FANFIC - PASSADO DISTORCIDO - CAPÍTULO 42

Olá Amores!!! Hoje vamos curtir o 42° capítulo de "Passado Distorcido". Quer acompanhar a história desde o início?Clique aqui.


Um legado deixado em uma carta. Até onde Edward iria para vingar o sofrimento e a morte de Sebastian? Encontrar aquela mulher, Isabella, era o seu objetivo de vida e o destino a entrega de bandeja.

Porém, as verdades absolutas de Edward se rompem quando os caminhos da vida mostram quem é Isabella. E quem Sebastian foi. Afinal, o passado não é, exatamente, aquilo que sempre pareceu ser.


Autora : whatsername
Contato : kellydomingoss (skype)
Classificação : +18
Gêneros: Romance, Universo Alternativo, Hentai, Drama
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo




Capítulo 42 - Efeito Borboleta.




POV Edward



Por mais que eu tentasse manter bons pensamentos, minha mente traidora me dava cenas ruins e sensações que eram demasiadas intensas para o meu entendimento. Tudo me dizia que, para o meu bem, eu não deveria saber sobre o que era o pesadelo de Bella. Por outro lado, cada parte minha pedia por esta revelação. Eu detestava o dilema.



A noite passada dançava atrás de minhas pálpebras a cada vez que eu piscava. Há tempos que eu não assistia àquele filme de terror, exatamente há oito meses. Eu não sentia nenhuma falta dos gritos, nem do corpo miúdo chicoteando na cama. Meu coração doía por saber que aquela merda estava de volta, atormentando minha Bella.



Doía por ela, por meu filho e, talvez, até por mim. Coisas que eu nunca saberia identificar borbulhavam em meu interior, causando-me dor e uma inquietude sem igual. Era difícil admitir, mas eu sabia que eu não estava pronto para aquele tipo de revelação, indo mais longe, talvez eu nunca estivesse apto a descobri-la.



Um ruído não tão baixo me trouxe à Terra novamente. Era Bella tropeçando em seus próprios chinelos. Tirei minha atenção dos morangos que eu picava e olhei para o outro lado da cozinha.



E lá estava ela, barriguda e com sono, dentro de uma camisa velha minha. Sorrindo feito um anjo, tentando tornar nossa manhã menos estranha e dramática. Eu sorri discretamente, incentivando-a a vir até mim.



Bella não deu nenhum passo, ela encostou-se a porta da cozinha e me olhou por longos instantes, eu ofeguei por causa do sorriso bobo que se desenhou no rosto escarlate. Arqueei minha sobrancelha, pedindo um comportamento menos misterioso.


Ganhei outro sorrisinho, daqueles tímidos e sinceros. “Estou tentando ser sexy, eu sei que estou falhando miseravelmente!”



Soltei a faca de minha mão e sorri amplamente, senti certo desconforto em meus lábios depois. Caminhei lentamente para ela, sem quebrar o contato visual. Minhas mãos avançaram sem minha permissão para a barriga enorme e meu rosto foi, com total permissão, para a curva do pescoço dela. Cheio de cheiro de baunilha.



“Sexy é pouco para você, Bella!” Falei no meio de um sorriso calmo. “Conseguiu descansar? E nosso filhinho?”



Bella soltou um suspiro, provavelmente se lembrando de nossa madrugada turbulenta. “Só foi uma eventualidade, Edward. Nós estamos bem!”



Meu bufar saiu cheio de frustração, o medo de aquilo acontecer mais vezes me dilacerava. “Às vezes eu penso que você não entende como eu odeio essa merda. Eu odeio com todas minhas forças.”



“Não há como eu protelar isto, não é?” Bella perguntou enquanto me puxava para a mesa. Ela sentou-se em minhas coxas e levou os pedacinhos de morango à boca.



Migrei meus dedos para o rosto ainda sonolento. “Acredite, não há uma festa em mim! Eu também estou com medo, mas farei tudo para tirar isto de você.”



Meu discurso fez com que Bella me olhasse intensamente, fitando-me até a alma. “Não se preocupe, ok? Eu fico nas nuvens por saber que você se preocupa tanto comigo e com nosso bebê.”



Busquei os lábios dela e assim percebi que nós ainda não havíamos trocado beijos naquela manhã. Mastiguei o lábio inferior dela e ela fez o mesmo com o meu superior, o gostinho de morango era discreto e convidativo. Ajeitei-a em meu colo e desci minhas mãos para a barriga que abrigava meu neném. O umbigo era um caso a parte, ele estava estufadinho, parecendo uma parte alheia ao corpo de Bella.



Bella sorriu em minha boca, imersa em pensamentos. Abri minimamente meus olhos e encontrei o marrom chocolate transbordando sorrisos. “Está pensando em que?”



Ela tocou meus lábios com a ponta dos dedos, indo, perigosamente, para o meu pescoço e ombros. “Em como você vai ficar carente depois de Anthony nascer, você sabe, eu vou ficar feia e suas mãos só vão tocar em mim depois que meu corpo ficar menos horrível.”



Fingi resignação, Bella repetia aquele discurso sempre que dava. aquela preocupação não chegava a mim, pois, apesar de meu egoísmo, eu saberia dividir Bella com filho. Ele precisaria mil vezes de mais atenção que eu. Ainda existiam minhas mãos, elas sempre me aliviavam, como estava acontecendo nos últimos dez dias. Não que eu estivesse contando os dias em que não tive sexo de qualidade! Oh sim, eu estava!



Camuflei minha risada, joguei um morango em minha boca e beijei Bella, com vontade demais. “Você fala como se eu fosse um viciado.”



“Estão sendo dez longos dias, Edward! Estou com saudades de você.” Bella disse calmamente, embora o rosto cor de tomate evidenciasse o constrangimento.



“Então você também está contando? Se quiser, eu te empresto minhas mãos, uh, elas fazem o trabalho direitinho!” Lancei divertido para ela, eu sabia que ela iria me bater.



Não foi diferente, Bella me deu um tapa estralado em meu ombro descoberto. “Idiota!” Um segundo mais tarde, ela salpicou beijos pudicos na região vermelha.



“Essa coisa de bater e beijar não está ajudando muito, baby!” Falei para ela, usando o máximo de meu charme. Bella costumava dizer que eu era charmoso, eu gostava de acreditar nela.



Antes que Bella me respondesse, Anthony cabeceou exatamente onde estava minha mão, aquele pequeno ato me fazia explanar na felicidade, fazia meus lábios subirem em um sorriso verdadeiro.



“Bom dia, Anthony!” Falei enérgico, tocando toda extensão da barriga volumosa. “Como está aí dentro, tudo certo? Você nos assustou durante a madrugada!”



Bella soltou um gemido e procurou meu rosto. “Você não vai esquecer esse assunto? Estou tentando te distrair!”



Levei meus dedos para as bochechas que estavam um pouquinho maiores. “Quanto antes eu saber, melhor; mas não precisa se apressar, ok? Isso é sobre você, vai ser no seu tempo. Você pode ficar me beijando até quando quiser me dizer.”



“Você adora meus beijos, não é? Eu prometo te beijar sempre, até o fim de meus dias.” Bella proclamou sobre meus lábios, selando-os com os dela.



Eu não disse nada, deixei minha boca movendo contra a dela, beijando e sugando. Minhas mãos faziam uma bagunça no cabelo de Bella, os fios, por vezes, atrapalhavam nosso beijo. Nossos narizes se amassavam e Bella tentava me arranhar nas costas, as unhas estavam curtas e, então, ela não conseguiu arrancar muito sangue.



O beijo indecente demorou a ser encerrado, Bella era quem sempre me buscava para mais. Eu entendia o ponto, ela só queria me distrair, me fazer esquecer o pesadelo idiota. Infelizmente, ela não tivera êxito.



Minha mente ainda me traia, fazendo-me pensar no pior, mas, nem pensando muito, eu conseguia pensar sobre o que poderia ser aquele pesadelo. Eu tinha uma vasta lista de opções, todavia nenhuma delas fazia sentido. Nenhuma seria capaz de deixar Bella tão apavorada.



Bella moveu-se em meu colo, a barriga chocou-se com a minha e ela saiu de meu beijo. “Bebê, seu papai me deixa tão zonza!”



Eu sorri por puro reflexo, passeei com meus dedos pela parte baixa da barriga de Bella, feliz em saber que Anthony ouvia cada conversa que eu tinha com ela. Ele, mesmo sem entender, já sabia boa parte de nossas vidas.



“Filho, eu estou louco para te conhecer, falta tão pouco tempo! Eu quero sorrir para você, dizer que te amo mais que tudo.” Minha voz saiu baixa, quase um sussurro.



O corpo de Bella tremeu em meu colo, ela sorria como um anjo; no mesmo instante, nosso filho me deu uma leve cutucada. A ondulação era discreta, mas forte o suficiente para me levar ao desconhecido. Eu sorri para a barriga branca e grande e, para a felicidade de Bella, sem qualquer marca indesejada. Esperei por mais toques, sabendo que, dali para frente, eles seriam mais esporádicos. Anthony ficaria preguiçoso até o fim da gravidez, preparando-se para o mundo louco que ele encontraria aqui do lado de fora.



A mão de Bella veio descansar sobre a minha, a discrepância de tamanho era enorme. Olhei o enlace, a diferença de proporções só me dizia uma única coisa. Nós éramos bons juntos, eu estava ali para protegê-la de tudo.



“Pensamentos aonde, amor?” Bella perguntou risonha, perto demais de meu rosto.



Beijei-a na bochecha, demorando muito. “Todos em você!”



Ela também sorriu e saiu de cima de mim, uma pontada de descontentamento apareceu no rosto bonito e rubro. “Venha cá!”



Eu saí da cadeira, lutando contra a inércia. Bella parou em minha frente e logo eu a coloquei sobre meus pés descalços. Nossos rostos estavam próximos, a distância curta fez com que os lábios de Bella se colassem aos meus.



“Uh, você pode abrir o quartinho do Anthony para mim? Eu quero ficar lá pra sempre!” Ela falou, ainda com a boca rente à minha. O pedido fora ansioso.



Guiei-nos até a segunda porta do corredor, eu não a trancara, pois já não fazia sentido manter aquele mistério. Bella foi quem girou a maçaneta, sem hesitação, morrendo de vontade. O quarto estava claro, toda luz da manhã incidia sobre o cômodo.



“Tudo é mais bonito à luz natural, parece um pedacinho do céu.” Bella disse baixinho, olhando cada detalhe, ela parecia feliz sobre eles.



