, vou ministrar um antitérmico, mas a melhor solução é que dar esse leite ao garoto de vocês.”


Talvez Anthony ficara feliz com a fala do médico, pois o característico biquinho se formou nos lábios dele. “Bebê, cabe a você deixar a mãe sem dor, sim?”


“Bella, linda, amamente nosso filho, sim? Vai ser bom para você e Anthony.” Eu disse a ela, enquanto o médico lhe dava o antitérmico. “Vou lá para fora, depois, volto.”


Os lábios dela tremeram de maneira violenta e as mãos seguram a minha. “Fique,por favor.”


Se eu fosse um pouco mais fodido que o normal, eu teria ficado e visto Bella amamentando Anthony, mas eu sabia que Bella não queria aquilo, ela estava confusa e, com certeza, ficaria irada pela manhã. E eu, de fato, queria o consentimento dela, porém, lúcida e tendo certeza de cada palavra.


Beijei-lhe o punho, estendendo-me até os nós dos dedos. “Você não sabe o que está dizendo, prometo, não demorarei.”


Não deixei que ela tentasse me dizer qualquer coisa, coloquei Anthony ao lado dela, o macacão branco contrastava com a manta azul clara. Os dois se olharam e tudo estava dito.


Eu demorei um tempo razoável fora do quarto, o corredor estava vazio e a máquina de café fez meus olhos brilharem. Não hesitei em ter dois expressos em minhas mãos, eu os bebi sem intervalo, a saciedade não se fez, mas ainda tinha senso e sabia que mais uma caneca me deixaria pilhado.


Ainda com a caneta vazia nas mãos, eu abri a porta do quarto. No meio da penumbra, eu vi Bella ressonando, com Anthony sobre o peito. Meus passos me levaram até eles. Tudo o que eu lera sobre bebês me dizia que era prudente fazê-los arrotar. Anthony estava muito perto de dormir, mas, ainda assim, peguei-o e coloquei a cabeça apoiada em meu ombro.


“Pode sujar a camisa nova do papai, tá?” Meu tom era baixíssimo e meio divertido, eu sabia que existia fraudas de pano em algum lugar, mas eu estava confortável sobre ter um pouco de leite azedo em minhas roupas.


A quantidade era mínima, mas fedia e tinha aparecia nojenta. “Prontinho, Anthony! Que tal dormir pelas próximas seis horas?”


Se Anthony fosse um bebê irônico, ele teria rolado os olhos para mim. Era sabido que ele nos daria noites mal dormidas. “Não me olhe assim, filho. Só estava brincando.”


Ele pegou no sono rapidamente, acomodei-o ao lado de Bella e ajeitei a manta sobre ele. Era engraçado como Bella realmente nascera para ser mãe, ela não rolava e não roncava, Anthony estava perfeitamente seguro ao lado dela.


A proximidade me fez olhá-la, o suor ainda existia na testa tela, mas minhas mãos tiraram qualquer vestígio de umidade. “Ainda me quer por perto, linda?”


A pergunta saiu baixa e fez com meu rosto descesse até o dela. “Eu te amo tanto, Bella. Você não sabe como eu estou chateado com essa merda toda.”


Os lábios estavam perto dos meus, pedindo por meu toque. A vontade de beijá-la como um louco ainda persistia, mas me contive, minha boca moveu sobre a bochecha corada dela, lenta e superficialmente. “Quero tanto entender o que se passa com você, baby. Se isso é medo, raiva, ódio, tristeza... Se é tudo isso junto.”


Quando eu vi, eu já estava quase sobre ela, ocupando um pouco da cama, eu me sentei em um espaço minúsculo. “Eu não sou como ele, Bella; eu não quero te machucar ainda mais.”


Meus dedos se infiltraram nos cabelos macios dela, levei meu nariz para ter um pouco do cheiro. “Você é tão linda, cheira tão bem e, céus, eu amo azul em você.”


O vestido estava no meio das coxas dela, relevando-me a pele alva e delicada. Eu não era canalha a ponto de tocá-la daquele jeito, mas minhas mãos correram pelos braços e cintura dela. “Ninguém nunca arriscaria dizer que você acabou de colocar um filho no mundo, você continua me fazendo babar.”


“Você não me deu a importunidade de te mostrar as fotos, mas, você sabe, você sempre estará linda, nosso bebezinho é tão encantador! Esme vai pular quando vê-lo.” Falei e peguei meu celular no bolso, a proteção de tela me dava uma Bella tímida e com os olhos fixos em Anthony.


“Eu realmente esperava ter uma foto com Anthony.” Confidenciei baixinho no ouvido dela, sorrindo sem fazer barulho. “Eu quero registrar cada dia da vida dele.”


“Vou deixar você dormir, linda. Até amanhã.” Falei por fim, aumentando a distância entre nós. “Te amo.”


Contra minha vontade, voltei para minha poltrona. A mão de Bella ainda estava perto de mim, eu a peguei como se ela fosse uma extensão de meu corpo. O sono não demorou a vir, uma noite sem sonhos, no entanto. Não reclamei, já estava de ótimo tamanho ter a mão de Bella na minha, o calor me fez acreditar que, talvez, tudo daria certo.

(...)

Eu acordei por causa de um leve movimento. Sonolento, eu abri meus olhos, sentindo uma falta terrível dos óculos ou das lentes, mas, mesmo tendo dificuldades, os olhos marrons saltaram aos meus olhos. Bella tentava tirar a mão da minha, mas meu aperto era forte, o que a fez puxar os dedos para fora de minha mão.


Apressei-me para soltar nosso entrelace, esfreguei meus olhos, ganhando tempo. “Bom dia.”


Bella deitou-se no travesseiro, imersa em pensamentos. “O que aconteceu comigo essa noite, Edward?”


“Só um pouco de febre, é alguma coisa com seu leite. Você nos preocupou.” Explique a ela calmamente, tendo ciência que ela não se lembrava de nada.


“Tudo em mim dói, como estar resfriada.” Bella soltou depois de nosso silêncio, revirando-se na cama e encontrando o pequeno embrulho enfeitado com dois olhinhos azuis.


“Bebê, a mamãe estava se esquecendo de você! Como passou a noite,amorzinho?” Bella perguntou em uma voz absolutamente infantil, manhosa e cantada. Ela imitava perfeitamente uma criança minada.


Minha risada preencheu o silêncio da manhã, fora quente, de um jeito que duvidei ter saído de mim. Bella me olhou, com o escarlate cobrindo-lhe as bochechas, ela também estava perplexa, consigo e comigo.


Guiei meu olhar para Anthony, ele parecia absorto em seu mundo recém descoberto. Não havia, no mundo, motivos para eu pedir desculpas, Bella tinha sido engraçada e eu apenas sorri para a situação, nunca, no mundo, ela seria motivo de gozação.


Bella, durante o resto da manhã, não fizera nenhum tipo de contato comigo. Ela estava concentrada em Anthony e em todas as coisas incríveis que ele fazia. Chupar o próprio lábio, enlaçar as mãozinhas e, incessantemente, bater os pés até tirar os sapatinhos.


“Filho, você deve estar com fome, não é? Venha cá, garotinho.” Bella falou, roubando completamente minha atenção. Ela me olhou, o pedido silencioso para eu sair do quarto.


“Oi, Edward!” A voz inconfundível de Rose me fez parar perto da porta.


“Uh, oi?” Devolvi um pouco mais contente. “Entre, daqui a pouco, eu volto.”


Ela me olhou de um jeito estranho, sem entender minha hesitação, eu corri os dedos por meus cabelos. “Anthony está mamando.”


A premissa sanou qualquer dúvida que Rosalie poderia ter, ela soltou um muxoxo infeliz. “Ela vai te entender, Edward. Ela vai.”


Eu sorri para ela, um sinal claro de que eu me agarrava a cada dose de esperança. “Emmett está por aí?”


“Em algum lugar na recepção, com Jasper.” Ela me informou antes de fechar a porta atrás de mim.


No caminho para a recepção, lancei mão de mais café. Emmett conversava calmamente com Jasper, parecia errado interrompê-los, todavia, eles pareciam conversar amenidades.


Jasper foi o primeiro a notar minha presença, ele me deu um aceno breve e sem muita emoção. “Como anda?”


Fodido e maltratado!



“Bem!” Respondi-o calmamente. Emmett cedeu-me um espaço ao lado dele, eu me sentei sem protestar.


“Onde estão os outros, Alice e Jacob?” Perguntei com real interesse.


“Alice está em casa e eu não sei por onde anda Jake.” Jasper me respondeu prontamente, sem sombra de qualquer raiva, mas era certo que ele também não estava confortável para conversar comigo.


“Eu trouxe um presente para Anthony, espero que ele e Bella gostem.” O tom cordial ainda saia da boca de Jasper, eu me virei para ele, encontrando um embrulho pequeno e verde.


A vontade de abri-lo me tomou por completo, era prudente deixar que Bella o fizesse, mas, eu, antecipadamente, abri. A chupeta era divertida, fazia barulho e era colorida ao extremo. Também era um presente singelo.


“Anthony vai amar, nós ainda não tentamos as chupetas.” Falei depois de analisar cada parte do presente dado por Jasper.


Emmett nos deu uma risada estrondosa. “Eu preciso comprar presentes para esse menino, me sinto um pouco atrasado.”


Eu bati-lhe no ombro, sorrindo também. “Não tente comprar meu filho, Emm!”


O calor da tarde não era ruim, todavia, deixava meu bebê irritado e inquieto. Bella parecia indecisa sobre o que fazer para acalmá-lo. Anthony estava limpo e tinha acabado de mamar, então, aquilo era manha, ele só queria mimo. Os braços de Bella moviam-se de um lado para o outro, o balançar era suave, mas não era o suficiente para deixar Anthony mais confortável.


