FANFIC "SUDDENLY LOVE" - CAPÍTULO 04!

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CAPÍTULO IV
Edward sentou-se no primeiro lugar vago na parada de caminhoneiros onde costumava descansar sempre que viajava de New York até Forks. Olhando para o lado, ele viu o conversível prata parado ao lado de sua moto, o carro de Bella Swan.
Naquela manhã, ela insistira em passar no banco antes de irem ao cartório de Nascimentos, Casamentos e Óbitos. Ele imaginara que Bella fosse sacar o pouco dinheiro que lhe restava; em vez disso, ela saíra com uma quantia alta o bastante para pagar o carro. Tinha um sorriso largo e dissera que uma amiga a quem havia emprestado dinheiro finalmente pudera lhe pagar.
Edward não acreditara naquela história, pois era mais provável que ela tivesse emprestado dinheiro de alguma amiga. Mas, de qualquer modo, aquele dinheiro sabotava seus planos.
Durante a noite, sua parte realista dizia que aquilo realmente poderia ter acontecido, mas o que realmente o surpreenderam foram as palavras de Bella, “Eu até posso me casar com você, mas não ficar sem o meu carro!”.
Edward achara que ela estava louca. Aquela importância era suficiente para que quitasse suas dívidas e comprar um bom carro usado, sobrando ainda dinheiro para os gastos durante a gravidez. Mas ela preferira trocar tudo isso por um carro.
Ele olhou novamente pela janela e lá vinha sua noiva, que tinha acabado de sair do banheiro feminino. Edward não podia deixar de admirar a sensualidade daquele corpo. Somente um observador mais atento seria capaz de identificar sua gravidez.
Bella se aproximou e sentou-se com um ar um tanto desanimado.
— Você está bem? — perguntou ele.
— Não. Mas acho que um pouco de chá com torradas pode resolver o meu problema. Meu estômago anda mal, acho que tenho passado a maior parte do tempo em banheiros...
O tom bem-humorado de seu comentário arrancou um sorriso dos lábios de Edward.
De vez em quando Bella olhava para aquele homem sentado à sua frente na lanchonete. De agora em diante dividiria o mesmo teto com ele, que talvez não fosse tão insuportável quanto morar com Sue.
Embora sentisse que havia cometido um erro ao deitar-se com Edward, tinha de admitir que o fizera com um homem bonito. Seu ex-marido, Jacob, moreno e alto, também era muito bonito, porém infiel.
— Quanto você mede? — ela perguntou de repente, provocando em Edward um olhar confuso. — É que... fiquei curiosa. Quero saber se nosso filho será alto.
— Todos os Cullens são altos. Até as mulheres. Precisa ver como Lauren está alta, e ela tem apenas quinze anos.
— Lauren? — murmurou Bella vagamente.
— Sim, minha prima.
Finalmente Bella recebeu seu chá da garçonete, colocando em seguida leite e açúcar. Reparou que Edward a olhava de modo estranho desde que ela saíra do banco. Ele estava obviamente curioso a respeito de como havia conseguido o dinheiro; talvez estivesse preocupado com a possibilidade de acabar não se casando com ela.
Bella sorriu, tomando um gole de seu chá e sentindo a rejeição imediata por parte de seu estômago. Então respirou fundo, tentando relaxar.
— Eu não conseguia acreditar quando descobri que nascemos no mesmo dia — comentou ela erguendo o olhar — e justo em 13 de Setembro. Coincidência engraçada, não é?
— Diante das circunstâncias, eu diria que se trata de justiça poética.
— Sim, até o escrivão do cartório ficou surpreso.
— Você também — disse Edward. — Apesar de nos conhecermos há tanto tempo, você ficou impressionada ao descobrir que fazemos aniversário no mesmo dia.
— Ora, você ficou tão impressionado quanto eu.
— Sim, a coincidência seria ainda maior se tivéssemos nascido na mesma maternidade.
— E será que não foi?
— Não, eu olhei a sua certidão, e lá consta que você nasceu em Forks. Ou seja, como não há nenhuma maternidade lá, você nasceu na sua casa.
— Meu Deus, eu acho que não conseguiria dar à luz uma criança sem anestesia e uma dúzia de médicos e enfermeiras ao meu redor.
Ele riu.
— Eu nasci numa tenda, durante um concerto de rock fora dos limites da cidade. Como anestésicos, minha mãe tomou uma porção de drogas ilegais que a fizeram dormir até o dia seguinte, quando ela finalmente descobriu que havia dado à luz.
Bella balançou a cabeça negativamente, recusando-se a fazer qualquer comentário.