Estranhei o som que saiu de meus lábios, soava nervoso e hesitante. Eu já não estava tão relaxado, como se eu realmente tivesse ficado calmo naquele início de dia! Bella percebera minha mudança súbita, ela buscou meus olhos e não desviou tão cedo o fitar doce.



Bella brincou com minha mandíbula, beirando a devoção. “Esqueça isso, por favor?”



“Não dá, Bella.” Devolvi com certeza, firme, não querendo mais adiamentos. “Tudo em mim diz que eu não deveria saber, mas eu sei que eu preciso disto.”



“Eu ficaria mais feliz se você ouvisse seu coração!” Bella disse calmamente, talvez cansada de discutir aquele tópico comigo.



Inclinei meu rosto para o dela, sem a intenção de beijar, apenas tentando fazê-la entender ela e meu filho eram minhas prioridades. Minhas mãos seguraram o rosto dela, sentindo o calor característico.



“Bella, meu coração é idiota, não posso confiar nele, eu preciso fazer tudo para te ver bem, te ver sem essa merda.” Expliquei-lhe sem tirar meus olhos do marrom derretido, existia o brilho bonito e certa inquietude.



Ouvi um bufar baixíssimo, quase um choramingo. Bella me pegou pela mão e nos conduziu até a poltrona azul clarinha. Ela me fez sentar e, um segundo depois, já estava sobre minhas coxas.



“Anthony parece tão calmo esta manhã, ele bem que poderia ser tranqüilo assim depois de nascer, não é?” A voz de Bella foi entusiasmada, eu sorri, contudo as tentativas de ela manter o foco da manhã em Anthony estavam me deixando agoniado.



Eu sabia que não adiantaria pressioná-la, seria injusto deixar meu lado egoísta despontar. O pesadelo afligia à ela, não a mim, não diretamente; então seria ridículo fazê-la contar sobre o que era.



“Uh, eu arrumei a bolsa que levaremos para a maternidade, coloquei coisas confortáveis para você e Anthony. Tem o macacão dado por minha mãe, caso você realmente queira colocá-lo em Anthony ao sair do hospital.” Coloquei com despretensão, apenas para não parar de ouvir a voz doce dela.



O semblante calmo deu espaço para uma expressão feliz e orgulhosa, Bella bicou meus lábios, acarinhando-me com afeto. “Te amo por tudo isso!”



Entreabri minha boca, convidado-a. Senti os lábios macios dançando sobre o meus com uma sutileza absurda. Bella levou as mãos para o meu cabelo, o toque rapidamente tornou-se desesperado e eu gemi querendo cada segundo daquele momento.



Minhas mãos voaram para o pescoço dela, eu sabia que Bella gostava de meus dedos em sua nuca, então, ali, eu fiz tudo que podia. Eu usava força demais, provando a mim mesmo que a merda que estávamos atravessando não mudaria nada entre nós. O trepidar de meu coração soou em minha garganta, o que me fez perceber que eu precisava de ar. Relutante, tirei minha boca da dela, os dedos curtos vieram tirar a umidade que acumulou ali.



“Isso foi quente!” Bella disse entre sorrisos atrevidos.



A afirmação ficou sem réplica, talvez pairando sobre nós. Ajeitei-nos na poltrona, de modo que eu ficava com minha cabeça apoiada sobre os peitos enormes dela. Não existia tesão, nem vontade louca de me acabar dentro dela; apenas um anseio de sentir a pele, o cheiro.



Lentamente, eu fui para outro mundo, acelerei o tempo e me vi em Chicago, com Bella e com Anthony em meus braços. Ele era lindo e perfeito. O futuro parecia promissor e eu contava os dias para poder, de fato, vivenciá-lo.



O cheiro, o calor, a textura de Bella só me fazia ir cada vez mais longe, existia o torpor e a sensação de estar absorto me preenchia a cada cena bonita. Cerrei meus olhos, agradecendo por tudo que a vida estava me dando, eu não era o homem mais digno da Terra, eu não merecia tudo aquilo, mas, sendo egoísta, eu não estava disposto a me abdicar de nada.



Doce e repentinamente, as mãos de Bella me fizeram um carinho calmo, ela se dedicou aos meus cabelos, descendo até os ombros. Se eu me esforçasse, eu poderia ouvir o bater do coração dela, visto o silêncio confortável do quarto azul.



Eu queria vê-la, pois nada era mais agradável aos meus olhos que a visão de Bella grávida, carregando o ser mais importante de minha existência. Sem quebrar o silêncio e o momento sublime, tirei-nos da poltrona, coloquei Bella sobre meus pés e, alegremente, nos girei no centro do quarto, sobre o tapete cor de marfim.



Bella me deu um par de olhos arregalados e perdidos. “Uh, fiquei tonta!”



Afaguei-lhe as bochechas, elas aqueciam à medida que meu toque intensificava-se. “Desculpe, não tive a intenção.”



Ela sorriu de um jeito único e deitou o rosto em meu peito. “Não foi ruim, no entanto! É quase como dançar, porém é ainda melhor, como se eu estivesse pisando em nuvens.”



Meu sorriso se formou instantaneamente, beijei-a na testa e permaneci na mesma posição, com uma vontade imensa de parar o tempo, esquecer os problemas e ter uma vida plena. Bella parecia estar longe, o rosto transmitia doçura e certa hesitação. Ela mordeu os lábios um par de vezes, tentando arquitetar uma fala.



Deixei minha mente à deriva, indo e voltando, recordando e planejando. Os cabelos de Bella fizeram cócegas em meu peito descoberto, eu sorri baixinho, causando um sorriso discreto nos lábios dela também.



O silêncio era uma constante e, por incrível que pareça, eu não estava inclinado a quebrá-lo. Migrei minhas mãos para o ventre crescido de Bella, fiz círculos calmos, adorando meu filho, transmitindo o que de melhor eu nutria por ele.



“Não é nada demais, realmente.” Bella disse quase inaudível, perguntei qual tópico ela estava discutindo.



Procurei os olhos marrons, os orbes estavam longes e meio tristes, nostálgicos. A sensação não era a das melhores e, por reflexo, eu tremi e esperei as próximas palavras. Meu coração idiota me dizia que eu odiaria tudo o que Bella estava prestes a dizer.



Bella segurou meu olhar, sem piscar uma única vez. “Sebastian nunca deixaria as coisas ser tão fáceis para mim, ele vivia para isso, para me infernizar.”



O nome me fez prender a respiração, eu senti o característico peso em meus ombros, meu corpo cambaleou imperceptivelmente. Mesmo não querendo, mantive meus olhos nos dela, sem saber o que pensar, sem saber o que esperar da voz calma e indiferente.



“Antes de ele se matar, ele me ameaçou, não sei se pode classificar como uma ameaça, mas é assim que eu vejo. Uma ameaça que sempre está me rondando.” Bella continuou com evidente falta de jeito, eu vi as lágrimas querendo cair. Meus dedos as seguraram prontamente.



“O que ele te disse?” Eu perguntei um segundo mais tarde, minha voz era de uma rouquidão assustadora, eu sequei os dedos úmidos em minha calça, apenas para ganhar tempo.



Bella puxou uma respiração pesada, os cílios longos bateram e, solitariamente, uma lágrima desceu sem pressa pela bochecha dela e, dessa vez, meus dedos não foram tão ágeis.



“Ele disse que alguém viria para acabar com minha vida, me quebrar de todos os jeitos possíveis.” Saiu baixinho, tão baixinho que eu levei tempo demais para entender. E, quando eu entendi, meu mundo desabou.



O pesadelo era a minha chegada. Era o pedido na carta estúpida, o pedido que resolvi honrar. Era eu quem a fazia sofrer todas as noites. O que eu tanto odiava era inteiramente sobre mim. Sobre o homem enviado por Sebastian.



O peso intensificou-se em meus ombros, eu fechei meus olhos, esquivando-me de Bella. Eu não poderia viver com aquilo, não com aquela culpa. Então, eu fiquei feliz quando o peso absurdo me puxou para trás. A última imagem era linda. A barriga brilhava mais que tudo, eu não vi apenas o brilho e as faíscas. Existiam constelações. Tudo o brilho do mundo se concentrava em meu filho.



“Ele era um doente! Como se alguém realmente viesse para me atormentar. Eu disse, é um medo bobo.” Eu ouvi antes de mergulhar no escuro e no silêncio.



POV Bella



Incrivelmente, eu soube manter o controle. Olhei para Edward desacordado no chão, pálido e suando frio. Eu sabia que ele estava exausto, os plantões noturnos e minhas crises estavam sugando toda energia que ele tinha. Mais cedo ou mais tarde, o corpo dele pediria descanso.



Agachei-me para ficar próxima ao rosto absurdamente branco, os lábios estavam quase transparentes. “Edward, amor?”



Eu o chamei mais um par de vezes, assustada com minha calma. Eu deveria estar gritando e chorando. Edward não reagia aos meus estímulos, mas o pulso dele batia normalmente, eu parei com aquela tentativa de ser médica assim que eu comecei a confundir nossas pulsações.



Gradualmente, o nervosismo me acometeu. Talvez não fosse um simples desmaio. Aquela resolução me fez levantar num átimo e pegar o primeiro telefone que vi. O homem do outro lado da linha me instruía, mas nada trazia Edward para mim. Eu queria ergue-lo, mas isto nunca seria possível com uma barriga de oito meses e com um namorado que pesava mais de cem quilos, mesmo que Edward negasse aquela parte.



“Senhora, nós estamos a caminho com o socorro, permaneça calma, ok?” A voz soou profissional e transmitia a dose certa confiança.



Sete minutos e meio se passaram até eu ouvi batidas abruptas na porta da sala. Os três homens e uma mulher baixinha entraram em nossa casa, cheios de equipamentos. Sem dizer qualquer palavra, eu indiquei aonde era o quarto de Anthony.



Os quatros rodearam o corpo de Edward, eu me assustei com a velocidade. Eles incidiram a luz branca nas pupilas dilatadas, os paramédicos não pareciam otimistas.



“Por favor, não é nada de grave, certo?” Eu perguntei baixinho, com medo de atrapalhá-los.



“Ele está desacordado há muito tempo, pode agravar-se para convulsões, ele precisa ir ao hospital, para ficar em observação.” Algum deles disse com a voz mais alta, no mesmo instante, eles colocaram Edward sobre a maca.



“Senhora, você pode vir conosco, se quiser.” Eu quase gargalhei por ele ter colocado aquela condicional na proposta. Era claro como cristal que estaria em qualquer lugar onde Edward estivesse.