“Quer me dá-lo?” Perguntei baixo e incerto, dei dois passos, quase ficando ao lado de Bella.


Ela me olhou, curiosa e com ar de superioridade. “Ele está ótimo comigo.”


Eu tinha todos os motivos para replicá-la, mas, acovardando-me, eu assenti, desfazendo os dois passos e voltando para minha posição original. “Sim, ele está.”


Um segundo depois, Anthony nos deu choros seguidos e estridentes, como se protestasse por algo. Bella não mascarou o olhar preocupado, ela me olhou timidamente, por trás do ato, existia um pedido. Ela me estendeu os braços, o garotinho vestido de verde veio para mim.


“Então você é um garoto temperamental? Não seja, ok?” Perguntei baixinho, o choro ainda era bem mais alto que meu tom. “Eu sei, bebê, o sol é quente, mas fazer o que? É verão, o dia está bonito lá fora.”


Gradualmente, o choro quase irritante diminuiu. Minha voz, que antes conversa com meu filho, passou a cantar para ele, de modo praticamente inaudível, eu sussurrei uma letra conhecida por Anthony. A mesma que eu sempre cantava para Bella, ainda grávida, quando ela estava sem sono.


Não que Anthony tivesse dormindo, mas ele parecia calmo e mil vezes menos estressado. “Gosta de música, Anthony? Eu posso me transformar em um cantor para você.”


Demorei a perceber, mas Bella tinha os olhos fixos em mim, o brilho existia, mas não era o que eu gostava, eles brilhavam pela umidade. Em um ato rápido e preciso, ela levou as costas das mãos para secar os cantos dos olhos, não me dando tempo para qualquer questionamento.


“Vou arrumar nossas coisas, Dr, Jeremy deve nos dar alta daqui a pouco.” A fala foi atropelada e a voz, estrangulada.


Bella parecia alheia ao mundo, ela arrumava as bolsas e separava uma roupa limpa para Anthony. A roupinha amarela e um tanto retro destoou sobre a toalha branca. Perguntei-me o que ela queria com aquele ato.


O médico realmente não demorou a vir. Ele me fez assinar guias e mais guias do hospital, assim como também me orientou a registrar formalmente nosso filho. Depois, ele instruiu Bella sobre como cuidar de Anthony pelos próximos dias.


“Eu só preciso esperar que Emmett chegue.” Bella disse com falsa displicência, eu sabia que ele não apareceria naquele hospital.


Afinal, quando o carro de Emmett teria uma cadeirinha apropriada para Anthony? Meu carro estava perfeitamente pronto para levar meu filho para casa. Bella não teria como negar.


Duas batidas calmas soaram do outro lado da porta, Rosalie entrou sorrindo para Anthony e para mim. Bella também sorriu. “Cadê Emm?”


“Ele deve estar a caminho.” Rosalie disse calmamente, pegando Anthony de meus braços. “Deus, que roupinha fofa!”


Bella corou todos os tons possíveis de vermelho, ela tentou balbuciar, mas nada saiu de seus lábios, mas ela sorriu timidamente. “Vou me trocar.”


Eu olhei para Rose assim que Bella nos deu licença, a loira me deu um sorriso fácil. “Espero que você saiba interpretar, Edward.”


Quinze minutos mais tarde, Bella voltou em toda sua beleza. O vestido branco, de decote discreto, quase fazia os peitos dela pularem para fora. O tecido caia despretensiosamente pelas curvas dela, parando na altura das coxas e dando muito para minha imaginação.


“Emmett ainda não chegou?” Ela perguntou rapidamente e abriu os braços, para que Rosalie desse Anthony a ela.


Antes que Rosalie a respondesse, um celular bipou. Rosalie atendeu com um sorriso grande. “É Emm!”


A conversa era cheia de doce, Rose fazia caras estranhas e alternava olhares entre mim e Bella. “Isso é péssimo, mô! Por que não avisou antes? Bella ficará chateada!”


Eu sorri de modo discreto, sabendo que Bella estava irada. Eu a encarei, parecendo também confuso. “Será que aconteceu o que?”


“Não sei.” Ela me devolveu sem emoção. Anthony fez um pequeno ruído, talvez de curiosidade.


“Emmett não poderá vir, teve que ir trabalhar.” Rosalie disse com falso pesar, era um fato, ela era boa em mentir.


Soltei meu ar. “Que merda, eim?” A aquilo era tudo que meus talentos para interpretação me deixaram fazer. Pedi para que minha declaração saísse convincente.


Bella pareceu bufar, ela bateu os dedos sobre a bolsa. “Você poderia me levar, Rose?”


“Estou de táxi!” A loira ao meu lado apressou-se para responder. “Desculpe.”


“Vou chamar um táxi, então!” Bella falou calmamente, os dedos dançaram sobre a tela do celular.


“Táxis não têm cadeirinhas, Bella!” Falei mais alto, expondo um ponto irrefutável. “Meu carro tem cadeirinha!”


Os olhos marrons me olharam com irritação. “Você não vai me levar para casa, Edward!”


“Onde estão Jasper, Alice, Carter e Jacob?” Ela perguntou a um passo de gritar.


“Eles pensaram que Emm te buscaria.” Eu falei com rapidez exagerada.


Bella, exasperada e irritada, encarou Anthony, que não prestava atenção em nossa discussão. “Eu não queria fazer isso, sim, amorzinho?” Ela me deu olhar rápido. “Vamos, Edward.”


Um calor bom e reconfortante assolou cada parte mim, eu estava feliz. Bella, com certeza, viu os agradecimentos em meus olhos. “Vamos!”


“Você está certa sobre Anthony Cullen Swan?” Eu perguntei-lhe antes de entrarmos no pequeno cartório.


“Sim.” A afirmativa saiu tímida, mas não estava carregada dúvida, Bella também não me olhou.


A pequena folha digitada dizendo que eu, Edward Anthony Cullen, era o pai de Anthony quase me fez chorar, eu gostava da confirmação, da burocracia, também. O nome de Bella também pareceu trazer um brilho bonito aos olhos dela.


Fazer todas as amarras em Anthony não fora uma tarefa complicada, eu passara muito tempo entendendo como aquela cadeirinha funcionava. No fim, ele estava seguro e confortável. Bella sentou-se no banco de trás, sem tirar os olhos de Anthony.


“Quer passar em algum lugar antes?” A pergunta não fazia muito sentido, mas a necessidade de ouvir Bella era esmagadora.


Ela teve um sobressalto. “Uh, não?”


Eu dirigi calmamente, dentro dos limites, observando cada placa, desviando das ondulações. Sorri, meu filho também me transformara em um motorista mais prudente. Quando vi o sinal amarelo, eu, ao contrário de todas as outras vezes, diminui a velocidade, sabendo que Bella aprovaria tal atitude.


“Eu te ajudo com isso.” Intervir baixinho, vendo que Bella tinha dificuldades em tirar Anthony da cadeirinha.


“Eu tenho que aprender, Edward! Deixe-me fazer isto sozinha.” Ela pediu sem ser grossa, embora as palavras fossem duras.


Ela, depois de alguns minutos, teve Anthony nos braços. Eu peguei as bolsas. O vazio do elevador não foi preenchido com nossas vozes. O número quatro não demorou a aparecer perto dos botões. A porta se abriu, meus passos foram preguiçosos.


Bella revirou a bolsa atrás da chave, o metal fez um barulho estranho entre os dedos dela. “Seja bem vindo, Anthony!”


Permite-me não perder nenhum segundo da cena. A porta entreaberta, me dando uma visão da sala, do sofá que costumava ser meu após os almoços. Bella carregando Anthony, quase entrando em nossa casa, sem olhar para mim, sem se despedir.


“Eu posso ter um segundo com ele?” Minha voz tremeu em cada palavra e um frio desagradável passou por minha espinha, eu não aceitaria uma resposta negativa.


Bella ponderou pelo o que pareceu ser uma eternidade. Ela me entregou nosso filho, que tinha os olhos atentos ao novo ambiente. Nem mesmo se eu procurasse muito, eu teria um pouco de privacidade. Os olhos de Bella não saiam de mim, sentindo a intimidação, escorei-me na parede, trazendo o rostinho de Anthony para perto do meu.


Ele era, sem hesitação, de tirar o fôlego. Anthony piscou lentamente e fez uma caretinha discreta. “Vou sentir sua falta, bebezinho!”


“Cuide da mamãe, sim? Por mim! Você, agora, é o homem da vida dela! Seja paciente também, vai ser tudo novo para vocês.” Minha voz era mais alta que o necessário, quente e, antecipadamente, saudosa.


“O papai tem que trabalhar, mas eu sempre vou vir te ver, ok? Não há como passar um dia sem você, Anthony!” A declaração causou um pequeno beicinho nos lábios pequeninos dele. “Eu sei, filho, essa situação é uma droga.”


“Eu fiz um quarto para você, sim? Espero que goste, sua mãe costuma dizer que é um pedaço do céu, espero que você sinta confortável lá, eu fiz com carinho, filho.” Os detalhes ainda eram claros para mim, pedi para que Anthony realmente gostasse do cantinho dele.


“Precisamos entrar, Edward.” Bella roubou minha atenção, o pedido evidenciava a paciência rasa.


“Eu amo você, Anthony, de um jeito insano. Fique bem, menininho.” Sussurrei, beijando cada partezinha do rosto dele. “Amo você, muito.”


Dá-lo a Bella foi como sentir um pedaço meu sendo amputado. A saudade iria começar cedo, eu o olhei mais uma vez, incapaz de parar de sorrir. “Volto para te ver,filhote.”