— Bells., não me importa qual método você acha mais adequado ou se usará drogas legais ou ilegais, só quero que saiba que, quando chegar a hora do nosso bebê nascer, eu estarei ao seu lado.
Aquelas palavras soaram bastante gentis, e ela as apreciou muito.
Era impressionante como eles tiveram vidas diferentes desde o primeiro instante em que vieram ao mundo.
— Você não me parece bem — comentou Edward após cerca de quinze minutos. — Acha que está em condições de dirigir?
Bella tinha de admitir que a escolha de chá com torradas não havia sido uma boa idéia.
— Não posso prever se me sentirei mal durante a viagem ou não. No caminho para cá, por exemplo, fui acometida por um mal-estar...
— O quê?! Você teve um mal-estar e não parou o carro?
— Calma, foi apenas uma leve indisposição que começou a um quilômetro daqui.
— Você não vai mais dirigir.
— Por quê?
— Não vou deixar que arrisque a sua vida.
— Oh, pelo amor de Deus! Eu não arrisquei a minha vida e não vou arriscar agora. Além disso, imagine a cena, todos me vendo chegar... naquilo — disse ela apontando a moto.
— Você não deveria se preocupar com isso, afinal a cidade inteira sabe que está esperando um filho meu.
— Talvez, mas eu prefiro preservar o pouco de orgulho que me resta, mesmo que você tenha o hábito de contar para todos as suas proezas sexuais.
— Está me culpando por todos saberem da sua gravidez?
— Eu não pretendia contar a ninguém, nem mesmo...
— Nem mesmo a mim — interrompeu-a Edward.
— Se você não contou, como se explica que todos saibam?
— Infelizmente minha prima ouviu a nossa conversa na oficina, e, como todas as mulheres, ela não consegue ficar sem compartilhar as novidades.
— Sinal de que ela não foi corretamente educada para que respeitasse a privacidade alheia.
— Você não está em condições de julgar a educação dos outros. Eu acho que muitas mães de hoje não seriam exemplos muito bons para seus filhos.
Aquele tapa verbal foi realmente doloroso para Bella.
— Olhe, não foi isso que eu quis dizer, apenas gostaria que isso tivesse ficado entre nós.
— Mas você não teria me contado também. E não se casaria comigo se não estivesse em dificuldades financeiras. Entenda uma coisa, o fato de o nosso casamento ser uma farsa deve ficar entre nós. Todos na cidade, incluindo a sua madrasta, pensam que nos amamos, e você deve...
— Não seja ridículo! Ninguém em sã consciência acreditaria nisso. Além do mais, eu quase nunca vou até Forks.
— Sim, mas eu disse que temos nos encontrado regularmente em New York faz seis meses, e só não tornamos isso público antes porque tínhamos de esperar pelo seu divórcio.
— Como pôde me caluniar desse jeito?
— Você se sentiria melhor se todos soubessem que nós tivemos apenas um caso de uma noite? Além disso, agora vamos nos casar e essa é a coisa mais correta a se fazer.
— Isso quer dizer que, quando estivermos perto de outras pessoas, eu devo me atirar sobre você como uma louca apaixonada?
Edward imaginou a cena e não conseguiu conter um sorriso.
— Isso seria bem convincente, mas não combinaria com a sua pose de princesa. Basta não me repudiar cada vez que eu a toco, e às vezes me endereçar um sorriso amável.


Bella decidiu deixá-lo acreditar que estava mesmo no controle da situação.
— Tudo bem, então ninguém mais precisa saber da verdade além de nós dois. Mas lembre-se de uma coisa, eu não dormirei com você, o nosso casamento será de fachada. Então, se não houver dois quartos no seu apartamento, convém que você durma no sofá.
— Meu apartamento tem dois quartos.
— Que bom.
— Certo, então estamos de acordo. Agora saia desse carro e...
— Eu já disse. Não subirei nessa moto!
— E eu disse que não deixarei que dirija se estiver se sentindo mal. Sente-se no banco do passageiro, e eu vou tentar convencer o mecânico a deixar minha moto guardada aqui por um ou dois dias.
Antes que Bella pudesse protestar contra a decisão, Edward pegou as chaves do automóvel e as colocou no bolso de sua calça.
— Seu rato mentiroso! Você disse que o seu apartamento tinha dois quartos!
— Eu não menti, são dois quartos, o meu e o de Lauren.
— E você sabe muito bem que ela não dividiria o quarto comigo.
— Sorte a sua que eu aceite dividir o meu, não é?
— Edward, se você acha que pode me convencer a dormir com você, eu...
Ele ergueu a mão, interrompendo-a com um gesto.