Senti certa agitação, eu odiava hospitais e ainda existia meu pequeno Anthony, ele parecia tranqüilo. Agradeci por estar tudo certo conosco. “Uh, eu só preciso trocar minhas roupas e pegar uma bolsa.”



Eu os fiz em uma velocidade absurda. Entrei no primeiro short e permaneci com blusa de Edward, saquei nossos documentos e corri para fora do apartamento.



Edward acordou assim que demos entrada na urgência, mas a consciência durou apenas míseros segundos. Ele cerrou os olhos logo depois. Tanto durante o resto da manhã, como em boa parte da tarde, Edward permaneceu indo e vindo. Ele abria os olhos, exalava confusão e, depois, voltava a dormir como um anjo.



“Filhinho, o papai está tão cansado!” Falei para minha barriga, tocando onde, provavelmente, estava a cabecinha de Anthony.



“Ele vai ficar bem, ok? Logo ele acordará.” Prometi, alternando olhares entre minha barriga e a cama de hospital.



A porta do quarto abriu-se repentinamente, revelando-me o médico plantonista. Ele carregava uma prancheta e um olhar calmo.



“Como estão, Isabella?” Ele perguntou sem me olhar diretamente, fiquei sem saber sobre quem ele falava. Se sobre mim e Anthony, ou sobre Edward e eu.



“Estamos bem!” Decidi deixar aquilo na superfície, a resposta pareceu satisfazê-lo.



“Edward não vai demorar a acordar, ele poderá ficar confuso por causa dos medicamentos, no entanto. No mais, só foi uma queda abrupta de pressão.” O médico me advertiu; eu sorri, pois eu nunca tinha visto Edward sem ser um homem confuso.



“Acho prudente eu aferir sua pressão, não é bom você ter sustos no final da gravidez.” Ele me pediu com gentileza, eu me sentei corretamente e estiquei meu braço.



O médico encarou os ponteiros, sorrindo satisfeito no final. “Você está ótima, seu bebê também parece estar. Qualquer queixa, me avise, ok?”



“Obrigada.” Falei com sinceridade. Esforcei-me para sair da poltrona ao lado da cama de Edward. Dei a volta e abaixei meu rosto, fiquei feliz ao ver o rosto dele mais corado e quentinho.



“Ei, amor!” Minha voz saiu mais um tom acima do normal. “Anthony e eu queremos você.”



Minhas palavras causaram sorrisos em mim, pequei a mão dele e a levei até minha barriga, os dedos fizeram um carinho lento em minha pele. “Seu filho está preguiçoso, Edward.”



Sem aviso prévio, Edward abriu minimamente os olhos, me dando a chance de ver o mar verde. Eu segurei o olhar dele, pedindo que ele não voltasse a apagar. A corrente de sempre se formou, as emoções escorriam pelos longos cílios de Edward.



Ele tentou falar alguma coisa, mas o impedi, colocando meus dedos sobre os lábios dele. “Descanse, ok? Daqui a pouco estaremos em casa.”



“Bella...” A voz cortada me assustou, existia um desespero enorme. “Como Anthony está?”



“Nosso filhote está ótimo, quietinho!” Respondi-lhe com energia, indo ao céu por Edward se preocupar com nosso filho mesmo nas situações mais adversas.



Nem mesmo minha resposta tirou o desespero de Edward, o medo estava ajuntado a esta emoção. Eu sabia que ele estava perdido e confuso, pedi para que os efeitos das drogas logo passassem.



Eu peguei Edward me olhando, analisando minha alma. Era um olhar hesitante e dolorido, na verdade, tudo parecia doer no rosto dele. Inclinei-me a ponto de nossas bocas se tocarem.



“Tem alguma coisa doendo, amor?” Perguntei baixo, indo com meus lábios para a bochecha dele. “Eu sei que você está confuso, logo passa, ok? Você só teve uma queda de pressão.”



Edward não tirou os olhos dos meus e aproveitou para infiltrar as mãos em minha camisa, tocando minha barriga, o toque era inteiramente amoroso, do jeito que poucas vezes vi.



“Eu te amo, Bella. Muito.” Edward disse em tom sofrido, um sussurro. “Nunca duvide disto.”



Bati meu nariz no dele, no processo nossos cílios também se encontraram. “Eu peço o mesmo a você.”



Ouvi uma respiração baixíssima, olhei para Edward e ele ainda continuava me fitando. Arqueei minha sobrancelha, fazendo-o procurar as palavras.



“Nós precisamos conversar, baby.” Saiu decidido, como se fosse um compromisso muito importante.



Acarinhei-o nos cabelos, massageei o couro cabeludo, fiz cara de nojo para o óleo que se acumulou em meus dedos. “Você só precisa ficar quietinho e descansar.”



Uma careta de desgosto despontou no rosto cansado de Edward, tudo ali dizia que ele estava confuso pra caralho. “Ei, pode dormir se quiser, eu preciso assinar sua alta.”



“Fique aqui, Bella, pela última vez.” Ele me pediu com os olhos cerrados e fixos nos meus.



Estranhei a escolha de palavras de Edward, meu coração doeu a cada sílaba dita por ele. “Nunca mais diga isto, sim? Eu não vou sair do seu lado.”



O momento estranho terminou com a entrada do médico, ele sorriu ao ver Edward desperto. Eu dei espaço para que ele fizesse as avaliações necessárias.



“Edward, você já pode ir para casa, ok? Descanse o máximo que você conseguir, você pode estar meio confuso, mas logo isso acabará.” A voz profissional preencheu o quarto, o que fez Edward jogar os pés para fora da cama.



“Edward, você está semi-nu, espere eu pegar suas roupas.” Adverti-lhe com diversão. Edward sorriu fraquinho, sem vontade alguma.



Ele andou vacilante para o banheiro, ele voltou de lá segundos mais tarde com a mesma roupa que ele estava pela manhã. Edward caminhou para o meu lado, sem desviar o olhar de minha barriga. O abraço que ele me deu fez-me ofegar. Fora melhor que qualquer beijo, melhor que qualquer noite que compartilhamos.



Era puro amor, simples assim. Edward me enlaçou com toda a força que ele tinha, tudo em mim se aqueceu, nosso filhote cutucou-nos delicadamente, não querendo ficar fora daquele momento mágico. Decidi não sair tão cedo dos braços de Edward, aninhei minha cabeça no peito dele, o cheiro que eu gostava me inebriou. Eu mal senti os lábios de Edward sobre meus cabelos.



“Eu amo vocês mais que tudo, sempre.” Os lábios se moveram sobre meus cabelos, proferindo as palavras doces.



Eu assenti, feliz por aqueles remédios terem transformado meu namorado em um homem completamente sentimentalista. “Fale de novo?”



Edward ergueu meu rosto, as mãos estavam firmes em minhas bochechas, os olhos nos meus, escorrendo sinceridade. “Eu amo vocês.”



Senti o formigar característico, levei meus lábios de encontro aos dele. O beijo seguiu-se calmo, sem língua, sem desespero. Repleto de boas emoções. “O táxi deve ter chegado, vamos para casa, certo?”



Nossos passos foram lentos. Edward segurava minha mão com força demais, tentando, com aquele aperto, sempre me manter por perto. Eu escorreguei para o banco de trás, sendo acompanhada por ele.



“Quantas horas?” Edward perguntou enquanto olhava para a avenida que parecia correr.



Olhei a tela de meu celular, antes, eu sorri para a foto de proteção de tela. “Ainda não são cinco.”



O caminho até nossa casa foi silencioso, eu mantinha minha mão sobre minha barriga e a mão de Edward brincava com meus dedos. Os olhos vagavam para qualquer lugar, menos para mim.



“Tudo ainda parece estranho para você, amor?” Questionei-lhe ansiosa, precisando muito da resposta.



Ele, repentinamente, ergueu o rosto e me deu a metade de um sorriso. “Eu só quero ir para casa.”



A resposta foi o suficiente para eu estampar um sorriso. “Estamos quase lá.”



Eu abri a porta e dei passagem para Edward, mas ele não a usou, pois senti os braços longos circundando minha cintura enorme. Os lábios amassaram os meus, com urgência, do jeito que Edward sabia que eu gostava.



Era facílimo me entregar aos toques de Edward, minha boca cedeu a ele, fazendo ondas dançarem em cada parte minha. Eu não sabia o que ele queria com aquilo, mas era certo que eu iria com ele.



Os beijos tornaram-se menos famintos, Edward lambia a junção de meus lábios, me provocando. “Deixe eu te mostrar que eu te amo, que eu te quero de um jeito que homem nenhum vai conseguir querer.”



Processei lentamente as palavras, era um convite escancarado. “Edward, olhe para mim.”



Relutante, ele fez o que eu pedi. Nenhuma palavra saiu da boca dele, era a minha vez de dizer tudo a ele.



“Você não tem que mostrar nada, você me ama e eu te amo como louca. Está tudo no lugar.” Repliquei enfática, com a voz não tão firme como eu queria.



“Só me deixe te amar, baby. Eu preciso!” Edward disse, cada letra estava cheia de persuasão.



Ele não me deu tempo para nada, o assalto em meus lábios fora inesperado. Edward era quem ditava nosso ritmo, eu estava muito perto de me entregar de corpo e alma, mas meu lado sensato gritava, ordenando que eu parasse com as investidas de Edward. Ele estava cansado e confuso e eu estava gorda e feia.



Livrei-me dos lábios dele, beijando-lhe o queixo e o canto da boca. Edward traçou um caminho lento até minha orelha, respirando e me fazendo amolecer. “Eu quero te sentir, linda.”



“Eu estou gorda e feia.” Falei com falsa diversão, pois, por dentro, a insegurança estava em um nível elevadíssimo.



Edward me beijou e afagou minha bochecha quente. “É só eu e você, como sempre foi.”



E, então, eu preferi seguir as vontades de meu corpo. Analisei-me rapidamente, nada parecia excitante, eu nem tinha nada de renda e transparência por baixo. A verdade era que nós estávamos sem banho e, com certeza, suados.



Os dedos longos migraram para a região de minhas costas, o toque era quente e cheio de segundas intenções. Edward me pegou como noiva e me levou para nosso quarto.



A cama ainda estava desarrumada, minha queda foi amortecida pelos diversos travesseiros. Edward pairou parcialmente sobre mim, com as pernas entre as minhas, mostrando-me que ele estava pronto para mim.