“Fique bem, Bella. Não me deixe por fora disto, ok? Você sabe como me encontrar.” Dirigi-me a ela, fazendo cada palavra se transformar em um pedido sincero. Ela me olhou e sorriu, os lábios subiram sem vontade e com uma pitada de indiferença.


“Não se preocupe, Edward. Você será o primeiro a ter ciência.” A vontade era sorrir para a grande mentira que Bella acabara de contar, tudo no rosto bonito denunciava que ela queria dizer exatamente o contrário.



POV Bella


Anthony, para minha felicidade, gostara de nossa casa. Ele me encarava de modo doce, sem soltar meu anelar e mindinho. “Quer conhecer seu lar, amorzinho?”


Levantei-nos de minha cama, preguiçosamente, levei-o para sala. Minha voz era baixinha e soprava contra o rosto encantado dele. Ele não tirava os olhos dos meus, meio enfeitiçado. A cozinha estava limpa, eu sorri instantaneamente. “A mamãe adora cozinhar, sabia? Claro que sabe, não é? Eu já te falei isto mil vezes.”


“Nova Iorque é uma cidade incrível, mas eu não gosto muito, mas você amará, eu aposto.” Falei olhando, de longe, a vista da janela. Meu tom era melancólico, pois ainda sonhava com minha casa em Chicago, com minha vida lá. E eu ainda teria que resolver aquela parte, devolver o dinheiro a Edward.


No primeiro sinal de inquietude, eu coloquei Anthony sobre minha cama. Ele parecia cansado e estressado, resolvi dar algum descanso a ele. “Durma, bebezinho.”


O silêncio do apartamento era, de algum modo, perturbador. Não ousei sair de perto de Anthony, velei o sono tranqüilo dele. Deitei-me perto do corpinho minúsculo, abismada com tanta perfeição e saúde.


“Tudo era mais fácil quando você estava dentro de mim, filho.” Falei baixinho, deixando minhas mãos vagarem pelas bochechas gordinhas dele. “Era mais fácil te proteger.”


“Está tudo tão de cabeça para baixo, Anthony. A mamãe está perdida.” Confidenciei e, no mesmo instante, as lágrimas brotaram em meus olhos. “Só você para me manter forte, obrigada por isso, bebê.”


“Amo você, pequenino.” Cantei baixinho para ele, o cheiro gostoso e de bebê entrou em minhas narinas, era discreto, mas o cheiro de Edward estava ali. “Tudo isso é para deixar a saudade ainda pior, bebê?”

(...)

“Esses são seus avós, Anthony. Renée e Charlie.” Mostrei-lhe a foto, meus pais ainda eram jovens e eu era uma bebê cheia de cabelos escuros.


“Você iria amá-los, seu avô era uma graça.” Anthony apenas piscou e me deu um biquinho adorável, a próxima foto era uma de Esme e Carlisle, sorrindo e felizes. Eu não fiz qualquer tipo de explicação, tampouco, deixei-me ser invadida por qualquer pensamento.


As duas batidinhas na porta me fizeram saltar, era óbvio que era Edward. Ele era extremamente metódico sobre dar duas leves batidas na madeira. “Oi?”


“Entre.” Falei e dei passagem, Edward o fez de modo apressado, com os olhos em Anthony. Ele o tirou de meus braços com delicadeza.


“Ei, garoto! O que me diz sobre seus sete dias de vida?” Edward perguntou com a voz enérgica, eu ainda estava vagando meu olhar pelos cabelos molhados dele.


Estava sendo um dia atípico, pois Edward sempre visitava Anthony pela noite, sempre, depois do trabalho. Ainda era metade da tarde e ele já estava aqui.


“Só vou trabalhar à noite daqui para frente, Anthony é mais ativo durante a tarde.” Edward sanou minha dúvida que não fora externada. “Vai ser das cinco as cinco da manhã.”


“Oh, sim.” Soltei rapidamente, sem saber o que esperar daquela mudança, mas era notório que Edward faria qualquer coisa para ter mais tempo com Anthony.


Nós não conversávamos muito. De tanto ser ninado, Anthony sempre acabava dormindo nos braços de Edward, mas, hoje, meu bebê estava no auge da agitação e, então, me dava um Edward falante e sorridente.


O tempo demorava a passar quando ele estava por perto, a sensação de estar sendo sufocada ainda era maçante. Minha única alternativa era sempre ficar na cozinha, fingindo beber água, tentando não me derreter com as cenas doces que eu presenciava.


“Anthony precisa de uma fralda limpa.” Edward me avisou calmamente, olhando alguma coisa no bumbum de meu filho.


Anthony detestava ficar sujo, então eu fui rápida. Destranquei o quarto azul, o quarto intocado. Eu só ia lá para pegar roupinhas e qualquer outra coisa para Anthony, meus olhos corriam por cada detalhe, fazendo meu coração apertar.


Peguei-o do colo de Edward e o levei para o meu quarto. “Eu posso trocá-lo, se quiser.”


O pedido de Edward soou atrás de mim, ele parecia confuso com meus atos. “Ele deve querer mamar também.”


Era tudo o que eu precisava para manter Edward longe, ele concordou com a cabeça, dando passos tímidos para a sala. “Eu espero.”


Eu era uma boa trocadora de fraldas, nem o mesmo o cheiro terrível me desestimulava. A pequena bunda branca de Anthony estava limpa e cheia de pomadas contra assaduras. O pintinho dele também tinha uma aparência boa, a circuncisão estava quase cicatrizada e a vermelhidão já não existia, mas não poupei a pomada para cicatrização.


“Que tal colocarmos roupas limpas, bebê?” Falei enquanto eu tirava o macacão amarelo pela cabeça dele. O calor pedia o mínimo de roupas, então não pensei antes de vesti-lo apenas com um body de bichinhos e de mangas curtas.


“Anthony, você me deixa orgulhosa, não há bebê mais bonito e calmo!” Falei com meus olhos fixos nele, tendo, como resposta, o mesmo tipo de olhar. “Venha mamar, bebê faminto.”


A boca de Anthony estava perfeitamente em sintonia com meu peito. Já não existia tanto desconforto e eu me perdia no semblante de deleite dele. As mamadas eram curtas, Anthony nunca passava muito tempo em meu peito, por outro lado, ele clamava por mim a cada três horas.


Edward nos esperava no mesmo lugar, sem mostrar impaciência. O familiar calor me preencheu quando ele encostou os dedos em mim, no ato de tomar Anthony pelos braços. Edward fizera um bico para beijar a testa de Anthony, os lábios estralaram na pele de meu filho. “Eu preciso ir, Thony.”


Eu tinha certeza, existia um sorriso genuíno desenhado em meu rosto. O apelido clichê e fofo saiu como música, causando uma serie de reações idiotas em mim. Tentei tirar o sorriso de meu rosto, mas fora impossível. Eu queria chamar meu filho daquele jeito para sempre.


Mal vi Edward colocando Anthony no moisés, que estava em cima do sofá. “Até, Bella. Posso estar aqui amanhã nesse horário?”


“Sim.” Eu lhe respondi com vergonha, sentindo as bochechas esquentarem como brasa.

(...)

A sala de meu apartamento estava cheia de brinquedos, Emmett sorria como uma criança. “Pensei que Anthony poderia gostar, Rose disse que era um exagero.”


Minha risada não fora alta o suficiente para que Thony chorasse, mas meu corpo inteiro sorriu, feliz por Emm ser tão Emmett. “Meu filho ainda é um bebê de colo, mas ele vai adorar esse tanto de cor.”


“Rosalie deve estar quase chegando.” Ele disse depois de um segundo. “Estamos com saudade de seu garotinho fofo.”


Sorri mais uma vez, contente até a alma. “Thony é encantador, ele me trará problemas daqui uns anos.”


“Não me diga que você é ciumenta!” Emm me lançou sorridente e, talvez, presunçoso.


Olhei para Anthony, meu bebê estava alerta e segurando a própria mãozinha. “Só um pouco, não é, amorzinho? Você é perigosamente bonito!”


Minha casa foi enchendo aos pouco, sem qualquer permissão minha. Rose chegara com mais brinquedos, coisinhas fofas e cheias de textura. Alice e Jasper trouxeram eles próprios e uma felicidade sem igual. Perguntei-me se eu estava perdendo algum ponto, não era nenhum dia especial, nem mesmo aniversário de Thony. De qualquer modo, a reunião de amigos era, em absoluto, bem vinda.


Jacob chegou afobado e com um corte diferente, com certeza, Anthony passaria horas examinando os cabelos negros. Carter chegou discretamente, quase assustado com tanta gente, a quantidade de pessoas parecia não estar nos planos dele.


“Deus, seu filho é incrível! Ele até já sorri!” Alice usou toda a capacidade de sua voz infantil, ela estava um degrau acima de feliz.


Minha risadinha saiu de um jeito engraçado. “São só reflexos, Ali! Sem contar, que ele tem que rir primeiro para mim, certo, Thony?”


Ela rolou os olhos e me deu meu filho, o olhar curioso me dizia que ele estava adorando a tarde agitada. Em algum momento, meus instintos de boa anfitriã afloraram e eu decidi preparar algo para comermos. Rose segurava Anthony com delicadeza, longe do fogão.


“Como as coisas estão?” Ela me perguntou, sendo demasiada direta.


Eu bufei enquanto colocava o recheio de frango em cima da massa da torta. “Normais?”


“Quando você vai perceber que Anthony está perdendo um pai maravilhoso?” Rosalie inquiriu, incisiva até o limite. Colocando-me contra a parede.


“Edward vem aqui todos os dias, Anthony não está perdendo nada.” Defendi-me, sem saber qual era o poder daquele argumento fraco.