— Ei, fique calma. Pensei que havíamos concordado em viver como um casal normal.
— E você concordou que nós dormiríamos em lugares separados.
— Não, eu disse que o meu apartamento tem dois quartos, o que é verdade.
— Você me enganou.
— Ora, então me processe! Meu Deus. Eu já entendi que você não quer fazer sexo comigo. Por mim tudo bem, pois nunca forcei uma mulher a fazer amor comigo. Além do mais, como você está grávida, com certeza não vai ficar bêbada e...
— É claro que não!
— Então não teremos nenhum problema em dividir uma cama de casal, não é?
— Será que não? Como você chegou a essa conclusão?
— Segundo entendi, você só dormiu comigo porque havia bebido muito; então, se não beber, não ficará tentada sexualmente.
— Então está certo, dividiremos a cama. Porém mantenha o seu cachorro longe de mim!
— Fico feliz por saber que você não prefere a companhia do cachorro — disse Edward com um suave sorriso nos lábios.
— Falo sério, Edward, não quero que ele fique perto de mim.
Bella tinha um medo profundo de Bear, e isso era algo compreensível. Bear era grande, e seu latido, forte e feroz.
— Bear não vai machucá-la. Lauren cuida dele desde que era um filhote e eu lhe garanto que late muito mais do que morde.
— Certo, se você está dizendo... Mas eu não gostaria de descobrir que isso é mentira.
— Pedirei que Lauren não o deixe subir as escadas até que você se acostume melhor com ele, tudo bem?
Ela concordou com a cabeça, olhando ao redor. O quarto era grande, como em seu apartamento. O aparelho de TV ficava sobre a cômoda e ao lado havia duas poltronas. Os móveis pareciam antigos, talvez dos anos 1940. Em uma das paredes havia um pôster de um motociclista fazendo uma curva fechada, seu joelho quase tocando no asfalto, parecendo que a foto havia sido tirada um momento antes que ele caísse da moto.
Bella tentava ser otimista, lembrando-se de que, com sorte, o máximo que ficaria ali seria uma semana. Mesmo que uma semana com Edward e sua prima Lauren pudesse parecer uma vida inteira.
De fato, a garota Lauren se vestia como um saco de chá usado, só que com menos estilo. Seria um prato cheio para as fofocas de Jessica Stanley, a amiga de Sue que as vira descarregando as malas.
A qualquer momento Sue estaria ligando para implorar que Bella saísse dali. Ela certamente o faria, assim que a madrasta liberasse seu dinheiro. E até que esse momento chegasse, tudo que precisava fazer era se proteger daquele cão desagradável e da ainda mais desagradável prima Lauren, além de manter certa distância de Edward, mesmo que seus hormônios tentassem lembrá-la de uma noite que nunca deveria ter acontecido!
— Se você estiver disposta — era a voz de Edward que interrompia seus pensamentos —, agora é um bom momento para conhecer o restante do pessoal.
— Pessoal?
— Rosalie e Alice. Amigas minhas que também trabalham na oficina — explicou ele — Oh, é melhor que use isto. Eu comprei ontem, depois que saí do seu apartamento.
Edward entregou a Bella a caixinha que, ao ser cuidadosamente aberta, revelou um esplêndido anel de ouro e brilhante.
Bella estava surpresa. Então pensou que o brilhante devia ser falso; afinal, uma pedra daquele tamanho deveria ser cara demais para um simples mecânico.
— É... é lindo — disse ela com sinceridade —, mas não é necessário.
— É, sim. Tenho certeza de que algumas pessoas pensam que nos casamos por causa de um acidente com um preservativo furado, e todos que me conhecem sabem que eu nunca compraria um anel caro como esse se não estivesse apaixonado. Além disso, eu sei que você não aceitaria ser vista com uma jóia barata.
— Está dizendo que sou uma exibicionista?
— Não, não estou dizendo isso, apenas que você tem gostos bem caros.
— Eu tenho bom gosto, é diferente, não necessariamente gostos caros.
— Não importa. Ponha no dedo. Se não ficar bom, podemos mandar ajustar na próxima vez que formos a New York.
O anel encaixou-se com tamanha perfeição que provocou um arrepio em Bella.
Falso ou não, aquele era um anel maravilhoso, e seria uma pena que Edward tivesse gasto tanto dinheiro por uma jóia que ela usaria durante apenas uma semana.
— Vamos descer? — chamou ele, interrompendo o olhar compenetrado dela para o anel.
Bella sorriu.
— O anel é lindo. Você tem muito bom gosto.
Eles se entreolharam por um instante.
— Não, acho que apenas estou começando a ter gostos caros.

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