Os tremores eram crescentes, motivados pelo nervosismo. Era como uma balança, meu corpo queria, eu realmente estava precisando me sentir mulher, receber ondas e mais ondas de prazer. Por outro lado, cabeça e coração, aos poucos, percebiam que alguma coisa estava errada. O erro me beijava no pescoço, eu gemia abafado, decidida a esquecer os questionamentos.



Fazia tempo que Edward e eu não trocávamos carinhos tão íntimos e nossos. Os últimos dias estavam sendo cansativos e minha barriga barrava qualquer tentativa de transformar um beijo em uma foda homérica.



Os toques de Edward me diziam que tudo seria calmo e cadenciado, movi-me sob ele, minha camisa era retirada com maestria, os olhos verdes me fitaram por frações de segundos, me admirando.



“Você é linda!” A voz de Edward morreu no início de nosso beijo, a língua dele vibrou contra a minha e aquilo fez o fogo se espalhar por cada célula que me mantinha viva.



Edward me tocou nos peitos, era como pluma, eu sorri baixinho por saber que ele só queria que eu não sentisse qualquer desconforto. Tentei fazer alguma coisa por ele, levei minhas mãos para os cabelos dourados, puxando os fios com força demais.



Os movimentos seguiam um ritmo absurdo, nós sabíamos qual seria o próximo passo, o encaixe era perfeito. O quarto estava totalmente iluminado, o que me propiciou ver o peito tonificado, eu joguei a camisa dele para o chão.



Minha barriga recebeu os lábios de Edward, ali, ele sugava e deixava beijos longos e, à medida que ele descia, eu fechava meus olhos, lembrando-me como era incrível a sensação de tê-lo entre minhas pernas.



Eu separei minhas pernas sem qualquer pudor, a boca quente demorou em minhas dobras, os dedos abriram caminho para a língua de Edward.



Meus gemidos eram sofridos, pois Edward estava sendo demasiado lento e torturador. Senti o gozo vindo, mas ele nunca se concluía, Edward sempre o retardava. Ele me levava ao topo e depois me fazia voltar ao início. Meu baixo ventre se retorcia, querendo a libertação.



Louca e cheia de tesão, eu segurei a cabeça de Edward entre minhas pernas, ele só iria sair dali depois de me fazer gozar como nunca. Edward entendeu o recado e sorriu, um segundo mais tarde, ele rodopiou a língua em meu nervo duro. Mordi meus lábios, evitando, assim, meus gritos; meus punhos fecharam-se nos lençóis e eu gemi o nome de Edward, minha ação o fez ir mais fundo dentro de mim, a língua bateu no ponto certo e eu vi tudo acontecendo novamente. Os tremores, a escuridão.



Edward me lambeu até não sobrar nada, mesmo mole e tremendo, eu sabia que era minha vez de proporcionar o mesmo a ele, mas, me deixando completamente confusa, Edward findou qualquer investida minha, me beijando delicadamente.



“É só você, Bella.” O tom era de quem estava agoniado, as palavras, por sua vez, eram de quem amava.



Cada parte de meu rosto sentiu os lábios de Edward, minhas têmporas, perto de meus olhos. Eu ouvia palavras sussurradas, Edward era desconexo, mas eu ouvia o quanto ele me amava e o quanto ele era louco por meu corpo.



Assustei-me com o fato de eu estar tão pronta para ele, minha entrada latejava de um jeito gostoso, o calor e a umidade desciam até minhas coxas, eu não poderia esperar mais.



“Edward, amor, eu preciso de você.” Pedi choramingando de vontade, Edward piscou lentamente para minhas palavras.



Aquela seria uma parte estranha, era impossível encontrar qualquer posição confortável. Edward, exalando gentileza e doçura, colocou travesseiros sob meu quadril, ele me tomou de lado sem qualquer aviso.



Meu descontrole foi a níveis estratosféricos ao sentir a extensão de Edward dentro de mim, ele era lento e viciante, não existia um pingo de dor. O corpo dele ondulava contra o meu, causando em mim choques nos lugares certos. O calor ajuntado ao esforço enorme que estávamos fazendo fazia o suor escorrer por nossas peles.



Edward me olhava sob os olhos cerrados, eu pude captar a devoção e o medo, eu quis dizer que tudo estava certo, eu queria tirar a preocupação do rosto dele.



“Eu estou bem.” Falei em um fio de voz, sentindo-o ir mais intensamente contra minha entrada.



O que separava minha boca da dele eram pouquíssimos centímetros, inclinei meu rosto e Edward capturou meus lábios com urgência, as mãos saíram de minha cintura e foram, possessivamente, para minha nuca.



Os lábios amassaram os meus, os dentes prenderam meu lábio inferior e, no mesmo instante, Edward me levou ao desconhecido. Eu não estava indo para um simples orgasmo, era diferente. Era como ir às nuvens e voltar e repetir esse trajeto milhões de vezes.



Olhei para Edward, ele estava perto, lutando para refrear. As investidas em meus lábios eram rudes, mas a dor era gostosa e excitante. Minhas paredes se contraiam em um ritmo insano, fazendo Edward e eu tremer.



“Bella, juntos, por favor.” Edward pediu desesperado, o corpo dele moveu-se sem padrão.



E, então, eu fechei meus olhos e me permiti esquecer o dia estranho. Abracei-o com toda a força que eu tinha. Beijamo-nos como desesperados e Edward corria as mãos por cada centímetro meu, registrando cada pedaço, marcando-me como dele. E eu reconheci aquelas atitudes, esforcei-me para me lembrar de onde elas vinham. Meu corpo tremeu quando a revelação veio. Era como em nossa primeira vez, cheia de silêncios, cheia de hesitação. Eu reconheci o gosto que eu sentia a cada beijo. Era o gosto da despedida.



“Eu amo você, Bella.” Edward disse roucamente, evitando meus olhos. Um segundo mais tarde, nós dois virmos estrelas e perdemos o fôlego.



O torpor me preencheu por completo, minha cabeça estava longe. Busquei os olhos verdes, mas eles focaram em nossas roupas no chão. Eu quis chorar, pois eu sabia que alguma merda tinha acontecido. As possibilidades dançaram em minha mente, eu pedi para que Edward não tivesse desistido de mim, nem de nosso bebê.



Edward colocou meu rosto sobre o peito, os dedos brincaram com meus cabelos. “Durma, bons sonhos, linda.”



Meus olhos acataram o pedido, eu estava exausta para fazer qualquer questionamento, lentamente, eu senti a realidade ficando para trás. Antes, eu fitei o rosto de Edward. Dor e mais dor. Em mim e nele.



“Te amo, Edward.” Falei ainda na linha tênue entre a realidade e inconsciência, pedi sonhos bons e um amanhã completamente diferente de hoje.



POV Edward



A ardência em meus olhos se transformou em lágrimas assim que Bella caiu em sono profundo. Ela estava exausta, eu estava perdido.



Era como estar em um grande e fodido espiral, sem saber onde era o início, muito menos, o final. Encarei o rosto perfeito dela, morrendo de medo do amanhã, eu já me preparava para o pior, no entanto, eu merecia.



Depois de muito tempo, voltei meus pensamentos para aonde eu menos queria. O nome, o rosto de Sebastian estava em cada linha coerente minha. Eu sentia uma raiva descomunal, ele não tinha o direito de foder tanto com a vida de Bella. Ele não tinha o direito de me tirar de quem eu mais amava. Eu não saberia viver sem meu filho.



Uma lágrima gorda desceu por minha bochecha e eu não fiz nada para detê-la. Meu corpo suado escorregou pelos lençóis, meu rosto estacionou a centímetros da barriga volumosa.



“Anthony.” Eu chamei sussurrando, querendo que ficasse atento às minhas palavras.



Minha mão brincou com o umbigo estufado, o calor fluía para mim e o brilho me ofuscava. “Filho, o pai te ama mais que tudo, sim? Nada vai mudar isto.”



Eu simplesmente não queria ter aquela conversa com meu filho, mas, internamente, meu coração dizia que eu precisava daquilo. “Bebezinho, eu vou precisar de você, tudo deu tão errado, Anthony! Sua mãe vai me odiar pelos restos dos dias, o destino foi tão ruim conosco.”



“Bella precisa saber da verdade, eu vou fazer isto por ela e por mim, eu já não suporto isso, então, amanhã, fique quietinho e não nos assuste. A barriga da mamãe é tão gostosa e quentinha, não é? Você não precisa apressar as coisas, sim?” Falei baixinho, entre lágrimas e tremendo. Eu nunca me perdoaria se algo acontecesse com Bella ou Anthony.



Delicadamente, beijei o ventre que eu amava. Meu neném moveu-se repentinamente, minhas reações resumiram-se a sorrir e deixar mais lágrimas escaparem. “Eu não sei como as coisas ficarão daqui para frente, mas eu vou fazer de tudo para estar com você, eu prometo.”



“Sabe, eu nunca pensei que uma pessoa pudesse ser tão ruim, bebê, quando você for grandinho, te contarei tudo, ok? Eu não quero mentir para mais ninguém.” Minha voz embargou miseravelmente no final, as palavras ecoaram no quarto iluminado.



“Eu te amo, filho.” Eu soltei com toda sinceridade que eu tinha, sem vontade alguma, ergui meu corpo.



Prendi-me aos detalhes do rosto de Bella, o nariz arrebitado, a boca cheia e as bochechas vermelhinhas, tudo era mais que encantador. Beijei-a superficialmente, nossos lábios se roçaram e os meus tremeram de um jeito ruim. Perguntei-me se aquele seria nosso último beijo.



“Amo você, Bella.” Falei, ainda beijando-a. “De um jeito louco. Desculpe-me por tudo.”



Deitei-me ao lado dela e nos cobri com o lençol fino, abracei-a como eu fazia todas as noites, mas, diferentemente das noites anteriores, eu não fechei os olhos por nenhum segundo. Eu só esperava pelo dia de amanhã.



POV Bella



A sensação era de ter dormindo por sete anos seguidos, noite calma, sem sonhos, sem pesadelos. Sono não tão revigorante, no entanto.



Rolei na cama, buscando o calor de Edward, minha barriga me impediu prontamente. Eu sorri. “Bom dia, bebezinho!”



Mesmo com sono, notei a ausência do corpo quentinho ao meu lado. Subi meu olhar para encontrá-lo em pé, em frente à cama, de costas. Vestido com jeans de sempre, o contorno do celular sobressaia ao tecido, avistei também a carteira.



Olhei para o relógio, eu não tinha planos para a data, nem mesmo uma consulta com o Dr. Jeremy. Eu não entendia o porquê daquele comportamento. E, então, lembranças da última noite saltaram em minha mente, eu gemi em frustração.