“Eu desisto de te convencer do contrário.” Ela me disse com resignação, pude ver nos olhos expressivos e azuis uma pontada de chateação.


Não era ciúme, longe disto, mas o jeito que Rosalie defendia Edward era quase... Quase maternal. Ela tinha certeza de cada palavra. Como se ela realmente soubesse cada ato que levou Edward a fazer o que fez. A vontade de perguntar era sobrenatural.


“Isso tem um cheiro bom, Bella!” Jasper nos interrompeu na hora certa. “Torta de frango?”


“É!” Respondi-lhe com pressa, já colocando a travessa no forno e pegando meu filho dos braços de Rose. Quando duas batidinhas chegaram aos meus ouvidos, eu gemi em completa frustração. “Edward chegou.”


Eu abri a porta sem qualquer interesse. Edward carregava um sorriso perfeito, o cheiro de sabonete me inebriou. Eu o olhei, o uniforme de bombeiro estava alinhado e o quepe, nas mãos.


Ele olhava para algum ponto atrás de mim, para a quantidade de pessoas que estava na sala. Apressei-me para respondê-lo. “Eu não combinei nada, eles chegaram, simplesmente.”


“Anthony pode ficar estressado com tanta gente.” Edward falou em tom cordial, mas, por trás, havia preocupação.


Não era raiva, mas uma vontade louca de fazer Edward ficar calado me ocorreu, ele não sabia nada sobre Thony, meu filho amava ver rostos novos. Ele estava contente com as pessoas que estavam visitando-o.


Sem dizer qualquer palavra, dei passagem para Edward. Ele seguiu meus passos parando perto da sacada. Ouvi alguns cumprimentos a ele, mas não era caloroso, a exceção, como sempre, se dava por Emmett e Rosalie.


O passar das horas era acompanhado de uma mistura de emoções. O som das risadas me aquecia, todos não escondiam a felicidade. Anthony passava de colo em colo, ganhando beijos e sorrisos e, por um breve instante, eu ponderei sobre aquilo está sendo uma droga para ele. Procurei Edward pela sala, mas ele estava com a postura rígida, quase paralisada, olhando amorosamente para Anthony no colo de Carter.


“Preciso de mais um pedaço dessa torta!” Rosalie disse divertida, ela saiu do sofá em um pulo.


Ela serviu-se de dois pratos. Existia um pedaço muito grande em um deles, mas Emm ainda comia uma fração generosa. Eu abri minha boca para a próxima atitude dela, em completa surpresa. Rosalie tocou Edward no ombro, tirando-o de um transe particular, depois, ela estendeu o prato para ele, oferecendo um pouco de comida. Coisa que eu não fiz.


Eu olhei descaradamente para a cena, sentindo meu peito perdendo batidas de meu coração, talvez, até vazando um pouco. Edward não desviou o olhar, eu me vi vidrada nos olhos verdes e, estranha e repentinamente, eu quis saber como ele estava se virando, o que ele comia. Eu senti saudades de cozinhar as coisas que ele gostava, cuidar do bebê de cem quilos.


Meus olhos arderam e as lágrimas idiotas quase desceram por minha bochecha. A saudade era um sentimento ruim naquele momento, eu pisquei, deixando a lágrima cair. Discretamente, sequei-a.


Ninguém tinha dado atenção para minha cena, nem mesmo Edward, que encarava Carter. Ele estava nervoso, era óbvio. Um tom rubro cobria-lhe as bochechas e as narinas pareciam ter vida própria. Dilatando e contraindo.


“Dê-me ele, Carter.” A voz firme e impassível tremeu na sala cheia de risos. Era dura, como um diamante riscando qualquer outro elemento.


Carter abriu um sorriso, eu nunca saberia dizer que fora verdadeiro ou não. “Anthony adora ficar comigo, não é, Bella?”


Olhei-o atônita, incapaz de lhe dar qualquer resposta. Pude sentir os olhos de Edward em mim, perfurando-me até a alma. O ar tornou-se escasso e eu respirei fundo, refugiando-me nos olhos quase fechados de Anthony.


“Acho que é hora de irmos.” Alice disse meio pesarosa. “Já tivemos muito de nosso garotinho fofo.”


Internamente, eu agradeci. Todos iriam embora e eu teria um minuto de paz, em que eu colocaria os pensamentos em ordem. Eu os acompanhei até a porta, sorrindo superficialmente para eles, Carter continuou em meu sofá, olhando para frente, quase sorrindo por ter Edward tão nervoso.


Eu estendi meus braços para Carter, ele sorriu antes de me entregar Anthony. Meu filho ressonava tranquilamente, o biquinho enfeitava o semblante doce. “Dormindo, bebezinho?” A pergunta retórica saiu baixinha e cantada.


Meus olhos pegaram os passos apressados de Edward, ele atravessou a sala em menos de três segundos. Ele era um poço de ira e, nem em minhas piores suposições, imaginei vê-lo daquele jeito. Possesso e inconseqüente.


“Eu vou te matar, desgraçado!” Edward disse com a mandíbula cerrada, babando de raiva e tirando Carter do sofá.


O olhar dele só podia ser classificado como perturbado, já Carter estava assustado e pronto para ser abatido. Eu estava sem ação, mas minhas pernas tremularam, incertas sobre qualquer assunto.


Edward golpeou-lhe no rosto, diversas vezes. “Nunca coloque a porra de suas mãos em meu filho, nunca mais!”


As investidas eram ininterruptas. Os punhos fechados machucavam o rosto de Carter, o sangue tingiu as mãos de Edward, depois, o chão da sala. Quando Edward deixou que o corpo de Carter caísse, eu paralisei. Ele estava desacordado e perdendo sangue, mas Edward não parava, abrindo uma seqüência de chutes na altura do estômago do corpo impotente.


“Edward, pare!” Eu pedi entre o que pareceu ser lágrimas e soluços. “Por Deus.”


Ele me ouviu e sorriu, distribuindo raiva. “Eu vou matá-lo.”


A fala me estremeceu, eu precisava encontrar uma maneira de fazê-lo parar. “Meu filho não pode crescer sem pai, não há a mínima possibilidade de eu te visitar na cadeia.”


Como em um clique, Edward parou com todos os golpes, ele subiu os olhos para mim. O verde era límpido e tempestuoso. “Ele vai crescer sem mim, de um jeito ou de outro.”


Meu choro sobressaiu a minha voz, aquilo pareceu comover Edward, pois ele ergueu o corpo e limpou as mãos na própria calça. “Eu o odeio, Bella! Odeio o jeito que ele te olha, que ele te toca. Odeio saber que ele colocou os dedos em Anthony. Sabe o que é pior? Eu uso o mesmo artifício que ele. Ficar com Anthony é a única maneira de estar perto de você.”


Eu engoli meu choro, mas ouvi o de Anthony. Meu bebezinho contorceu-se em meu colo, eu o ninei, sem qualquer sucesso. Eu odiava o pequeno caos.


Edward alternou olhares entre mim e Anthony, apesar de tudo, eu conseguia enxergar o amor incondicional no mar verde e revolto. “Eu amo você, Bella.” Ele disse rápido demais para o meu entendimento. “De um jeito que eu nunca vou ser capaz de amar outra mulher, você me deu os melhores meses de minha vida.”


“Você me deu um filho e, por mais que eu colocasse o céu aos seus pés, eu nunca conseguirei te agradecer por ele. Ele é quem me mantém lúcido, eu o amo e você não tem direito nenhum de julgar isto, julgue-me por tudo, cuspa em mim, mas não julgue o que eu sinto por Anthony, porque você simplesmente não sabe como estou me sentindo.” Eu registrei cada palavra, sem tentar vocalizar nada.


Se Edward estava me dando as palavras, eu estava lhe dando minhas lágrimas. Meus olhos não saíram dos dele, existia a corrente indissolúvel de sempre. Era forte e intenso, como ser pisada por um gigante.


“Não tenha medo de mim, Bella. Pare de pensar que eu vou tirar Anthony de você, só eu sei o quão ruim é ficar sem minha mãe, eu não quero isso para meu filho. Você é a melhor mãe que ele poderia ter, eu realmente fico feliz por sempre encontrá-lo limpo e alimentado, ele é feliz ao seu lado. Eu ainda não sei como tudo ficará daqui para frente, mas eu já tenho planos para todos os finais de semana de minha vida.”


Eu ainda não acreditava que Edward estava se declarando para mim, eu o olhava e tudo parecia vívido. Um pequeno filme do último ano rodou atrás de meus olhos. Anthony chorou desesperadamente, como se pedisse para pararmos com aquela cena.


“Eu sempre vou estar aqui para você, Bella. Você sabe mais que eu, Anthony não foi fruto de uma noite, de um caso. Ele é a representação mais concreta e bonita de que eu sou seu e, querendo ou não, ele é nossa aliança.” Edward falou entre uma respiração curta, ele tremia timidamente, um sinal escancarado de seu nervosismo.


“Você está perturbado.” Eu falei em um fio de voz, arrependendo-me da escolha de palavras. “E sua mão sangra.”


Edward me olhou, existia um pingo de humor nos orbes dele. Ele caminhou para a porta, a postura era de um guerreiro derrotado. “Desculpe por ter dito tudo que disse.”


“Você não queria ter falado nada daquilo?” Perguntei antes de deixá-lo ir. Minha pergunta saiu baixa demais para os ouvidos de Edward, ele passou pela porta.


Antes ele me olhou, derrotado e sozinho. “Claro que não, Bella.”

(...)

Eu agradeci quando Thony pegou no sono, porque meu corpo estava exausto e minha cabeça doía. A madrugada estava quente, o relógio digital marcava quatro e quarenta e nove da madrugada e eu ainda não tinha dormindo nenhum minuto.