“Edward?” Chamei-o com medo, minha voz talvez não fora alta o suficiente.



Ele virou lentamente, assustado com meu chamado. Eu assustei com as olheiras enormes, evidenciando a noite mal dormida.



“Eu não percebi que você já tinha acordado.” Edward disse sem inflexão, senti falta do sorriso iluminado e do meu beijo de bom dia.



Nenhum passo foi dado em minha direção, os olhos claros estavam fixos e algum ponto atrás de mim, eu segui o olhar e descobri que ele encarava o apanhador de sonhos, as pernas se moviam esporadicamente.



“Vocês estão bem? Nada de pesadelos?” Ele me questionou, eu vi a curiosidade preenchendo todo o cômodo.



Encolhi-me na cama, tendo a sensação de que nada estava no lugar. Tudo fora dos eixos. Lembrei-me da última vez que Edward agira estranho comigo, eu tremi por me lembrar que aquele comportamento culminou com ele me deixando.



“Nós estamos bem, sem o pesadelo. Você não vai vir dar bom dia ao seu filho?” Perguntei sem rodeios, segurando as lágrimas.



Edward caminhou para mim, ele abaixou até ficar na altura de minha barriga. Os lábios tocaram minha pele, cheios de amor. “Bom dia, filhote!”



Esperei pelo meu beijo, mas Edward voltou para a posição inicial. Ele correu os dedos pelos cabelos, um sinal de nervosismo. “Nós precisamos conversar, baby.”



Minha mente já tinha registrado aquelas palavras, as mesmas ditas no hospital. Talvez, Edward ainda estivesse sob efeitos dos remédios.



Eu apenas acenei com a cabeça, esperando as palavras dele. Espalmei minhas mãos em minha barriga, Anthony estava quietinho. Edward me deu um olhar nervoso, a troca durou uma eternidade, era um olhar dolorido, surpreendi-me com a intensidade, era como se Edward estivesse me olhando nos olhos pela primeira e última vez.



Ele enfiou as mãos nos bolsos, de longe, eu vi o corpo sofrendo leves tremores. Ele estava nervoso e triste. Eu queria tirar tudo de ruim que ele sentia.



“Bella, eu sou irmão de Sebastian.” Esforcei-me para entender, pois cada sílaba saiu jogada, sem qualquer organização.



Edward ainda tinha os olhos nos meus. Processei tudo lentamente, sentindo o ar ficar escasso. Repeti baixinho as palavras, não acreditando em nenhuma delas. Meu corpo recebeu leves espasmos e eu revivi um passado feio e doido. Minha memória me trouxe imagens nítidas de longos quatro anos. Os toques que eu repudiava, os gritos, a usurpação.



Meu corpo paralisou, entrando em choque. Olhei mais uma vez para Edward, vendo a imagem de Sebastian. Eu não pude acreditar que ele fizera aquilo comigo. Ele sempre soube de tudo e, assim como o irmão, ele só queria me fazer cair. E ele tinha feito pior, me traindo, traindo meus sentimentos, toda a confiança que eu depositara nele.



Tirei meus olhos dos dele, querendo, nunca mais em minha, vê-los. “Saia agora dessa casa. Nunca, mas nunca mesmo coloque os dedos mim novamente, eu não quero ter nenhuma notícia sua, por favor, me esqueça e esqueça meu filho.”



As últimas palavras levaram um sentimento diferente ao rosto dele, podia-se classificar como uma dor insuportável.



“Eu disse para você sair.” Falei mais uma vez, sem olhá-lo. Quando eu o fiz, ele já estava longe, passando pela porta.



Milésimos de segundo mais tarde, eu estava encolhida em minha cama, segurando minha barriga e chorando copiosamente. Era um filme de terror e alguém dava replay todo instante. Todos os sorrisos, toques os toques, cada vez que ele me acalmou, tudo fazia parte de uma farsa, uma enganação. Questionei-me até onde iria o ser humano, como alguém poderia ser tão sem escrúpulos.



Era o ápice da falta de respeito, ele tinha tomado meu corpo, todos os meus segredos, me feito acreditar que alguém me amava de verdade, ele tinha me dado a prova maior de um amor entre o homem e uma mulher. Ele tinha me dado Anthony.



Olhei para minha barriga enorme, meu garotinho não merecia nada daquilo. Senti-me culpada por ter sido tão tola e ter acreditado nele.



“Perdoe a mamãe, por favor?” Pedi entre lágrimas.



Meu choro se intensificava à medida que eu percebia a queda de meus planos. Casamento, casa em Chicago, uma família feliz. Nada daquilo aconteceria. Eu estava sozinha, novamente.



“Alice, eu preciso de você.” Joguei de qualquer jeito, não dando tempo para qualquer cumprimento. Eu desliguei logo em seguida, findando as tentativas de ela prolongar aquela ligação.



Meus pensamentos eram soltos e, quando organizados, eles beiravam a afirmação de Edward. Busquei semelhanças entre os dois, mas nada veio. Lembrei-me de Carlisle e Esme e aquilo fazia meu sangue ferver. Eles eram bons em interpretar.



Ouvi batidinhas na porta, fiz meu corpo sair da cama. Caminhei lentamente até a sala, passando, primeiramente, pela cozinha e vendo minha geladeira cheia da letra de Edward. Senti falta da cartinha escrita por mim e da transferência para Chicago, logo presumi que ele as tinha levado. Edward levara tudo o que era dele.



Eu abri a porta e ganhei uma Alice assustada. Ela me abraçou apertado, do jeito que minha mãe faria. “O que aconteceu, Bella? Você me deixou apavorada.”



Era difícil saber por onde começar, levei Alice para o meu quarto. Ela sentou-se em minha cama desarrumada. “Onde Edward está?”



A pergunta trouxe as respostas que ela queria. Alice me ouviu atentamente e, ao final, ela me deu uma lágrima gorda, os lábios dela tremeram levemente. “Eu o odeio, Bella.”



A afirmação dita em voz firme fez-me piscar surpresa. Alice escolhera as palavras certas, eu assenti veemente. “Apenas fique aqui comigo, eu não quero ficar sozinha.”



Alice me deu um sorriso fraco e me fez deitar sobre os travesseiros, o cheiro de Edward entrou com força total em minhas narinas, aquilo me fez trocar todas as roupas de cama. Eu senti o sono me aplacando, entreguei-me a ele, sem forças.



“Bella?” Ouvi a voz baixa de Alice me chamando. “Eu fiz comida para você.”



Abri definitivamente meus olhos, Alice estava com roupas limpas, olhei-a sugestivamente. Ela apenas deu de ombros. “Vou ficar aqui com você, pelo tempo que você quiser. Jasper me trouxe algumas roupas, uh, eu contei a ele, ok?”



Soltei um som estranho, algo perto de um gemido de frustração. “Eu quero preocupar mais ninguém, Ali.”



Ela desviou o olhar, mas, ainda assim, acarinhou-me nos cabelos. “Ele está tão irado com Edward, tenho medo do que ele possa fazer.”



Pisquei para a revelação, um medo repentino me assolou. “Jasper não seria tão inconseqüente assim.”



“Eu realmente não sei, Bella.” Ela disse por fim, evasivamente.



Peguei a tigelinha das mãos dela, o cheiro lembrava ervilha e, por tabela, lembrei-me que Edward amava o grão. “Eu posso comer outra coisa, teve ter iogurte.”



Alice soltou um muxoxo. “Uh, pensei que você iria gostar.”



Apenas para deixá-la feliz, dei boas colheres na sopa. Estava gostosa e quentinha. Ajeitei-me na cama, colocando travesseiros atrás de minhas costas, deixando meus pensamentos viajarem para longe.



“Espero que não fique irritada, mas eu dei uma espiadela no quartinho de Anthony, está tão doce e fofo!” Alice disse sorridente, os olhinhos brilharam até cansarem.



Um sentimento que eu não soube identificar apoderou-se de meu peito. Lembrei-me do quarto bonito e aconchegante, ele fora fruto do trabalho de Edward, então, instantaneamente, eu já não via tanta fofura e doçura.



Alice percebera a mudança em meu semblante, pois o dela também mudou. “Eu posso te fazer uma pergunta?”



Concordei positivamente, engolindo o resto da sopa. Alice parecia em dúvida sobre a pergunta. Eu sorri fraquinho, incentivando-a.



“Seu sentimento por Anthony não mudou, não é? Bom, digo, ele não tem culpa de nada.” Alice perguntou envergonhada, eu quis bater-lhe na cara.



“Eu o amo incondicionalmente, nada vai mudar. Ele só precisa de mim, Edward não vai fazer nenhum mal ao meu bebezinho.” Falei inteiramente convicta. Eu faria tudo por Anthony.



Meu celular tocou em algum lugar do quarto, descobri que ele estava no chão, perto da cama. Alice o pegou para mim, fazendo uma careta. “É Edward.”



Assustei-me com aquilo. Com certeza, Edward já estava em Chicago, ele sempre fugia para lá. Eu estava muito certa quando disse que não queria nenhuma notícia dele. “Deixe chamar.”



Quando eu percebi que os toques não cessariam tão cedo, decidi dar um fim ao meu celular. Joguei-o em direção ao chão, a tela se transformou em centenas de caquinhos de vidro. O som irritante também se esvaiu. Alice me olhou assustada, embora eu visse certo orgulho no rosto dela.



“O que você quer fazer? Não quero que fique pensando em coisas ruins! Seu bebezinho nem quer nos chutar, ele poderia nos dar um pouco de diversão, não é?” Alice tentou mudar o clima da manhã, eu não sabia como agradecer por ela existir.



Guiei minhas mãos para meu ventre, Anthony se movia hora ou outra, preguiçosamente. “Ele está louco para nascer, Alice! Eu quero tanto conhecê-lo.”



Ela afagou minha barriga, com cuidado demais. “É tão estranho te ver grávida, meses atrás você morria de medo de tudo e de todos e agora você vai ser mamãe.”



Eu a deixei sem resposta, sabendo que aquele não era um bom ponto a ser discutido no momento, a melhor tática era mudar de assunto. “Eu tenho consulta na próxima semana, você e Rosalie podem ir.”



Vi brilhinhos saindo dos olhos dela. “Isso vai ser ótimo, eu sempre tive vontade de te acompanhar.”



Eu sorri apenas para acompanhá-la. “Eu preciso de um banho.” Anunciei e caminhei para o armário, eu o abri e enxerguei a pilha de roupas de Edward. O cheiro era coisa de outro mundo, inebriando e me deixando tonta.



“O que você vai fazer com estas coisas?” Alice me perguntou, eu não percebi que ela já estava ao meu lado.



“Tire tudo daqui, pode colocar na rua.” Pedi, as Calvin Klein de Edward poderiam ser muito úteis a quem precisava.



“Bella, isso é loucura! Ele vai querer as coisas dele, deve ter dinheiro dele aqui, cartão de banco... Os uniformes dele estão aqui, Bella!” Ela me advertiu, estranhei aquela sensatez.



“Alice, eu não quero nada dele, nada que me faça lembrar que ele existiu, você não consegue entender?” Gritei para ela, as lágrima vieram no caminho. A verdade era que eu tentava ser forte e fingir que nada me afetava, mas eu estava mal, sem chão, imensamente quebrada.



“Sabe o que é pior, Alice?” Lancei-lhe ainda aos gritos. “Eu o amo, muito mesmo. E eu me odeio por isso, por ter sido boba, acreditado que as coisas dariam certo.”



“Ele me deu a coisa mais preciosa de meu mundo, eu acreditei quando ele disse que seria um pai incrível para meu filho.” Minha voz ficou sem força no final, o que fez Alice me segurar pelos ombros.



“Bella, fique calma, sim? Pense em Anthony, ele não quer essa avalanche de emoções.” Ela disse, olhando fixamente em meus olhos. “Fique calma, por favor.”



Eu não a vi me sentando na cama e colocando as roupas de Edward dentro de caixas. “Eu vou ligar para Rose, ela vai saber o que fazer com você.”



Deitei-me novamente, querendo permanecer daquele jeito para sempre. Alice mexia em meu armário, eu assistia os pares de tênis sendo colocados em caixas menores, as camisas pólos eram dobradas com precisão. Rosalie bateu em minha porta minutos mais tarde, ela parecia assustada e inquieta.



Ela espalmou a mão em minha barriga, sorrindo. “Como está esse garotinho? Pronto para nascer?”



“Uh, sim! Estamos perto dos nove meses.” Falei também divertida e ansiosa.



Alice nos interrompeu com hesitação. Ela, sem qualquer cerimônia, contou à Rosalie o que ocorrera. A loira, por sua vez, me olhava sem disfarçar, pegando todas minhas reações.



“Edward nunca faria isto, não faz o mínimo sentido.” Rosalie disse enfática, meio pesarosa sobre a parte de Sebastian e o tanto de merda que ele fez comigo.



“Bella, seja racional, ok? Edward daria a vida por você a Anthony, ele não seria tão estúpido a ponto de lhe falar isso apenas para te magoar, você tentou entendê-lo?” Ela me perguntou sem pausar, não me dando tempo de editar minha resposta.



“Não há o que explicar, Rose. Ele é irmão de quem ferrou comigo, isso é bem explicativo, certo?” Devolvi-lhe com desdém, eu não estava me reconhecendo.



Rose bufou, mas pareceu relevar meus modos. “Você mesmo disse que os sobrenomes não são iguais, que Esme e Carlisle são as pessoas mais doces do mundo.”



“Nada justifica ele ter escondido isto de mim, Rosalie. Ele escolheu me enganar por todos esses meses.” Defendi-me com o argumento mais óbvio que eu tinha.



“Então isso é sobre ele não ter te contado, ou sobre ele ser irmão de Sebastian?” A pergunta de Rose foi, a priori, um questionamento simples; mas eu não tive uma boa resposta.



“Eu não sei, um pouco de tudo.” Admiti sem vontade para os dois rostos que me fitavam com curiosidade.



“Bella, por favor, apenas pondere, ok? Não sofra por ser orgulhosa, escute o que Edward tem a lhe dizer.” Rose pediu, sorrindo docemente. “Pense em Anthony, ele quer o pai dele por perto.”



“Eu não o quero por perto, Rose. É diferente.” As palavras saíram sem minha autorização, meu peito doeu a cada letra colocada para fora, uma parte muito grande de mim dizia que eu estava equivocada.

(...)

“Dr. Jeremy costuma ser pontual, é melhor irmos, Alice.” Avisei-a pela milésima vez, Alice pegou a chave de meu carro e saiu pela porta.



“Uh, Jasper disse que Edward ainda está em Nova Iorque, ele não faltou um dia de trabalho.” A voz de Alice quebrou o silencio do elevador. Surpreendi-me com a notícia, aquilo significava tê-lo trabalhando à noite.



O meu silêncio era meu aliado. Eu permaneci com ele até eu entrar no consultório simpático.



“Bom dia, doutor; como está?” Dei minha mão para ele, usando toda minha simpatia.



“Bom te ver, Isabella! Cadê nosso papai, Edward não pode vir?” Ele me perguntou assim que viu Alice ao meu lado.



“Uh, esta é Alice, minha amiga. Edward não virá.” Falei com poucas palavras, pedi para que não pedisse mais informações.



“Prazer, Alice. É uma pena que Edward não pôde vir, ele deveria ficar ciente sobre o trabalho de parto.” Dr. Jeremy disse com real descontentamento, ele me guiou para a poltrona confortável.



O médico atencioso analisou meus últimos exames, tudo parecia certo conosco. Eu me deitei na cama, já com o roupão constrangedor. “Isabella, você já está com trinta e oito semanas e isso significa que seu bebê pode nascer a qualquer momento, sim? É recomendável que você venha semanalmente às consultas.”



Eu suspirei de felicidade, contando as horas para conhecer meu garotinho. Dr. Jeremy me fez olhar para o monitor, o gel deslizou sobre minha barriga e, rapidamente, vi a cena mais bonita dos últimos nove meses.



Anthony estava com os olhinhos fechados, quietinho. As perninhas dobradas e com dedo na boca, dormindo com um anjo. “Jesus, é assustador ver um bebê tão parecido com o pai, não é, Isabella?”



Pisquei para as palavras repentinas, alternei olhares entre o monitor e o médico. Ele estava certo, meu bebê era uma copia fiel de Edward, a ultrassonografia não revelava muito, mas os traços borrados pareciam sair do rosto de Edward.



Alice percebeu meu impasse, ela pegou minha mão e encarou o médico. “Ele é saudável, só isso importa.”



O resto da consulta foi estranho, no mínimo. Jeremy me alertava o quão demorado poderia ser um parto normal, mas ele dizia que seria o melhor para mim, Anthony já estava na posição ideal e ele não era um bebê grande, então o parto normal não seria um complicador.



Ele também falava sobre as primeiras mamadas e sobre a possibilidade de meus peitos vazarem nos próximos dias. Ajuntada às outras recomendações, ele me deu receitas de pomadas para possíveis rachaduras em meus mamilos. Eu pensei que seria mais fácil colocar um filho para fora!



Alice anotava tudo o que o médico dizia, ela fazia caretas e sorria. “Estou repensando a ideia de ter seis filhos.”



Meus olhos saltaram, eu sorri verdadeiramente pela primeira vez em dias. “Seis?”



“Uh, deve ser lindo ver um tanto de bebê correndo pela casa.” Ela disse com o pensamento longe.



Eu fiz a mesma projeção, Anthony seria um exímio corredor, mesmo que ele caísse a cada tentativa. “Eu acho que eu só quero um.”



Ela sorriu ternamente. “Você será uma mãe incrível!”



“Uh, semana que vem eu estarei cheia de coisas para resolver no trabalho e Jasper também estará correndo, mas eu sei que nosso pequeno Anthony vai esperar um pouquinho para vir ao mundo, de qualquer modo, será que você pode ficar sozinha?” Alice me explicou e perguntou em uma voz acelerada.



“Respire, Alice! Não se preocupe, nós estamos bem.” Acalmei-a. Meu neném me cutucou com ânimo, eu sorri. “Não é, menininho?”

(...)

Peguei meu novo celular, a lista de contatos era minúscula, apenas quatro nomes. Jasper, Alice, Rose e Emmett.



Antes que eu ligasse para alguém, o nome de Emmett piscou diversas vezes na tela, eu amava as ligações dele, eu sorria sem qualquer esforço.



“Oi, Emm!” Falei assim que o atendi.



“Eu só queria saber como você está, talvez eu te visite mais tarde, estou de folga e Rose está com raiva.” Ele me disse, risonho com certeza.



“Nós estamos bem, apenas com muita dor no estômago, já tomei o remédio.” Respondi-lhe com detalhes, ajeitei-me na cama, sorri para os meus pés completamente inchados.



“Uh, qualquer mal estar, nos avise, ok?” Emmett repetiu mais uma vez, ele sempre me falava aquelas palavras. Eu gostava do carinho que eu recebia, eu amava saber que ele nunca tocava no nome de Edward.



“Você foi ao médico anteontem, não foi? O que ele disse?” A pergunta fora inesperada, pois ele nunca me fazia aqueles questionamentos clínicos, eu nem sabia que ele sabia os dias de minhas consultas.



Procurei detalhes sobre a minha consulta. “Não tem dilatação ainda, mas Anthony pode nascer a qualquer hora.”



“Isso não te assusta?” Emmett perguntou do outro lado, a pergunta estava cheia de seriedade.



Eu ponderei por um breve instante. “Uh, não. Eu estou ansiosa para vê-lo e, sei lá, me livrar dessa barriga!” Eu sorri mais alto. “Quero dormir de bruços novamente.”



A risada dele foi quente e verdadeira. Eu sorri por ouvi aquele som abafado, a felicidade que não existia em mim, estava nele. “Obrigada por se preocupar comigo, Emm.”



“Eu sei que nada está fácil para você, Bella. Tudo se ajeita, ok? Rose e eu estamos preocupados com essa situação toda.” Ele disse pausando as palavras, sendo sincero até o limite.



Algumas coisas sobre Emmett me faziam admira-lo ainda mais. Ele nunca perguntava sobre Edward, nem sobre o que aconteceu para eu estar naquela situação, mas era óbvio que ele sabia de tudo. Emm nunca ligava para importunar. Ele ligava com piadas bobas e com uma conversa aleatória que nunca nos levaria a lugar algum.



“Obrigada por isso também.” Confessei baixinho, sentindo alguma coisa não identificável mover-se para fora de meu corpo.



Foquei-me nas próximas palavras de Emmett, ele disse alguma coisa sobre o quão importante eu era para ele e Rose, que não fosse por mim, eles nunca se conheceriam. Meu sorriso saiu fácil para a fala dele.



“Uh, acho que eu estou com incontinência.” Falei enquanto vi um líquido claro molhando meu short. “Eu acabei de fazer xixi.” Eu me senti meio idiota por fazer aquela revelação a Emm.