Averigüei Anthony, ele estava aquecido e confortável, eu já poderia me entregar ao sono, antes, foquei-me na estação de rádio. Era bom ter alguma voz, eu me sentia menos sozinha daquele jeito, a mulher de voz pontuada narrava um acidente sem vítimas na estrada que dava acesso à Pensilvânia.


Bati minha mão no aparelho e dormi. O sono terminou quarenta minutos mais tarde, com o choro angustiado de Anthony. Sonolenta, eu o peguei e ofereci meu peito, mas ele o recusou de pronto. “Querendo mimo uma hora dessas, bebê?”


Levantei-me e caminhei pelo quarto, lutando contra o sono e balançando meu quadril. “Durma, filhote! A mamãe está cansada.”


Minhas tentativas caíram por terra assim que ele voltou a chorar de modo expressivo. Anthony demonstrava certa irritação e dor, muita dor. Então, eu apavorei.


A primeira reação fora ligar para o hospital, mas eu não encontrava o número. Jasper e Alice não me atendiam, Emmett estava trabalhando e Rose não estava na cidade. Intuitivamente, migrei minhas mãos por de baixo do macacão fino que Anthony usava. Quente como brasa.


Os olhinhos estavam pesados e fundos, resultado do choro incessante. Se um recém nascido tivesse a capacidade de suar, Anthony estaria o fazendo. Caminhei, sem caminho, por meu próprio quarto. Inquieta e querendo chorar.


Preparei um banho morno, meu coração partiu ao ver Anthony tremendo sob a água. “Bebê, é bom para você, sim? Agüente!”


O corpinho delicado parecia menos quente, mas, ainda assim, febril. Eu sabia que em algum lugar daquela casa tinha um termômetro digital. Entrei no quartinho de Anthony e revirei as gavetas da cômoda, na terceira existia uma série de coisas importantes. Termômetro, curativos, pomadas para assaduras, repelente. Tudo gritava que Edward pensara em cada detalhe.


Eu realmente não soube o que fazer quando vi 38.7°C no pequeno termômetro, o chão pareceu abrir sob meus pés. Thony fez barulhos doloridos, pedindo por ajuda.


“Anthony me ajude com isso, por favor! O que você tem?” Supliquei a ele, chorando a ponto de molhá-lo.


Meu imaturo instinto materno me deu a resposta, embora preferisse ignorá-lo, eu sabia que ele estava certo. Aquilo tudo, a febre, a dor era a falta de Edward. Eu não era orgulhosa a ponto de não entender aquilo.


Fazia dois dias que ele não vinha visitar Anthony, a última vez que ele viera, ele deixara Carter desacordado e sem um dente molar. Eu também sabia que era eu a culpada pela situação. Eu conseguira feri-lo de todos os jeitos possíveis.


“Sentindo falta de seu papai, filho?” Questionei-o em tom baixo, em resposta, recebi um choro continuo e um par de olhos cansados.


Minha passividade foi cessada quando meu celular registrou cinco e dez da manhã. Eu não esperaria meu filho piorar para ir ao hospital. Dei-lhe mais um banho morno e o vesti com o primeiro conjunto que vi, enrolei a manta fina no corpo quente.


Não me importei com meu estado lamentável, apenas escovei meus dentes, prendi meus cabelos e entrei no primeiro vestido que vi. Meu estômago pediu por comida, mas neguei o pedido.


Anthony estava encolhido em meus braços, as bolsas pesavam em meu ombro, mas consegui pegar as chaves de meu carro. “Amorzinho, você ficará bem, eu prometo.”


Destranquei a porta do Audi, coisa que eu não fazia há muito tempo, virara um hábito ter Edward dirigindo para mim. O carro dele era o meu carro também. Para minha sorte e surpresa, existia uma cadeira nos bancos traseiros, perguntei-me quando Edward instalara.


As amarras ainda eram um problema, mas eu as fiz depois de dez minutos. Eu iria dirigir, sem me importar com o fato de eu não poder fazê-lo no pós parto. Girei a chave na ignição, uma, duas, três, quatro vezes. Sem êxito em nenhuma delas.


“Merda!” Eu praguejei alto demais, ignorando a criança que iria ser educada no banco de trás.


Eu teria problemas com os táxis, a cadeirinha era um ponto importante. Procurei o número de Carter em meu celular, por um milagre, eu o tinha. Eu desisti depois do oitavo toque. Perguntei-me o motivo das pessoas não acordarem cedo.


Varri meus olhos pelo estacionamento, o Volvo fez meu corpo ter um acesso de esperança e dúvida. Edward seria minha última opção sempre, eu não o queria a par da situação de Anthony.


Tentei, mais uma vez, ligar para Carter, novamente, sem sucesso. Indo contra minhas vontades, trouxe Anthony para o meu colo e subi até o décimo sexto andar. “Eu só estou fazendo isto por você, filho.”


Não sei quantas vezes bati contra a porta de madeira, não fazia sentido tanta demora, pois Edward, provavelmente, acabara de chegar em casa. Sem muitas alternativas, digitei o número dele, eu sabia os dígitos de cor e salteado.


“Oi?” A voz era estritamente sonolenta, ainda assim, rouca e profunda.


Tomei uma respiração profunda. “Abra a porta para mim, Edward.”


Edward, do outro lado da porta e da linha, soltou um barulho estranho. “Mas que porra.” E desligou.


Eu soltei palavrões mais feios, não acreditando que ele achara que minha ligação fosse um trote. Bati na porta com mais força, desesperada para que ela se abrisse logo. “Edward, por favor.”


Anthony também chorou, o que me fez chutar a madeira. “Edward, caralho, abra essa porta!”


Eu ouvi a maçaneta rodando, lentamente, Edward colocou a cabeça para fora. Eu me assustei. As olheiras não eram normais, eram enormes e fundas. Os cabelos pareciam um ninho de um passarinho qualquer. Edward esbugalhou os olhos ao me ver.


“Bella?” Ele perguntou confuso e, estranhamente, gemendo de dor. Entretanto, os olhos verdes brilharam.


Preferi jogar para o inferno minhas conclusões, elas só me diziam que Edward não tinha acabado de chegar do trabalho, mas sim de uma farra completa. Não havia como justificar aquele cansaço.


Soltei a respiração que eu prendia. “Anthony precisa ir ao hospital e meu carro não funciona.”


“O que há com meu filho? Deixe-me vê-lo.” Edward pediu com a voz arrastada, evidenciando certa dificuldade em falar.


“Nada de mais, ele parece inquieto, e só.” Menti rapidamente, Edward não percebera meu blefe, pois ele abriu a porta para mim.


“Eu só preciso vestir uma roupa, sente-se.” Ele disse e caminhou de um jeito estranho para o quarto. A calça de moletom parecia incomodá-lo, assim como a regata branca. Aproveitei para inspecionar o apartamento de poucos móveis, a pia era uma pilha de louças, não existia as televisões, mas, em todos os lugares, existiam fotos minhas. Muitas fotos minhas.


Edward voltou dentro de roupas limpas, a camisa, mais larga que as habituais, desceu até abaixo da cintura. Perguntei-me se a faixa no punho existia desde o início, fiz a mesma pergunta para a que vi escorregando perto do tornozelo dele.


Ele não parecia completamente alerta, Edward se confundiu para pegar as chaves e os passos eram mais hesitantes que tudo. “Eu preciso de meus óculos, não os vejo.”


Ponderei sobre ele estar chapado ou bêbado, as duas hipóteses eram plausíveis, visto que ele realmente parecia ter chegado de uma noitada qualquer, noite que ele dividira com uma puta qualquer, que deu a ele um sexo selvagem a ponto de fazê-lo perder senso de direção e espaço. Eu estava odiando com todas as forças ter vindo pedir ajuda a ele.


Edward colocou os óculos, mas o subterfúgio não o ajudou. “Vamos.” Ele disse baixinho, caminhando atrás de mim, os olhos estavam em Anthony. “O que ele tem, Bella?”


“Só inquieto, talvez sejam as cólicas.” Coloquei brevemente, dando um olhar rápido para o bebezinho que parecia dormir, mas o calor ainda existia e chegava até mim.


“Deixe-me pega-lo.” Edward pediu, apesar do tom confuso, ele estava certo sobre o pedido que fora feito.


Dá-lo a Edward não era uma possibilidade, o estado febril seria percebido por qualquer um. “Ele está dormindo.”


Apressei-me para colocar Thony na cadeirinha, Edward ligou a ignição um par de segundos depois. Ele era letárgico, desde o simples de olhar o retrovisor, até ultrapassar os carros na pista pouco movimentada.


“Isso não está dando certo, dirija, você, Bella.” Edward falou quando parou no sinal vermelho, ele levou tempo demais para perceber que já estava verde. Ele também era um homem sem reflexos.


“Eu não tenho culpa se você ficou bebendo e comendo uma piranha qualquer, Edward.” Vomitei para ele, colocando a raiva que eu sentia como mulher, como mãe. “Seja responsável uma vez na vida, por favor.”


Ele apenas me olhou, os olhos verdes estavam perdidos e cheios de confusão. “Que merda é essa que você está falando?”


Eu sorri, completa e inteiramente irônica. “Não se faça de bobo, dirija.”


POV Edward



Eu quis bater minha cabeça na parede e dar murros em facas, a madrugada estava sendo insuportável. Nem mesmo as brincadeiras de Emm e o semblante menos furioso de Jasper deixavam a noite quente mais agradável.


Meu uniforme tinha os vestígios do último chamado. Um pouco de fuligem no tecido que cobria meu ombro, também existia alguma coisa errada em meu braço, uma dor incessante.