E, então, ele gargalhou de mim. Eu pude supor que ele estava com lágrimas nos olhos. “Bella, você é a melhor!”



Eu gargalhei junto dele, deitei-me mais confortavelmente e senti uma mais enxurrada saindo de mim. Eu olhei para baixo e esbugalhei meus olhos. Havia água em toda parte, molhando os lençóis e o colchão. Aquilo não era xixi, não mesmo.



Corri meus dedos pela umidade, era quase incolor e com um cheiro nunca sentido por mim. Eu estremeci e as palavras me faltaram. Meu instinto materno gritava em minha cabeça, ele me dava uma boa noticia. Seria a luz em meio ao caos.



“Emm, Anthony está nascendo!” Meu tom era quentíssimo, não tinha espaço para o medo, apenas para a felicidade absurda.



“Uh?” Emmett parecia não acreditar em minha revelação.



“Anthony, meu filho, está nascendo.” Repeti mais alto, tentando acordá-lo.



Talvez eu o tenha feito, pois Emmett deixou alguma coisa cair no chão. O som de metal chocando com a superfície me deixou assustada.



“Céus, eu estou indo para aí, você está bem? Tem sangue? Não se mova, ok?” Ele disse tudo atropelado, lembrando-me uma pessoa em especial. A voz só não era mais preocupada que a de Edward. Expulsei os pensamentos, jogando-os para o inferno. Eu não pensaria nele, nem mesmo no fato de ele estar perdendo o melhor momento de minha vida.



Eu desliguei o celular, sem saber o que fazer, minha calma era completamente estranha. Perguntei-me onde estariam os gritos, os choros e, principalmente, a dor. Nada doía, nenhuma contração. Fiquei estática na cama, apenas acarinhando a pele branca e esticada.



“Bebezinho, você não está sofrendo, não é? Perguntei ansiosa. “Eu não posso acreditar que vou conhecer seu rostinho.”



O barulho da porta chamou minha atenção, Emmett entrou afobado, como se procurasse o foco de um incêndio. “Bella, por que diabos você me fez uma brincadeira dessas? Cadê a cabeça de seu filho entre suas pernas?”



Eu olhei e não disfarcei minha risada. “Uh, acho que a bolsa estourou, eu preciso ir ao hospital.”



Sem eu perceber, os braços de Emmett já me seguravam, transmitindo certa proteção e segurança. “Bella, eu faço ideia do que fazer, fale-me tudo, sim?”



“Meus documentos e a bolsa de Anthony, tudo está na segunda porta do corredor.” Enquanto eu falava, ele nos conduzia até minhas coordenadas.



Ele abriu o quartinho azul, a surpresa estava em cada parte do rosto dele, eu corri os olhos pelos detalhes que eu já tinha memorizado. Emmett segurou meu olhar por um breve instante. “Edward fez um ótimo trabalho, eu nunca pensei que ficaria tão bonito, ele não media as palavras para se referir a este quarto.”



Suprimi qualquer reação, mas, por dentro, meu peito perdeu uma batida. Olhei mais uma vez para o cômodo, eu fechei meus olhos, ignorando as lembranças dos sorrisos de Edward, a cada vez que ele não me deixava espiar o que ele fazia dentro do quarto.



Emmett pegou a bolsa azul em um segundo. Minhas roupas estavam em estado crítico, mas resolvi mantê-las. Os minutos no elevador foram intermináveis, eu me senti melhor quando ele me colocou sentada no banco de carona do carro esportivo.



“Uh, você vai fazer uma molhadeira nos bancos.” Ele disse divertido, não que eu me chateara com aquilo, mas, questionei-me se Edward faria um comentário daqueles.



Agradeci por Emmett ser um motorista prudente, ele alternava olhares entre mim e a avenida, o semblante era de quem estava confuso. “Eu preciso ligar para Edward,avisá-lo.”



Meu corpo inteiro retesou, um frio correu minha espinha. “Não faça isso, por favor. Não o deixe saber de nada, por favor.”



“Eu ficaria extremamente feliz se soubesse que meu filho estava nascendo, eu ficaria puto se ninguém o fizesse.” Emmett disse sem me olhar, mas colocando sinceridade e realidade em cada sílaba.



Eu o ignorei. “Ligue para Alice e Jasper, apenas para eles.”



“Isso é injusto, Bella! Coloque-se no lugar de Edward, por uma única vez.” Ele pediu com tom melancólico, como se soubesse mais que qualquer um.



“Ele nunca se colocou em meu lugar, não parece muito certo fazer isto por ele agora.” Joguei para ele, trazendo à superfície sentimentos e atitudes que eu não costumava externar.

(...)

POV Edward



Poderia ser classificado como uma enorme queda livre, sempre caindo, sem previsão de chegada. Sentindo certo alívio e muito medo, medo de tudo. Era horrível sentir medo e não ter ninguém por perto.



O silêncio do apartamento era insuportável, a ponto de tirar minha atenção. A sensação de estar fora da cena me consumia. Aquela não era minha casa, não tinha aconchego, nem Bella e Anthony.



Analisei mais uma vez o espaço, tinha poeira, mas não tinha energia e abastecimento de água e gás. Sem as televisões, que foram levadas para nossa casa de Chicago. Eu estava cercado pelo silêncio e pela indiferença.



Os ponteiros do relógio me diziam que eu deveria ir trabalhar, mecanicamente, saí do sofá e caminhei para a cozinha. Encarei minha geladeira, a cartinha de Bella estava centrada e chamava toda minha atenção. Eu amava cada palavra escrita naquele pedaço de papel. Minha transferência estava ao lado, eu a rasgaria na primeira oportunidade que eu tivesse. Eu nunca voltaria para Chicago, eu ficaria para sempre onde estivesse meu filho, mesmo que isso significasse ficar indeterminadamente em Nova Iorque. O calendário estava cheio de rabiscos, eu risquei o dia de hoje, o pior dia de minha vida, a data dizia que Bella acabara de completar trinta e oito semanas. A enciclopédia do bebê e da mamãe dizia que meu neném poderia nascer a qualquer momento.



Era incrível como minha mente estava trabalhando contra qualquer lembrança da manhã. Tudo que aconteceu antes de eu passar pela porta do quarto de Bella era apenas um borrão, as palavras dela não entraram em minha mente, eu não registrei o nojo, nem a decepção. E aquilo não minimizava meu sofrimento, ele só aumentava, em uma velocidade assustadora.



O vazio me preenchia, embora fosse contraditório. Não existia melhor maneira de classificar meu estado. A inércia não me fazia lutar, tentar uma conversa com Bella, dizer que nada era como ela estava pensando, que eu não tinha planejado morrer de amores por ela.



Mesmo sendo em vão, tentei mais uma vez ligar para Bella, conseguir qualquer palavra. Eu podia imaginar o olhar raivoso que ela dava para a tela do celular. Antes de eu discar o número, o nome de minha mãe apareceu na tela. Eu não estava preparado para ter aquela conversa com ela.



“Mãe?” Perguntei retoricamente, com medo e vergonha.



“Sou eu, Edward! Como estão?” Ela perguntou com a felicidade de sempre.



Engoli em seco, vasculhei meu léxico, a procura de palavras que a fizesse entender-me. “Mãe, ele é pior do que eu pensava.”



Ouvi um som estranho, um bufar sofrido. Eu sabia que Esme entendera meu ponto. “Seja sincero comigo, Edward, por favor. E nada de meias palavras.”



Foi como narrar um fodido filme triste, era ruim ter ciência que era eu quem protagonizava a maioria das cenas. Não deixei nenhum fato de fora, minha mãe não disfarçou choro ao ouvir o pesadelo de Bella.



“Edward, eu não posso acreditar, eu não posso...” A voz me trouxe lágrimas, eu odiava ver minha sofrendo, aquilo soava como culpa e ela não tinha nenhuma.



“Filho, como você está com isso tudo? Céus, você parece tão mal, mas, por favor, converse com Bella, ela tem que te entender, meu netinho está quase nascendo!” O discurso fora desesperado e ininterrupto.



“Mãe.” Falei, decidi não lutar contra a realidade. “Eu estou tão fodido, me sentindo um grande merda! Eu quero que Bella fique ainda mais nervosa, o que eu mais quero é fazê-la entender que a amo mais que tudo, que eu não planejei nada, que cada momento ao lado dela foi o período tempo mais precioso de minha vida, ela me fez ser um homem melhor, mãe.”



“Eu tenho medo que aconteça alguma coisa com ela ou com Anthony, eu nunca me perdoaria. Ela não quer me ouvir, também não vou forçar nada, eu realmente quero um final de gravidez tranqüilo para ela.” Defendi-me, sabendo que não eram bons argumentos.



“Não sei o que pensar, Edward! Bella deve estar me odiando, pensando que criei dois monstros, meu peito está doendo, filho, é insuportável.” Minha mãe disse após um silêncio curto.



“Eu sei como é, mãe. Tudo dói, não há nada que faça parar.” Falei por fim, beirando a derrota.



“Edward, por favor, não faça nenhuma besteira, ok? Não seja egoísta e pense só em você, eu não quero você pensando em idiotices.” Esme me alertou, eu conhecia bem aquele pedido. Ela só estava pedindo para o que meu lado suicida não despontasse novamente. Eu nunca faria aquilo, não mais.



A ligação estava perto do fim, eu queria terminar a conversa com um abraço, no mínimo. “Mãe, eu te amo, obrigado por ser quem você é.”



Ela me deu um sorriso baixinho, um pouquinho de conforto naquela bagunça toda. “Te amo também, você vai entender o que eu sinto quando colocar os olhos os olhinhos de Anthony, será a melhor sensação do mundo.”



Eu suspirei, imaginando a cena. “Eu quero tanto que o dia chegue logo.”



Esme fez uma pausa rápida, depois, ela me encheu com a voz quente e maternal. “Todos nós queremos.” Ela me disse, e, assim, com uma afirmação otimista, a ligação encerrou-se.

(...)

O olhar que Jasper carregava era nada além de raivoso e agressivo, contudo estava longe de me intimidar. Tudo no rosto irritado me dizia o que ele faria. Eu não me movi, não corri, não terminei de ajeitar meu quepe.



Emmett estava passos atrás dele, inseguro sobre o que acontecia comigo. Quando Jasper tornou a distância entre nós curta demais, eu pude sentir a respiração dele contra meu rosto, um tornado destruindo tudo o que passava pele frente. Fiz meus olhos ficarem abertos, encarando-o.