Eu era contra dormir em horário de serviço, mas meus olhos simplesmente fecharam no primeiro sinal de silêncio. O tapa de Emm em minhas costas findou qualquer tentativa de cochilo. “Estão nos chamando, Edward.”


Levantei-me em um sobressalto, o simples recado fizera meu sono dissipar-se. Emmett e Jasper também já estavam a postos. “No Bronx, um incêndio de grande porte.”


E as palavras foram o suficiente para me despertarem por completo, a adrenalina de sempre fez meu corpo ficar em alerta. Eu corri para dentro de tudo que me manteria seguro. O Bronx não era distante. As labaredas eram altas, se não fossem contidas, elas se alastrariam para as outras casas do bairro residencial.


Um estrondo cortou o barulho das chamas, o telhado cedeu sem qualquer dificuldade. Existia um repórter de uma estação de rádio, ele parecia assustado, mas buscava informações com os vizinhos.


“Não há o que fazer, é só acabar com as chamas.” Emmett disse depois de analisar a situação.


“Não há como ter sobreviventes.” Jasper emendou rapidamente, o tom era profissional e sem qualquer tipo de pesar.


Seria, tecnicamente, minha vez de falar, mas um casal desesperado correu para nós. A mulher se derramava em lágrimas, o homem não ficava para trás. Eu enxerguei a culpa nos olhos dos dois. Eu me enxerguei neles.


A mulher me lançou um olhar pedinte e sofrido. “Por favor, salve-os.”


Eu a olhei confuso, mas logo entendi o ponto. O casal, com certeza, deixara os filhos sozinhos e, infelizmente, uma tragédia acontecera. A mulher bem vestida pegou meus olhos, chorando copiosamente. “Por favor?”


“Senhora, não há o que fazer.” Eu falei pausadamente, Jasper e Emm já não estavam perto de mim, eles faziam alguma coisa contra o fogo que se espalhava para o resto do quarteirão.


Uma labareda alta iluminou o rosto do casal. Desespero, culpa e dor. A proporção era igual para cada sentimento. O homem, que apenas chorava, me encarou, analisando minha alma, existia um pedido angustiado por de trás dos olhos castanhos.


“Eles são as pessoas mais importantes de minha vida, eu não aceito perdê-los.” O homem gritou para mim, mas as palavras não eram duras, ele só era um pai desesperado. Aquele homem era eu, de algum modo.


Era como sentir cada parte de meu corpo aquecendo-se, eu não estava me importando muito com as conseqüências, eu já era um homem fodido, um pouco a mais, um pouco a menos, não faria tanta diferença.


“Onde eles estão?” Perguntei alto para eles, recebendo, em troca, dois olhares esperançosos.


“No segundo quarto do corredor, a porta está destrancada.” A mulher falou em pausas, perguntei-me se ela tinha noção do que estava acontecendo, pois, naquelas circunstâncias, já não existia porta nem qualquer outro móvel naquela casa.


Abri passos longos para dentro da casa, a voz do homem me fez cessá-los. “Eles são Carlie e Jordan.”


Permiti sorri, os nomes eram bonitos. O calor me recebeu sem qualquer cumprimento, tudo naquela casa cederia dentro de instantes, o que me dava pouquíssimo tempo. Eu senti minha mão sendo puxada, impedindo meus passos.


“Você não pode fazer isso, Edward! É inconseqüente.” Emm ralhou para mim. “Você vai morrer.”


Eu o olhei, colocando o orgulho que eu tinha em salvar vidas. “São duas crianças, Emm! Eles podem estar vivos.”


“Edward, por Deus, o que vai ser de Bella e Anthony?” Ele perguntou sem tirar os olhos de mim.


A pergunta fez meu corpo tremer e, depois, paralisar. Eu não tinha uma boa resposta, tudo o que eu sabia era que duas crianças precisavam de mim. Lembrei-me de meu garotinho, os olhos azuis brilhavam de um jeito bonito. Eu pedi para que ele tivesse uma vida longa e feliz ao lado de Bella.


“Deixe-me ir salvá-los, Emm!” Eu me desvencilhei do aperto de Emmett, ele não relutou. Ele me olhou, pela última vez.



O calor ainda era uma constante, eu não enxergava muito e lutar contra a fumaça era realmente ruim. Procurei pela segunda porta do corredor, mas ela simplesmente não existia, não havia como diferenciar um cômodo do outro. Tudo era fogo e destroços.


O ar era escasso e meus pulmões faziam de tudo para mantê-lo dentro de mim, as respirações eram curtas e as inspirações quase não existiam. Era fácil saber que eu estava um pouco tonto. Eu corri, o cheiro de carne viva queimando fez-me acreditar que, talvez, eles ainda tivessem chances.


Eu não estava preparado para aquela visão, porque, além de desesperadora, ela era, celestialmente, improvável. Os dois irmãos estavam no canto do quarto, inconscientes, mas com as mãos dadas. As chamas dançavam sobre eles, queimando-os lentamente. Não existiam gritos, nem choros. Os dois estavam conformados com o fim eminente. Eu não era do tipo de pessoa que me conformava.


A vontade de tê-las em meus braços era enorme, eu cortei o fogo e as peguei. Leves como pluma, o casal de crianças tinha, no máximo, quatro anos. A pulsação era defasada, embora o garoto Jordan estivesse mais debilitado, a pequena Carlie praticamente não respirava.


“Seus pais estão esperando vocês, sejam fortes.” Falei. No ato, eu engoli fumaça demais, causando-me tosses e muita falta de ar.


Ergui-nos, confiante que tudo daria certo, eu só precisava sair dos escombros. Tentei, mas minha mente não me dava as coordenadas da saída, eu fraquejei por uma fração grande demais de tempo. Nós estávamos perdidos, no pior sentido possível.


Examinei o espaço, tudo era quente e cheio de fuligem, perguntei-me quando eu me tornara tão relapso. Antes da resposta, eu caí. O fogo pareceu engolir a carne de minhas costas, eu odiava ainda mais o cheiro de minha carne viva sendo queimada.


Naquele instante, a dor física era pior que qualquer outra dor. Minhas costas clamavam por qualquer coisa refrescante, um pouco de água. O fogo também destruiu minha calça, fazendo uma queimadura profunda logo acima de meu joelho. Uma chama se aproximava de meu rosto, com preguiça. Eu fechei meus olhos, disposto a não relutar mais.


Eu tinha plena consciência de minha lucidez, pois Anthony ocupava cada pensamento meu. A melhor parte minha parecia triste, meio desolada. Bella o segurava, também triste, com os olhos longes.


Um barulho ensurdecedor fez meus olhos se abrirem. A última parede caiu ao nosso lado, a poeira subiu e eu decidi lutar. Por mim, pelas duas crianças desacordadas, por Anthony e por Bella. Sem forças, eu me ergui.


Sem qualquer noção de espaço, eu caminhei com as duas crianças. Tropeçando nos entulhos, sentindo fogo comer minhas costas. Eu ouvia conversas desconexas, a de Jasper sobressaia.


“Oh, Deus!” Uma mulher gritou, não parecia ser a mãe das crianças. “Ele está vivo!”


Eu caí novamente, agora, sobre onde não tinha fogo. Mãos ágeis tiraram as duas crianças de meu colo. Alguém me olhava, com o rosto em cima do meu, analisando algo que eu não pude identificar.


“Nunca, nunca mais faça isto, Edward! Você demorou tanto, como você pôde ser tão inconseqüente?” O tom parecia com o de Jasper, mas eu não estava certo.


“Tem noção de como Bella ficaria se você morresse? Caralho, você tem um filho, pense nele, porra.” A voz ralhou para mim, mãos tiraram os cabelos de minha testa. “Anthony não saberia viver sem você.”


Eu apaguei. No entanto, eu não parecia ter morrido, pois não vi nenhuma luz branca, muito menos, túnel. Um filme de minha vida também não passou atrás de minhas pálpebras, todavia, eu ainda tinha dúvidas sobre estar vivo.


“Edward, amor?” A voz era doce e sussurrada perto de minha orelha. “Sabe de uma coisa?”



Eu me virei na cama, levando o lençol junto. “Não?!”



“Eu te amo!” Bella disse sorrindo, um segundo depois, minha boca já estava amassando a dela.


“Eu também amo você, Bella. Muito.” Ao contrário de Bella, minha voz era rouca e sofrida.


“Ele está delirando, Emm! Edward precisa ir ao hospital.” Jasper disse exasperado, ele me tocou na garganta. “Ele está febril.”


Meu corpo dolorido e chamuscado retesou, eu não queria hospitais, apenas ir para casa, dormir um pouco, e ver Anthony e, talvez, pedir desculpas à Bella.


“Thony, filhote, coma! É papinha! Eu vou fazer aviãozinho para você, eim?” Eu falei sorridente, Anthony abriu uma gargalhada gostosa, ainda com poucos dentes.



“Nãn, nãn!” Ele balbuciou para mim, pegando a colherinha de minha mão.



Bella apareceu ao meu lado, sorrindo para nós dois. Ela me bateu no ombro. “O que esses homenzinhos estão discutindo?”



“Anthony está tendo problemas com a papinha.” Respondi-lhe com diversão, o bebê gordinho e simpático nos olhava sem desviar. “Não é, filhote?”



Um sorriso grande desenhou-se no rosto de Bella, Anthony abriu os bracinhos para ela, pedindo colo. “Bebê, você está tão pesado! Eu quero morder suas bochechas.”



Eu sorri para Bella, ela corou e me beijou delicadamente. Roçando os lábios úmidos nos meus. “Ele só gosta da papinha de legumes.”



“Como eu pude me esquecer, baby? Onde está a papinha de legumes?” Perguntei, novamente, na voz sofrida. Minha garganta raspava e a sensação era semelhante a ter um caminhão sobre meu peito. Pouquíssimo ar entrava em minhas narinas.


“Edward, você não está bem, vou te levar para o hospital.” Emmett falou pela primeira vez, causando calafrios em mim.


“Eu quero ir para casa e ver Anthony.” Soltei entre um gemido, minhas costas pareciam formigar.


Um silêncio se instalou, mas as conversas pareciam longe. “Edward, fique acordado, por favor.”


“Leve-me para casa, por favor.” Falei, a dor intensificou-se em cada parte de meu corpo. “Eu quero ver meu filho.”


“Ele está delirando, Jasper! E com febre, tem queimaduras também. Não há como deixá-lo ir para casa.” A voz de Emmett era dura, eles conversavam e ignoravam minha presença.


“Eu o levo para casa, Edward sempre sabe se cuidar.” Jasper disse sem pausar.


Eu queria agradecê-lo, mas tosses seguidas não deixaram. Talvez eu tenha dormindo, pois eu acordei no banco de trás de meu carro, com Jasper tirando a chave da ignição. “Quer que eu te leve até lá em cima?”


Olhei-o com confusão, eu só me lembrava do fogo e das duas crianças. “Como eles estão?”


Jasper não entendeu o tópico, apenas me olhou mais incisivamente. “Como Jordan e Carlie estão?”


Um sorriso verdadeiro apareceu no rosto dele. “Vivos! Você os salvou, Edward.”


Permiti-me sorrir também, era bom ser preenchido pelo orgulho e pela felicidade, eles mascaravam um pouco da dor. “Isso é bom, Jasper.”

(...)

POV Bella



Edward bufou de raiva, encarei-o por longos instantes, sem me sentir culpada pelas palavras. Ele continuou a dirigir, o semblante era nada além de irritado. Mal ouvi o rádio sendo ligado, uma música calma deu espaço para uma voz feminina. A mesma voz da madrugada.


“Bom dia, ouvintes. Os termômetros marcam 22°C na cidade Nova Iorque. Temos mais informações sobre o resgate que entrará para a história dessa cidade. As duas crianças continuam sob os cuidados médicos, as queimaduras deixaram seqüelas irreparáveis, mas os boletins médicos nos informam que o quadro delas é estável.” A mulher disse com lentidão, ansiosa para as próximas palavras.


Os lábios de Edward subiram discretamente, o rosto dele era cheio de satisfação, eu quis entender o motivo.


“Nós também temos o nome do bombeiro que fez o improvável. O capitão Edward Cullen, do 25º batalhão de Nova Iorque, lutou contra as chamas e, quando todos acharam que os três estavam mortos, ele ressurgiu, cambaleante e confuso, com as duas crianças nos braços. Não há informações sobre ele, sabemos que, na próxima quarta-feira, ele será homenageado em seu batalhão de origem.”


Não poderia ser classificado como vergonha. Quando outra música calma preencheu o carro, eu apenas desviei meu olhar. O rosto de Edward era ilegível, mas o orgulho despontava nos olhos verdes. Eu, por outro lado, me sentia idiota, precipitada e muito decepcionada comigo.


Assimilei tudo que a voz sem rosto dissera. Edward pegou meu olhar, mas deu atenção para a pista rapidamente. Minha boca moveu-se em um pedido de desculpas, mas nada saiu. Era inegável, eu estava estupidamente orgulhosa de Edward. Eu quis beijá-lo até meu ar faltar.


O celular de Edward bipou sobre o painel do Volvo, ele pegou o aparelho com dificuldades. Um sorrisinho doce se fez logo em seguida. “Oi, mãe!”


A ligação estava no modo viva-voz, então o tom quente de Esme chegou rapidamente a mim. “Edward, você é louco? Acabei de ver na TV! Céus, filho, eu morro de orgulho por você ser meu! Você está machucado? Alguma coisa dói?”


“Tudo dói, mãe.” Edward lhe respondeu, o rosto mostrava o quão relaxado ele ficava com a voz da mãe.


Esme sorriu do outro lado. “Você nunca aprende, não é, Edward? Seja cuidadoso, sim?”


Edward fez um barulho engraçado, algo muito próximo de uma risada baixa. “Vou dar meu melhor, mãe.”


“Tem visto meu netinho, como ele está?” Esme usou um tom abaixo do normal, meio hesitante e ansiosa.


“Estou levando Anthony ao hospital, ele continua uma graça.” Edward disse calmamente, olhando fixamente para mim. “Eu realmente não sei o que ele tem.”


A culpa também me bombardeou, encolhi-me no banco, olhando Anthony pelo espelho. Ele ainda dormia, embora o rostinho delicado denunciasse o desconforto.


Antes que Esme falasse, Edward cortou-a. “Eu te ligo depois, mãe. Vou cuidar de Thony primeiro.”


Eu saí do carro com uma pressa desnecessária, acomodei Anthony em meus braços, discretamente, coloquei minha mão dentro da roupinha dele, o calor persistia. Edward tocou a bochecha dele, sendo doce até o limite. “Ei, bebezinho.”


A emergência pediátrica não estava cheia, um médico velhinho anunciou meu nome e o de Anthony calmamente. Edward pegou as bolsas e me seguiu, andando de um jeito manco.


“Boa dia, doutor.” Edward estendeu a mão para o médico, mas não foi prontamente cumprimentado, pois o velhinho deu uma olhada rápida na ficha de Anthony.


“Você é Edward Cullen?” O médico perguntou sem esconder a surpresa. “Seu nome não saí da boca dos repórteres.”


“Não foi nada muito grande.” Edward falou quase envergonhado, esquivando-se do assunto. “Meu filho não parece muito bem.”


“Ele está com febre de 38,7°C.” Eu revelei baixinho, ganhando um par de olhos verdes assustado.


“Você disse que poderia ser cólicas.” Edward me refutou com velocidade, penetrando os olhos nos meus. “Por que você não me disse?”


Eu não levaria aquela discussão adiante, sentei-me na poltrona do consultório. O médico examinou Anthony com cuidado, mas ele não tirava a dúvida do rosto. “Alguma coisa errada com ele, doutor?” Perguntei baixinho.


“Parece ser idiopática, não é efeito das vacinas, nem nenhuma desordem no organismo dele.” O velhinho disse com uma pontada de afeto. “É aconselhável que ele fique por aqui, há sinais de desidratação.”


Edward pegou em minha mão rapidamente, eu olhei assustada para ele, o enlace se desfez segundos mais tarde. Os olhos dele caíram, os meus estavam da mesma forma. Eu não queria deixar Anthony em observação em um hospital.


Peguei Anthony em meus braços, o médico nos conduziu para a enfermaria, eu não disfarcei a umidade que se acumulou nos cantos de meus olhos. “São pais de primeira viagem, não são? Bebês adoecem com uma facilidade imensa, ele ainda é novinho, o sistema imune ainda é imaturo.”


Eu assenti timidamente, Edward fez o mesmo, mas o aceno foi acompanhando por um gemido de dor. Meus olhos voaram para ele, eu não daria dez minutos para Edward estar dormindo em pé.


“Você precisar de examinado, Edward! Venha aqui.” O médico sugeriu e fez sinal para que Edward sentasse em uma maca. “Tire sua camisa.”


Edward o fez com dor. Aos poucos, o tecido largo me revelava a base da coluna de Edward, cheia de marquinhas e cicatrizes antigas. Anthony remexeu em meu colo, fazendo caretas e biquinhos. “Você vai ficar bem, tá, Thony?”


Uma interjeição de surpresa rompeu minha conversa com Anthony. O médico encarava as costas de Edward com uma expressão torturada. A visão me minha visão nublar e tudo rodar devagar demais.


Existia muita secreção, muita mesmo. A extensão me fez abrir ainda mais os olhos. A queimadura tomava parte dos ombros e das costas. Eu gemi ao pensar na dor que Edward estava sentindo.


“Vou chamar uma enfermeira para limpar e fazer um curativo, você precisa de antibióticos, isso não pode infeccionar. Seu pulso também está ruim?” A enxurrada de perguntas fez com que Edward abrisse um sorriso calmo.


“Eu estou bem, cuide de Anthony, por favor.” Ele pediu, o médico se dirigiu a mim, sorrindo.


“Seu bebezinho vai ficar apenas por algumas horas, vai receber um pouco de soro e antitérmicos, ele é um garoto saudável e cheio de graça, não precisa ficar apreensiva.” A voz do médico saiu cheia de afeto. “Seu marido está pior que o filho de vocês.”


Suprimi minha surpresa, eu sorri completamente sem jeito. A enfermeira loira e bonita limpava o ferimento de Edward, eu queria tiras as mãos dela do corpo dele. Era o meu papel cuidar de cada arranhão que Edward trazia para casa.


“Pode me dá-lo, mãe.” A mesma enfermeira reclamou por Anthony. Eu o entreguei sem a mínima vontade.


Edward veio para ficar ao meu lado, já com os curativos e com a camisa tampando-os. Ele não tirava os olhos de Anthony, as mãos caiam pesadamente ao lado do corpo dele, quase tocando as minhas.


Anthony ainda estava com os olhinhos fundos, com certeza, ele estava com fome, mas não tinha forças para me chorar e me pedir um pouco de sustento. “É melhor você não olhar, Bella.”


A declaração de Edward me fez fazer exatamente o contrário. Meu olhar parou nas mãos da enfermeira, ela segurava um cateter. Eu nunca deixaria aquela agulha entrar em Anthony.


“Não tem uma menor, não?” Perguntei à loira, minhas mãos suaram e eu senti o choro se aproximando. “Thony ainda é um recém nascido.”