Minha visão periférica captou os punhos cerrados, escorria raiva pelos olhos azuis. “Como você pode fazer isto com ela?



Não deu tempo para eu responder, pois eu vacilei com o murro que ele deu contra meu rosto, fazendo meu corpo tender-se ao chão. A ardência foi o primeiro sinal, tanto nos olhos, como na bochecha. Eu não iria revidar, eu estava aceitando aquela humilhação.



Jasper parecia feliz com minha passividade, ele, me olhando e babando de raiva, me bateu no peito. “Você é um desgraçado, mil vezes pior que o maldito do Sebastian!”



As palavras eram um pequeno choque de realidade, elas demonstravam uma raiva sem igual. “Eu confiei em você, Edward! Eu acreditei que você faria Bella feliz.”



Meu rosto foi golpeado diversas vezes, eu sentia meu olho pesado e meu nariz sangrando. Eu me conhecia, a diferença de porte físico era notória, se eu me esforçasse, eu mostraria a Jasper como realmente bater em alguém. Todavia, eu permaneci imóvel, recebendo os punhos cerrados em meu rosto.



Emmett, que parecia uma estátua pálida, não esboçava nenhuma reação. Ele estava bestificado com a cena, eu nunca saberia interpretar o semblante que ele carregava. Era medo e decepção.



Em algum momento, Jasper parou subitamente com tudo que ele fazia comigo. Ele olhou para as próprias mãos, com nojo de meu sangue. E não existia humilhação pior. Quando ele, indiferentemente, limpou as palmas em minha camisa, eu percebi que eu não era digno de nada.



Ele saiu de perto de mim, deixando para trás a dor física, vi Emm se aproximando, ainda assustado. Eu dei um sorriso a ele, sujo de sangue e, talvez, faltando alguns dentes. “Está esperando o que para me surrar também?”



E, em um ato completo e inteiramente inesperado, ele me puxou do chão. Eu senti o mundo rodando e o olhei confuso. Emmett abriu um sorriso sincero, ainda assim, com certa hesitação.



“Eu não costumo julgar ninguém sem antes saber os dois lados da história.” Ele disse me olhando, transmitindo seriedade, de um jeito que eu nunca vi antes.



“Uh?” Soltei por reflexo, sem acreditar nas palavras, eu ainda esperava os socos.



Emmett olhou para algum lugar atrás de mim e, depois, me fez segui-lo. Eu me sentei nos degraus da escada, o silêncio não seria quebrado por mim.



“Eu sei que você nunca faria o que o fez, espero que você tenha uma boa desculpa, por que, se não, eu vou quebrar a porra de sua cara.” Ele me advertiu sem usar o tom divertido que ele sempre utilizava.



Dei meu melhor olhar curioso para ele, sentindo, subitamente, que eu poderia confiar nele, talvez ele não me julgasse ou fizesse, pelo menos, o julgamento certo.



“Você nunca entenderia.” Coloquei com displicência, tentando um bom meio de começar aquele assunto.



As covinhas de Emm apareceram, embora a da esquerda fosse mais saliente que a da direita. “Cara, uh, eu sou bem mais inteligente do que demonstro ser, vamos lá.”



Soltei todo meu ar, o que me fez sentir a dor fodida em minhas costas. Eu gemi e contei tudo a ele. Sem omitir nada, a parcialidade existia, mas eu não o fazia tender para minha defesa. Emmett era bom em escutar, ele não me interrompia, nem me lançava olhar acusatórios.



Eu esperei pacientemente qualquer reação dele, assustei-me quando ela não veio. “Emmett?”



“Quer dizer que seu irmão era um completo fodido e que ele arrasou a vida de Bella, e ela nunca soube desse mero detalhe?” Ele resumiu os últimos vinte minutos em apenas um pergunta.



Acenei positivamente, sem vontade de falar nada, era a minha vez de ouvi-lo. Emmett percebeu minha deixa, ele coçou os dedos, meio inquieto. “Você tem ideia do que poderia acontecer com Bella e com Anthony, o que deu em sua cabeça para contar faltando dias para seu filho nascer?”



“Emmett, eu precisava tirar isto de mim! Eu nunca viveria em paz sabendo que era eu quem a atormentava todas as noites.” Defendi-me, ele pareceu ponderar.



“Jesus, como alguém consegue ser tão baixo? Não há nome para o que ele fez com Bella.” Emmett disse vagamente, enquanto encarava os próprios sapatos.



Aquilo fazia meu peito contorcer-se em dor, eu o olhei, ele entendeu tudo o que não coloquei para fora. “Deve ser uma merda saber que ele é seu irmão.”



“Eu tento não pensar muito nesta parte, isso não é muito sobre mim.” A despretensão de minha fala tornou a atmosfera melancólica. Emmett bateu em meu ombro, dizendo, com o ato, que ele estava comigo naquele caos.



“Eu não faria diferente de você, na verdade, eu acho que nunca contaria. Eu não seria tão corajoso, eu não abriria mão de minha felicidade tão facilmente.” A fala de Emmett causou piscadelas em mim, eu teria que ouvi-la novamente.



“Isso é sério, Edward. Eu nunca saberia o que fazer.” Ele repetiu, colocando mais verdade na afirmação. “Você deve estar tão perdido.”



“É, um pouco. Eu não sei o que pensar sobre Bella, tudo que ela me disse. Sobre meu neném, eu não quero que ele me odeie. Eu só preciso que minha cabeça funcione, que Bella converse comigo.” Despejei sem pausar, minhas palavras morreram em algum lugar do silêncio.



“Eu sei que ela está com raiva e me achando o pior dos homens, e também não quero que ela fique nervosa, não é bom para nenhum dos dois, mas eu preciso saber como eles estão, Bella estava tão cansada nos últimos dias.” Lembrei-me da última semana, dos pés inchados e a dor nas costas.



“O que eu posso fazer por você?” Ele me perguntou em tom amigável, soou como luz na escuridão.



Eu sorri, agradecendo-o antecipadamente. “Deixe-me saber tudo sobre os dois, por favor.”



“Bella te adora, ela vai conversar com você, aposte. Por favor, verifique como ela se está com qualquer desconforto e, o mais importante, deixe-a bem, ela merece um pouquinho de calmaria, ela adora conversar sobre coisas bobas. Mantenha-a distraída, eu não quero que ela pense em nada que está acontecendo conosco.”



Ele me ouviu com atenção, se pudesse, ele anotaria em um bloquinho. “Há mais alguma coisa?”



“Ela tem consulta semana que vem.” Emmett piscou, um sinal que ele entendera meu ponto.



“Obrigado por isso, Emm. Espero poder retribuir.” Falei com sinceridade, apertando a mão dele.



Ganhei um sorriso de verdade, daqueles que te fazer sorrir. “Apenas limpe sua cara, você está assustador.”

(...)

Ignorei as chamadas em meu celular, eu sabia que eram de minha mãe. A décima quinta da manhã. Existiam dias ruins e dias bons e, definitivamente, aquele estava sendo um péssimo dia. Os pensamentos derrotados estavam mais fortes e a saudade de Bella barriguda estava me dilacerando. Falar ao telefone não era uma boa opção.



A décima sexta ligação me irritou um pouco mais, atendi-a com impaciência. “Oi, mãe.”



“Edward, o que aconteceu com você? Onde você estava?” Minha mãe parecia vomitar as palavras sobre mim.



“Estou em casa, em minha cama.” Resumi a ela minha situação desastrosa, eu contava os minutos para ir ao batalhão. Trabalho era sinônimo de cabeça cheia. Cabeça cheia não abria margem a pensamentos ruins.



“O que há com você? Não me diga que você está bêbado ou chapado.” Esme perguntou com evidente mágoa, eu não saberia como explicar-lhe meu comportamento.



“Só está sendo um dia pior que os outros, me sentindo ainda mais fodido, pensando que todos estão com os olhos em mim. Por favor, não me ligue a cada dez minutos.” Pedi sem medo de parecer um filho ingrato.



“Edward, não me esconda nada, sim? Você não sabe como seu pai e eu estamos.” Ela disse em tom de chantagem, coisa típica de minha mãe.



“Mãe, eu sempre vou me refugiar em você. Se acontecer qualquer coisa, você será a primeira a ficar ciente; estou sentido sua falta, eu vou ficar bem. Amo você.” Minha voz saiu perturbada, do mesmo jeito que eu estava.



“Edward, prometa que ficará bem, eu posso ir à Nova Iorque.” Ela propôs, era uma péssima ideia.



“Eu prometo, mãe. Eu prometo pelo meu filho, eu vou ficar bem.” Afirmei à ela, aproveitei para afirmar a mim mesmo.

(...)

A ausência de Emmett tornava a noite mais cansativa, pelo menos não tinha Jasper me fuzilando com os olhos. Eu estava sozinho, esperando o próximo chamado. Ainda com as cenas do último resgate rondando minha mente. O fogo tomando conta da casa luxuosa, fazendo riqueza e ostentação virarem gritos e choros.



Encostei-me contra a parede, o sono era insistente, eu lutava bravamente contra ele. O plantão estava longe de acabar, eu teria uma madrugada pela frente. Meu celular chamando atraiu minha atenção. Estranhei o nome piscando. Meus dedos agiram mais rápido que meu cérebro, tocando a tela e fazendo a voz ansiosa quebrar o silêncio da noite.



“Edward, eu me odeio por isso, mas Bella precisa de você. Anthony está nascendo!” Alice disse rápido demais, fiz todas as assimilações possíveis e sorri. Sorri feito bobo.



Cada parte minha recebia ondas de um sentimento desconhecido, meu peito esquentou, a dor estava mais longe. A luz estava muito perto de mim. Eu queria pegar meu filho. A luz estaria em meus braços.




Continua...




5 comentários:

LAV RIBEIRO disse...

quando o susto e a raiva passar ela vai ouvi-lo e vai perdoar...assim eu espero

Yasmim Oliveiradesouza disse...

Oh sabia que esse dia chegaria...mas ela precisava ler as cartas que o Sebastian escreveu...o Edward nao tem culpa de ter um irmão louco...

francisca oliveira alencar disse...

A hora da revelação - foi péssima , mas essas coisas acontecem sempre assim! até no mundo real, mas mto bem escrito, mta emoção, mas eles vão ficar bem!assim espero.

Jannáyra Menezes disse...

Meu Deus que angustia :'( que triste.

Bells disse...

ele deveria ter explicado,não ter jogado as palavras de uma vez e saido correndo...e as benditas cartas mostre para A Bella...
Mto lindo cap

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