“É a menor que temos.” Ela me devolveu calmamente. Edward, sem minha permissão, me abraçou.


Um abraço apertado e aconchegante, meu rosto afundou no peito dele e, mesmo que eu quisesse muito, seria impossível sair dos braços dele. Edward afagou minhas costas, os dedos rolaram para cima e para baixo. “Não olhe, Bella.” Ele disse mais uma vez, um beijo puramente casto foi depositado em meus cabelos.


“Ele ficará bem, confie em mim.” Edward falou baixinho, ainda me abraçando e acarinhando.


As lágrimas vieram com tudo para os meus olhos. “Peça qualquer coisa, Edward; menos isso.”


Edward endureceu com minhas palavras, ele me soltou de qualquer jeito. Vi-o correndo os dedos pelos cabelos, um sinal de nervosismo. O chorinho de Anthony fora desesperado, mas não durou menos de trinta segundos.


“Está tudo certo com ele. Vocês serão liberados no final da manhã.” A loira disse antes de sair.


“Eu vou buscar um café. Thony também deve estar com fome.” Ele apenas me avisou, o caminhar torto o levou para fora da enfermaria.


Ofereci meu peito a Anthony, ele sugou com preguiça. “Filhote, o leite da mamãe sempre foi tão gostoso para você, o que há de errado agora?”


Meu filho herdara os genes da preguiça de Edward, pois ele mamou lentamente, não tirando os olhos de mim. “O que está olhando, amorzinho?”


Eu sorri para a piscadela que ele me deixou. “Flertando comigo, filho? Guarde seu charme para daqui uns anos.”


Quando Anthony largou meu peito, Edward entrou pela porta. Ele sorriu com duas canecas de café em mãos. “Trouxe sem cafeína para você.”


“Eu não te pedi nada!” Falei a primeira coisa que veio em minha mente, uma colocação desnecessária, no entanto.


Edward desmanchou o sorriso que carregava. Senti-o sentando ao meu lado e pegando Thony com delicadeza. “Já está melhor, filhote?”


Ele conversava com meu filho como se eu não existisse. Anthony prestava atenção em cada palavra, em cada expressão feita por Edward. Existia muito amor circulando entre os dois. Os dois se entendiam, eles estavam matando a saudade.


“Filho, você vai me transformar em um maricas se continuar fazendo seu bico fofo para mim.” Edward falou de um jeito engraçado, batendo o nariz no nariz pequenino de Anthony.

(...)

A viagem para casa foi, no mínimo, tumultuada demais. Anthony não parava de chorar, mas nada estava errado com ele. Sem febre, fralda limpa.


Edward também parecia melhor, mais alerta e dono da razão. “Ele está com fome, Bella.”


Não existia a mais remota chance de eu amamentar Anthony com Edward tão perto, eu me odiava por aquilo, mas meu filho teria que esperar chegarmos em casa. “É cansaço, Edward.”


Os olhos endureceram, pela enésima vez na manhã. Edward cravou o olhar firme em minha alma, ele desligou o carro e destravou a porta. “Meu filho não vai ficar com fome por causa de um capricho, Bella.”


Edward bateu a porta depois, me deixando sozinha com Anthony. Os vidros escuros não me permitiam ver para onde Edward tinha ido. Confusa e irritada, eu deitei minha cabeça no vidro, as lágrimas rolaram por minha bochecha. Elas morreram em meus lábios, trêmulos e úmidos.


Anthony chorou mais uma vez, peguei-o da cadeirinha. “Bebê, a mamãe está louca, eu realmente não sei o que estou fazendo.”


Ele, em resposta, pegou meu mindinho. Não era um aperto forte, mas dizia que ele me entendia e que, também, não gostava da situação. “Eu não quero te ver triste, bebê. Eu quero te dar a felicidade do mundo inteiro.”


Os olhinhos acinzentados piscaram para mim. Anthony mamou com a fúria de sempre e eu não pude ficar mais contente. E, entre choros e sorrisos, a mamada terminou e eu não sabia como fazer Edward voltar para aquele carro.


Eu me senti um pouco retardada, mas abriu o vidro e varri meu olhar pela avenida, mas Edward não estava tão longe, ele corria os dedos sobre a tela do celular, encostado na lateral do carro. “Terminamos.”


Edward assustou-se comigo, ele deu a volta e sentou no assento ao meu lado. Não o olhei, mas era fácil saber que os olhares dele estavam em mim. “Precisa passar na farmácia para comprar os remédios para Anthony?”


“Uh, não, eu tive amostras grátis o suficiente.” Respondi-lhe no mesmo momento em que o celular dele tocou. O nome de Esme piscava na tela.


“Não vai atender?” Perguntei ao perceber que Edward não fez nenhum movimento para pegar o aparelho.


Alguma coisa dentro de mim mudou, a falta de resposta de Edward me irritou. Então, eu falei demais. “Você é patético*!”


Edward me olhou de um jeito indecifrável, gélido e nervoso. Os pensamentos dele estavam no passado, um passado que, pelo jeito, era dolorido e obscuro. Eu realmente esperei um xingamento, mas ele não veio, Edward cerrou os olhos, dissipando pensamentos que eu não soube identificar.


Engatei uma respiração curta. “Eu realmente quero que você e sua família patética vá para o inferno.”


“Cale a boca, Bella!” A voz de Edward saiu cortada e, intimamente, machucada. “Faça o que quiser, mas faça comigo, não coloque Carlisle e Esme nisto.”


“Você não faz ideia de como eles estão, então, pare de falar merda.” Ele continuou, mirando meus olhos, externando raiva.


Quando Edward estacionou o Volvo na vaga, eu corri para fora daquele carro, mas ele foi mais rápido e pegou Anthony. O elevador parecia pequeno para nos dois. Um querendo roubar o ar do outro.


Eu dancei a chave entre meus dedos, um sinal para Edward me entregar meu filho. Ele o fez com lentidão. “Fique bem, Thony. Amo você.”


Antes que Edward me desse as costas, Anthony chorou. Um choro desconhecido, forte e cheio de protesto. Ele remexeu em meu colo, como se não gostasse de meus braços. O entendimento me atingiu como um tapa na cara. Anthony não gostava de meu colo.


Meu choro saiu alto, desesperado. Edward me olhou assustado, a raiva deu espaço para uma preocupação sem igual. “O que aconteceu, Bella?”


“Ele gosta de seus braços, Edward. Não dos meus.” Falei entre soluços, as lágrimas rolavam sem inibição.


E, então, eu ganhei outro abraço. Ainda mais apertado e doce. Edward fez milagres para não machucar Anthony, ele me manteve presa ao corpo tonificado dele. “Apenas me escute, por favor.”


“Ele te ama, Bella. Você é a pessoa mais importante do mundinho de Anthony, só você pode nutri-lo, você sabe o motivo de todos os choros dele. Ele nem sabe quem eu sou, eu sou uma novidade. Ele não me olha do jeito que te olha. Anthony só tem olhos para você, linda.”


A voz doce de Edward entrava sem pressa em meus ouvidos, tudo o que eu fazia era me agarrar ainda mais a ele, buscando um pouco de pele, de calor, do cheiro de homem dele.


“Eu não deveria estar te falando isto, mas eu te amo e odeio retrocessos, eu nunca aceitaria te ver tão insegura. Você cresceu tanto, Bella, você não é aquela menina que eu conheci, você é a mãe de meu filho. Não fique hesitante, você será tudo o que Anthony pediu como mãe.”


Edward também buscava cada pedaço meu, os lábios que proferiram palavras doces, agora, dançavam em meu cabelo. Beijando e sussurrando coisas baixas. Nossos olhos se encontraram no instante em que ganhei um beijo na testa.


Minhas lágrimas brotavam e desciam por meu rosto, Anthony apenas resmungava e Edward me dava um sorriso incrível, brilhante e verdadeiro. Os olhos eram límpidos e existia muito amor ali, eu enxergava um pedido de desculpas, uma vontade louca de fazer tudo dar certo de novo.


Edward me beijou de novo, minha testa recebeu uma série de beijinhos doces. “Eu te amo.”


Eu vacilei por um segundo, minhas pernas tremeram e eu quis dizer o mesmo a ele, mas não tive tempo, pois Edward entrou no elevador logo em seguida, deixando-me sozinha e confusa.


Fitei o rostinho perfeito de Thony, meus dedos desenharam o beicinho dele. “O que a mamãe está fazendo, eim, filho?”


Dei meu dedo mindinho a ele, Anthony piscou timidamente, meio sonolento. “Eu também estou cansada disto, amorzinho.” Falei baixinho, perto do ouvido de meu filho. “Cansada de tirar Edward de nossas vidas. Tudo ficará bem, bebê. Eu prometo.”


Olhei o enlace de nossos dedos, mindinho com mindinho. Eu sorri e balancei meu dedo, feliz por Thony não ter me soltado. Tudo ficaria bem. Era uma promessa.


__

*O xingamento nem parece ser tão ofensivo, mas voltem e leiam o capítulo 29, na carta deixada por Sebastian, ele usa essa pejorativa para se referir ao Edward.



Continua...




5 comentários:

LAV RIBEIRO disse...

tão triste...ela se vingou bem dele ela esta sendo cruel....

Jannáyra Menezes disse...

Que triste :'( que orgulho por edward ter salvado as crianças.

Françoise Rodrigues disse...

ain q vontade de bater nela ... chorando akie !!!! <3

rafa robsten disse...

vcs se lembram o q ele fez pra ela no começo, agora ela se vingou,só q agora pior! triste.

Yasmim Oliveiradesouza disse...

A Bela esta sendo muito cruel....Muito orgulho do Ed realmente precisa de uma homenagem..

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